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Política
Será que Deus é mesmo brasileiro?
29 de março de 2018 at 13:00 0

Os tempos mudaram tanto no campo da violência quanto no desenvolvimento do país nas últimas duas décadas. Se fizermos uma análise temporal veremos que a violência aumentou radicalmente, independe do grau de desenvolvimento do país como um todo.

Não há ligação direta entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social e urbano. Uma prova disso são os estados, principalmente o Rio de Janeiro, que surfaram uma onda de prosperidade com o petróleo, o mercado de capitais e recentemente com as Olimpíadas. Mesmo com todos esses fatores alavancadores, o que temos visto é uma permanente decadência social e urbana graças à violência.

Atribuir o problema do Rio de Janeiro à crise do petróleo é uma solução pobre. Hoje a Cidade Maravilhosa só ganha de São Paulo na questão dos buracos no asfalto. São Paulo foi toda repaginada, e embora ainda tenha buracos nas ruas, tomou para si o mercado de capitais, a Fórmula 1, além de grandes eventos internacionais como o UFC. Isso acontece porque é mais fácil tampar buracos, como agora o prefeito de SP está dando prioridade, do que resolver a insegurança pública. Todos esses eventos que foram para São Paulo, e que antes ocorriam no Rio de Janeiro, embarcaram na ponte aérea em parte por falta de segurança. E quem perde com isso são os cariocas, que deixam de ganhar esses recursos devido ao êxodo.

Outro fator significativo da insegurança pública é a depreciação do patrimônio imobiliário, tanto dos investidores quanto dos cidadãos em geral. A criminalidade é um verdadeiro “perde perde” econômico.

A política de segurança pública deve sempre levar em conta a melhoria das condições de operação. É preciso investir em uma polícia moderna e eficiente, com equipamentos e estruturas adequadas, e também com uma área de inteligência competente acoplada a este processo. Por que há uma diferença tão grande entre São Paulo e o Rio de Janeiro, que sempre foram considerados os estados mais importantes da nação? Será por que São Paulo não foi atingido economicamente pela Operação Lava Jato, ou por que seus governantes tiveram outras prioridades? A segunda alternativa é a correta.

O papel de todo gestor é priorizar investimento, tanto financeiro quanto humano. A segurança pública é um campo onde podemos ver a importância da priorização correta. Se compararmos com Rio de Janeiro e diversos outros Estados brasileiros, assolados pela violência, temos a impressão que São Paulo é um outro país. Enquanto o Rio de Janeiro investiu R$ 2.469 em inteligência em 2017, ou seja, apenas R$ 0,0003% do orçamento, São Paulo destinou 3% do orçamento para inteligência. Somente como referência, o orçamento de São Paulo no ano passado para a segurança foi de R$ 12,5 bilhões.

É um erro investir em Museu da Música, Museu do Mar, e outros mega projetos, se o cidadão não pode se deslocar tranquilamente. A política de segurança pública do Rio é tão descuidada que dá pena de ver a aparelhagem da corporação. Policiais precisam de favores de empresários para abastecer e reparar viaturas, senão faltam veículos para policiar as ruas. Notícias recentes mostram que 50% dos carros da polícia não estão em circulação por falta de peças. As delegacias estão em estado de piedade. Como é que podemos pedir recuperação de roubo, solução de latrocínio, se as delegacias não conseguem sequer registrar um Boletim de Ocorrência?

Chegamos a uma situação extrema com a intervenção do governo federal. Se o Exército conseguir impor a lei, trazendo a ordem pública de volta a condições mínimas e razoáveis, pode ser que pela primeira vez em décadas o Rio tenha a chance arrumar toda esta bagunça. O interventor precisa de apoio da sociedade, não de falsos políticos que pregam que a intervenção que falhará por não ser uma política continuada. Nosso principal problema é institucional. A maioria dos políticos sempre conviveram muito bem com a população desassistida, todos adeptos da política de melhora de qualidade de vida dos mais carentes através de benefícios públicos. O que eles não enxergam é que o Programa Bolsa Família não cria valor de emprego e segurança, apenas crédito em conta. A cidade está hoje sitiada por bandidos, então como não ser favorável à intervenção do exército. Qual a outra opção? Quem lida com estado de sítio são as Forças Armadas, não as forças policiais.

A discussão do problema evoluiu para os métodos de intervenção, como a estratégia de cadastramento do morador da favela. Os falsos defensores dos vulneráveis usam o discurso dos Direitos Humanos igualitários para sugerir discriminação contra o pobre, ou o cidadão que mora em uma região de favela. Não podemos cair nessa balela que atinge traços até mesmo midiáticos. Sem utilizar técnicas novas, principalmente as tecnológicas, iremos andar em círculo.  Nós chegamos a um ponto onde centenas de pessoas morrem por bala perdida. A única vítima desse discurso limitante que tenta criminalizar a intervenção e a tentativa de se fazer alguma coisa é a população que morre no meio do tiroteio.

Monitoramento e serviços de inteligência sempre terão papel primordial. O OSS e o serviço de inteligência britânico foram essenciais para a vitória na Segunda Guerra Mundial. O que o Rio vive hoje é uma operação de guerra e não um caso de polícia, como muitos políticos tentam nos convencer. Nossas autoridades deveriam ir além e recorrer a outros países com experiência similar. Israel sobrevive em uma área de conflito permanente graças à tecnologia avançada para combater e eliminar inimigos infiltrados nos grandes centros populacionais, e a Colômbia trava há décadas uma guerra contra um inimigo paramilitar que chegou a dominar completamente grandes cidades.

O desenvolvimento é incompatível com os índices de criminalidade que temos nas principais cidades do país. O Brasil de hoje precisa de bons administradores que saibam o que priorizar. Nas próximas eleições devemos desconfiar do carismático presidenciável, e nos preocuparmos em eleger quem fizer e administrar bem, e que tenha um passado que corrobore este fato.

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Outros assuntos, Política
O impacto de Trump na nossa economia
23 de novembro de 2016 at 07:50 0

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As pesquisas de opinião e previsões de especialistas mais uma vez não se confirmaram e deixaram o mundo perplexo. Tem se tornado uma constante que os prognósticos mais improváveis, como a votação do Brexit, na Europa, e a vitória de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos se tornem realidade e surpreendam a todos. Estamos, sem dúvida, caminhando para um período de incerteza absoluta, inclusive se considerarmos, no caso das eleições norte-americanas, que as últimas pesquisas davam uma pequena vantagem a Hilary Clinton - que se confirmou com a vitória da democrata na votação popular.

A política econômica do governo Obama foi fortemente apoiada na economia de mercado global, totalmente oposta da opção de Trump. O novo presidente tem a promessa de um mercado mais voltado para dentro, com objetivo de incluir novamente um maior contingente da população americana no mercado de trabalho, principalmente com as oportunidades que tem os imigrantes ilegais e o fechamento de postos de trabalho nos Estados Unidos para serem reabertos em outros países.

Apenas após a posse de Donald Trump é que poderemos efetivamente sentir se o discurso do candidato se materializa, uma vez que não são apenas seus atos e intenções que o tornam realidade. O que todos queremos saber, entretanto é o que significa exatamente a vitória do partido republicano para nós e outros países emergentes.

Mesmo em crise, os Estados Unidos são a maior economia do mundo, acredito, portanto, que se 30% das propostas sejam implementadas, o efeito pode ser devastador.

Nós já vivemos um momento semelhante de incerteza, quando Lula assumiu a primeira vez a Presidência da República. Naquela ocasião os mercados precificaram todas as promessas de campanhas e Lula teve que assinar uma carta compromisso prometendo não romper com os mercados como falou em campanha, além de repactuar o pagamento da dívida pública e se retratar com os mercados. Para dar credibilidade a estas ações, montou uma equipe econômica suprapartidária e reconhecida por sua qualidade técnica.

Essa é a tendência de todos os presidentes controversos: em um primeiro momento tomam medidas para acalmar os mercados e em seguida vão implementando as respectivas plataformas de campanha, de acordo com o apoio que receberam para se eleger. Isto acontece de maneira geral e não dá para avaliar se será apenas retórica todo o discurso de Donald Trump em campanha, como também não dá para fazer uma avaliação precisa dos novos passos que seriam dado daqui para frente. O que temos como dado positivo é a biografia empresarial do novo presidente

Avaliando a fundo o cenário, podemos dizer que a economia global e a própria globalização serão reavaliados. Tanto o Brexit quanto Trump receberam os votos contra a globalização dos mercados e a favor da proposta de reequilibrar os mercados pelo viés de maior proteção do mercado interno, ou seja, mais protecionismo, mais inflação e consequentemente mais juros com perspectivas de mais empregos em razão da menor competição externa.

Dessa forma, não dá para que as ações de Trump sejam muito diferentes de seu discurso e isso deve dar início a uma nova ordem econômica para o mundo atual. Economicamente, para os cidadãos americanos, poderá não ser ruim e é curioso ver que este foi o mesmo pensamento que norteou o voto do cidadão inglês, que optou por sair do mercado comum europeu, mesmo que não seja o pensamento de suas cidades principais, líderes e símbolos de globalização, Nova Iorque e Londres, respectivamente.

O fundamento dessas duas vitórias são os mesmos, pois os eleitores que venceram não foram dos grandes centros e mais importantes culturalmente, mas sim os dos estados mais afastados e menos incluídos no processo de globalização.

Para o Brasil, o momento anterior ao da eleição era de uma maior estabilidade e de previsibilidade da nossa economia baseada na vitória da Hilary. Consequentemente e de imediato, uma das possíveis consequências de um presidente polêmico como Trump é a volta da volatilidade nos mercados, câmbio, juros e bolsa que, até então, estavam comportados.

É quase certo também que aconteça um aumento nos juros americanos, o que já tinha sido sinalizado pelo FED e agora depende principalmente dos indicativos da política comercial dos EUA, no que diz respeito a barreira comercial de alguns mercados e até mesmo com aumento de tarifas de importação. O efeito nas relações comerciais, caso algumas promessas venham a ser cumpridas, deverão ser sentidas pelas maiores economias mundiais.

É extremamente relevante e impactante para o resto da economia mundial o efeito da economia do EUA, em razão da moeda norte americana ainda lastrear em todo o mundo as transações comerciais e as reservas dos outros países. O mundo desenvolvido tem vivido um momento de desinflação, juros negativos e baixo crescimento com altíssima liquidez no sistema financeiro, além de uma concentração de renda cada vez maior. Se alguém tem capacidade de mudar este jogo, bastando colocar em prática 30% de suas promessas de campanha, é Donald Trump juntamente com o apoio do Partido Republicano.

Em menos de uma semana vimos o câmbio dar um overshoot, desvalorizando em mais de 10% a moeda americana, e isto faz com que o custo dos hedges ficassem mais caros, com os juros futuros revertendo a tendência de queda dos bonds corporativos brasileiros. Com certeza fica mais caro investir no Brasil e o capital externo exigirá mais premium para vir a investir em nosso país ou outros mercados emergentes, pois a volatilidade do câmbio afasta investimento causado pela incerteza.

Todos sabemos que o impacto no dólar afeta diretamente componentes e produtos importados, que por sua vez comprometem a queda da inflação e, consequentemente, a trajetória de queda dos juros poderá ser mais lenta. A  implementação da política econômica do governo Trump envolve muitas questões comerciais e bilaterais de comércio exterior, principalmente entre EUA e UE, e o efeito dessas decisões redireciona o sistema financeiro mundial, impacta os fluxos de capitais (principalmente para os emergentes como o Brasil) e a tendência é de um fortalecimento do dólar, gerando maiores dificuldades de acessar o mercado interno norte-americano. Até mesmo a China pode ser afetada se Trump seguir com sua promessa de priorizar indústrias americanas.

O câmbio deve se manter volátil pelo menos até o início do governo Trump, mantendo a moeda brasileira pressionada. Acho pouco provável que aconteça uma mudança de percepção sobre a tendência econômica anunciada durante a sua campanha, sendo que o anúncio de seu quadro ministerial e equipe econômica e que emitirá os sinais concretos da direção e real intenção de Donald Trump. Caso esta equipe não inspire confiança, os mercados globais tenderão a reagir com bastante volatilidade. Aliás, esta é a única coisa que é certa: muita volatilidade.

Como sempre, é preciso ver o lado bom das situações. Novamente seremos forçados a agir rápido nas reformas internas, sendo que a fiscal já está em curso e a previdenciária que não pode mais ser adiada. É preciso destravar a economia e nos prepararmos para o efeito externo que poderá não ser nada agradável para nós que já estávamos mais confiantes para uma retomada do crescimento em 2017.

O elefante é o representante oficial do Partido Republicano. Para nós resta esperar que os próximos 4 anos representem a força e a inteligência desse animal e não seu conservadorismo e pretensão. Com a habilidade que Donald Trump demonstrou até aqui, em toda sua carreira empresarial e recente carreira política, só nos resta esperar que essa força também nos ajude a crescer e avançar economicamente.

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Finanças, Política
Os efeitos positivos da PEC 241 na economia
14 de outubro de 2016 at 17:24 0

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A PEC que limita os gastos públicos no teto da inflação e sua aprovação foi, sem dúvida, a notícia mais recorrente nos últimos dias. A discussão sobre assunto tomou grandes proporções uma vez que praticamente todos os setores do governo e da economia se posicionaram contra ou a favor e atraíram a atenção para o assunto até mesmo de pessoas que não dominam a matéria econômica.

É preciso ter um olhar macro sobre a situação. A relevância da PEC do Teto, como foi apelidada, reside em fortalecer a percepção dos investidores de que o Brasil é capaz de conter seus gastos e não ficar à deriva, em rota de colisão com um dívida pública incontrolável.

Divulgar informações fora do contexto faz com que a opinião pública tenha uma compreensão equivocada dos fatos, especialmente no que diz respeito ao comprometimento dos investimentos sociais, como saúde e educação. Antes de mais nada é preciso ter em mente que o orçamento brasileiro é muito amplo e é possível remanejar as prioridades em setores tão relevantes e que merecem atenção especial, como estes.

Acredito que o maior trunfo que a PEC 241 pode proporcionar neste momento é recuperar a confiança dos mercados em geral. Esta confiança traz de volta os investimentos, tanto nacionais quanto estrangeiros, além de um maior entendimento sobre o governo do Presidente Michel Temer, que aparenta ter por base e ponto central o compromisso político com a economia, fazendo as coisas voltarem ao rumo, ou seja, fazendo uma gestão financeira e econômica responsável. Não resta outro caminho para a consolidação de seu governo e aceitação popular. Não será uma campanha de marketing ou reposicionamento de imagem que fará com que a população esqueça o desgaste sofrido pela atual administração durante processo de impeachment.

O grande desafio ainda será mostrar ao país que um mínimo de organização fiscal sera benéfica para todos, inclusive para ampliar os benefícios sociais que são demandados pela população. Superar esta etapa será decisivo no sucesso ou não dessas reformas.

Com aprovação desta PEC o caminho está aberto para a redução de juros. A volta gradativa dos juros a patamares aceitáveis beneficia todos os setores econômicos e, em especial, a produção de modo geral e o mercado imobiliário, que se beneficiam e voltam a ter condições mínimas de juros compatível com a curva do setor.

O movimento natural de uma melhora econômica passa primeiramente pelo mercado de capitais, que antecipa os movimentos futuros da economia real. Poderemos ver nos próximos meses uma recuperação real nas atividades produtivas.

O ministro da economia Henrique Meirelles, assim como o presidente, sabem que tudo começa com o ajuste nos gastos e apostaram pesado na aprovação da PEC 241. Aparentemente, ao obter sucesso nesta jogada, abriu-se caminho para que outros desafios econômicos e políticos estejam brevemente na agenda das reformas, sendo que a mais relevante será a da Previdência Social - sem dúvida um outro enorme desafio.

Duas questões também em pauta se destacaram pela sua importância no período. Dada a relevância da Petrobrás para o país, a aprovação do fim da participação compulsória da empresa na exploração do pré-sal dá oportunidade para que outros players do setor façam esses investimentos. O valor de mercado das ações praticamente triplicou e voltou ao patamar de 220 bilhões, muito em função da percepção de uma gestão mais transparente e mais independente, já que todos sabem da importância social da empresa e esta também sabe que tem contas a prestar aos acionistas.

Também a  possível mudança na lei de repatriação de Recursos (PL 2.617/15) fazendo correções mais inteligentes e possivelmente arrecadando mais, deve entrar em breve na pauta do Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez um esforço no sentido de que todos possam se aproveitar do beneficio de ter uma arrecadação mais robusta e que beneficie toda sociedade, uma vez que essa medida proporciona a possibilidade de diminuir a necessidade de aumentar impostos. Concretamente esta é a única variável de curto prazo que pode ser traduzida em arrecadação direta no curtíssimo prazo.

Não se trata de justiça social, mas sim efeito caixa, já que temos um déficit gigante. Simplesmente poderemos diminuir, com esta conta, o que pode chegar a ser R$ 15 bi a R$50 bi, dependendo da segurança jurídica que dará aos beneficiados. Caso se concretize, ajudará a resolver problemas dos estados da União e melhorar a nossa conta corrente.

Acredito que temos uma janela aberta, que nos traz esperança de podermos voltar a crescer mesmo que timidamente e com os enormes desafios e adversidades a serem superados.

A PEC 241 não é a solução no presente, mas sem dúvida é a solução para o futuro do país nos próximos 20 anos.

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
2016: um ano cheio de desafios
29 de dezembro de 2015 at 14:47 0

Feliz 2016

Feliz ano novo! É essa a expectativa tradicional de um ano vindouro sempre melhor do que o que passou. O ser humano é crédulo e se mantém vivo e forte pela esperança: sem ela já estaríamos mortos.

Mas, na nossa realidade, sem dúvida, o ano de 2016 será duro e difícil para todos os cidadãos brasileiros em todos os níveis sociais: pobres, dependentes do Bolsa Família, os da classe média, ricos, empreendedores, investidores. Todos, sem exceção, terão de trabalhar mais para preservar as conquistas importantes de toda uma década e que agora começam a escapar de nosso controle.

O primeiro desafio será o combate ao desemprego, que tende a crescer fortemente já no primeiro semestre e afetará toda a cadeia de consumo. Nos negócios em geral, deverá haver uma busca incansável por maior produtividade, através de redução de custos nas empresas e profissionais mais qualificados, dado que haverá grande oferta desse tipo de mão de obra no mercado.

Outro grande desafio será o controle da inflação, apesar do ambiente desfavorável em que teremos de trabalhar, com juros altos, consumo reduzido, repasses de câmbio e juros e aumentos de impostos para toda a cadeia produtiva até o consumidor final.

A fórmula de sobrevivência é simples: primeiramente redução de custos; depois,  aumento de produtividade via terceirização para reduzir a carga tributária, mais tecnologia, menos preocupação com aumento de market share, maior repasse de margem de lucro em uma economia que vai encolher pelo menos 8% acumulados no período 2015/2016.

A parte boa para o empreendedor será a via da exportação, beneficiada pelo câmbio e um mercado interno relativamente fechado pela cunha fiscal. Além disso, temos os preços administrados e contratos indexados de serviços, que fazem com que tenhamos pouca margem de manobra sobre a inflação.

O resumo disso tudo é parecido com um ônibus lotado que vem em alta velocidade e dá uma freada para evitar uma colisão. Já sabemos o que acontece: muita gente cai, alguns se machucam e os mais fortes se agarram onde podem e sobrevivem à freada.

Essa analogia é a simplificação de uma economia alavancada por empréstimos e alongamento de prazos e múltiplos de EBITDA de primeiro mundo em que teremos de fazer um ajuste para um ambiente moderado e recessivo, sem o apoio dos bancos governamentais, que terão de conviver com o custo maior da inadimplência.

Esses desafios serão parte do que já conhecemos, mas ainda existem as variáveis desconhecidas, que sempre podem impactar a vida das pessoas, como, por exemplo, o advento da Lava à Jato que, com a prisão de André Esteves, seu presidente, quase implicou a destruição de valor do BTG Pactual e, sem dúvida, gerou ainda maior perda de valor para o mercado, já que se trata do maior Banco de Investimento da América Latina.

Um ponto que se deve considerar é a manutenção do sistema financeiro num ambiente benigno, com seus principais participantes fortes e capitalizados, com um alto desenvolvimento bancário promovido pelo Banco Central no que se refere a um dos melhores sistemas de pagamento do mundo.

Em todas as economias que foram destruídas, seus principais bancos quebraram ou afugentaram os bancos estrangeiros através de governos populistas, como foi o caso de Argentina, Portugal e Grécia.

Quanto mais preservado for o sistema financeiro, mais forte e rápida será a retomada do crescimento, pois a economia é irrigada por esses agentes bancários. Esse é um ponto a favor do Brasil.

Tenho fé de que todos vão se preparar para a tempestade que pode vir, mas ela vai passar e o brasileiro, que sabe fazer isso, deve se  reinventar em todos os segmentos e níveis sociais. Nada ocorre em vão: vamos, pelo menos, ganhar mais consciência para escolher nossos governantes, pois é através do voto que faremos um país melhor sem nos deixarmos enganar por promessas fáceis e levianas. É com a qualificação do voto que chegaremos ao Olimpo.

Que todos tenham um feliz ano novo, cheio de esperança!

Saul Sabbá, Dezembro de 2015

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Política
O cenário político e econômico brasileiro atualmente
16 de novembro de 2015 at 18:31 0

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Para quem não teve a oportunidade de ler a entrevista com Paulo Guedes, na revista Época dessa semana, aconselho que o faça com bastante atenção. Em uma análise bastante realista do cenário político e econômico atual, Guedes analisa a tendência atual onde a política interfere diretamente na economia brasileira. Desde a redemocratização, os economistas que estiveram na posição de interferir e transformar a economia brasileira falharam em aproveitar as oportunidades e, diante de mais uma crise política, finalmente percebemos que há mais em jogo.

Neste momento é preciso ter a coragem de atacar o problema de frente. Cortar os gastos públicos, revisar políticas de juros, readaptar modelos de redistribuição de renda e fomentar o empresariado são alternativas que podem fazer com que a economia do país tenha condições de se fortalecer diante de crises que, todos sabemos, são cíclicas. A história demonstra que se apoiar na recessão para aprovar medidas que desestimulam o investidor não é uma opção viável. Não se sustenta mais esse modelo em que a medida para superar a crise é aumentar a arrecadação, onerando o contribuinte, sem fazer cortes na máquina pública.

Já pelo viés político, é uma surpresa que o PMDB tenha tido a coragem de abordar essa situação. O PSDB, historicamente a oposição ao governo atual, perdeu a chance de se posicionar, o que demonstra que a simbiose entre a política e a economia é maior do que imaginávamos. O PMDB, ao deixar claro seu posicionamento sobre como o poder público deve se posicionar diante desta crise em que atravessamos hoje, abre caminho para, mais uma vez, ser o protagonista das eleições de 2018.

Eu acredito no Brasil. Já vencemos outras crises, muitas ainda piores do que a que atravessamos hoje. Como diria Albert Einstein, no meio da crise, está a oportunidade. Nosso país vive hoje um momento único de poder reestruturar totalmente a base político-econômica sobre a qual fomos construídos. Só nos resta esperar e acreditar que, com a ajuda do Judiciário e do Congresso Nacional, essa restruturação seja o mais ética e beneficie a todos os brasileiros, igualmente.

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Política, Tecnologia
House of Cards e a realidade política brasileira
13 de novembro de 2015 at 16:58 0

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Com a crise política instalada e com a predominância fiscal como tema principal, a economia fica a reboque dos principais eventos políticos na guerra dos poderes. Ficou muito claro que as apostas para o mercado estão penduradas nos dois maiores protagonistas do poder, de um lado o presidente do Congresso e do outro lado a figura da Presidente.

Difícil pensar em algum tipo de acordo que agora possa ser costurado para que um dos dois permaneça no cenário das decisões. Com o conselho de ética pressionando o presidente da Câmara, o apoio estaria condicionado à abertura do impeachment - que seria a sustentação de Eduardo Cunha, mas como este precisa de tempo para alongar o processo de indefinição, vai trancando a pauta como pode nas decisões que impactam a economia ligadas às questões fiscais.

Assim, uma possível barganha com poder executivo em troca de uma saída honrosa, deixou cada vez mais difícil administrar a situação. Tanto, que o PSDB já se declarou a favor do expurgo do deputado presidente da casa, pois ficou à espera de uma definição do próprio Eduardo Cunha (que ficou vulnerável por ter alongado a decisão tentando ganhar tempo e uma brecha para negociar a sua situação), quanto a abertura do impeachment. Também pesou a opinião pública no que se refere a um posicionamento do PSDB como oposição, pois o tempo conspira contra todos.

Voltando ao mercado, o que temos de cenário provável? Os partidos de apoio ao Presidente da Câmara ficarão cada vez mais desconfortáveis caso não haja uma abertura imediata do processo de impeachment e tenderão a abandonar o Eduardo à própria sorte, como foi o caso do PSDB vendo que só quem ganha com o prolongamento da crise dos poderes são os próprios protagonistas.

Se de um lado o tempo esvazia o possível processo de impeachment, ao mesmo tempo a crise econômica se aprofunda, devido ao impasse das decisões sobre as pautas fiscais na câmara. E Eduardo Cunha tenta prolongar a indefinição porque sabe que virão outros escândalos da Lava Jato pela frente.

Um cenário alternativo seria a troca do Ministro Levy pelo ex Ministro Meirelles, que está sendo chamado de “Plano Lula”. Para assumir, Meirelles exige chefiar toda uma equipe econômica escolhida por ele. O que se comenta nos bastidores é que Lula teria o apoio de alguns setores econômicos e que, conduzindo essa troca, os mercados poderiam regir bem. As críticas a Levy se dão, principalmente, pela insistência na implementação da CPMF e aumento de impostos, sem atacar com consistência a redução da máquina do Estado.

Não acredito que essa mudança seja suficiente para a economia rodar novamente mas, sem dúvida, a percepção de uma mudança de equipe poderá dar a esperança de que seja melhor do que a atual. O Ministro Levy atua como Don Quixote e põe a cara no pedido dos ajustes fiscais através de aumento de impostos, como a CPMF. Os partidos PT e PMDB se preservam neste assunto, basta ver que o PMDB apresentou um programa econômico sem falar em aumento de impostos, deixando a entender claramente sua posição contrária. E deixam o desgaste para “Geni” (citando a música).

A grande vantagem atualmente é que não existe diagnóstico difícil para resolver o problema econômico e, por isso, a predominância fiscal já diz tudo, precisa acontecer tudo que ouvimos falar diariamente nos reports econômicos: cortes nas contas públicas, redução da máquina pública, reforma da Previdência e outros bla bla bla.

Mas o que prevalecerá no momento é a definição política, da medida de força entre os poderes da Câmara e da Presidência. Ou é um ou é outro, os dois não cabem juntos.

É House of Cards mesmo! Quem não viu o seriado da Netflix, deveria ver. A semelhança da ficção com a nossa atualidade política é imensa.

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Finanças, Investimentos, Política
Agora a Fitch 
15 de outubro de 2015 at 18:58 0

Fitch

A situação brasileira vem se agravando diante da inércia política e econômica. E assim, vemos mais uma agência de relevância mundial rebaixar a nota do Brasil de BBB para -BBB, que é o último degrau do Investment Grade e, pior, com perspectiva negativa.

Com a percepção de piora do ambiente macroeconômico e, consequentemente, com a deterioração da economia como um todo, possivelmente a agência Fitch será levada a, em breve espaço de tempo, reavaliar o rebaixamento do Brasil e a perda do grau de investimento.

Conforme já venho comentando em meus artigos, infelizmente o tempo está acabando para decisões paliativas, como arrumar os recursos de modo convincente para fechar o déficit orçamentário.

Ao contrário da nossa percepção, quando nenhum de nós quer aumento de impostos como o CPMF, o debate sobre o assunto está em todos os ambientes econômicos, com opiniões contrárias e a favor. O fato de que essa poderá ser uma das únicas possibilidades concretas de fechar as contas, cada vez mais estamos afunilando a nossa capacidade econômica de fazer qualquer coisa diferente no curto prazo.

A política que hoje traz a reboque a inércia da economia - até porque não se consegue fazer nenhuma reforma ou mudança significativa. Isso faz com que fiquemos em uma situação de "freezer completo" nas ações de mudança de rumo, ficando o país à deriva dos acontecimentos e variáveis imprevisíveis, tanto no campo político como no judiciário - como foi caso das liminares do STJ sobre o ritual do impeachment.

Assim, acredito que teremos pouca margem para mudança de rumo no curto prazo. Todos (Congresso, Senado e Presidência) estão lutando entre si para, no mínimo, terem sustentabilidade de poder, cada qual dentro da sua luta (seja para permanecerem no cargo ou até por uma saída honrosa). Estamos vendo um MMA político, mas nós é que poderemos tomar um nocaute.

Acho que podemos ter, como maior esperança e como saída, alguma ruptura de poder causado pelo ambiente financeiro, mas não mais pelo lado consensual ou consentido. O que quer dizer isto? É mais ou menos o acontecido com a Grécia, que foi forçada a consentir tudo que não queria e mais alguma coisa que não estava no cardápio (como a privatização), pois o governo que acabara de ser eleito e com suporte popular foi vencido quando o sistema bancário quase entrou em colapso. Aí o recém-eleito se submeteu a duras medidas impostas pelo sistema de governança regido pelas outras nações que compõem o grupo de sustentação e estabilidade da moeda.

É importante e relevante vermos neste exemplo da Grécia que nem sempre podemos fazer o que queremos, mas sim o que podemos fazer - principalmente em um ambiente tão globalizado como é o nosso.

Não temos um modelo exclusivo, nós vivemos dentro de um modelo global de dívida, PIB, orçamento fiscal e etc.  E é nele que as agências de rating se baseiam.

Enfim, sem fiscal e sem consenso político haverá inércia. Se nada se consumar, o ambiente econômico fará o seu trabalho por si só, como no caso da Grécia, e que acabará por ser uma aventura para todos nós.

Paciência acaba, mas esperança sempre há.

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Investimentos, Política
A Síria é aqui.
9 de outubro de 2015 at 18:05 1

violência

Sem dúvida é para ficarmos chocados com o nível de violência urbana que temos visto em várias cidades brasileiras. Mas algumas têm maior impacto midiático em função da sua relevância, como é o caso do Rio de Janeiro.

Na última semana tivemos mais um evento de violência gratuita, protagonizado por um casal de empresários do setor de turismo que conhecem as nuances da cidade, mas ainda assim foram enganados pelo sistema de GPS, porque houve situação de homônimo de ruas. Um mês antes já havia acontecido o mesmo com uma artista da Globo que caiu na mesma armadilha. E olhem que não estamos falando de pessoas que não conhecem o RJ, são pessoas com o mesmo grau de conhecimento da cidade e assim devemos rezar pelos turistas que, porventura, se aventurem a saírem andando por aí sozinhos, pois não existe nenhuma orientação indicando o grau de risco que eles correm andando pelas favelas ou bairros conhecidamente perigosos.

O absurdo destas situações é tão grande que não dá para aliviar as autoridades responsáveis de sua incapacidade em administração pública, neste quesito de segurança pública. Já é conhecido por todos que nós convivemos que temos um regime de impostos municipais e estaduais de primeiro mundo, mas com situação semelhante à de países do Oriente Médio. Se você entra por engano em uma via de favela e é metralhado, como aconteceu nestes dois casos, acredito que a Síria é aqui.

A situação é esta: pagamos impostos de primeiro mundo e recebemos serviços de quinto mundo pois a segurança inexiste. É facada em ciclista, arrastões generalizados nas praias, roubos de celulares e relógios, roubo com armas em semáforos e muito mais. Lembrem-se que não temos luta de classes, nem religiosas ou mesmo por terra, como acontece nas zonas de conflito. É Chicago mesmo, nos bons tempos da lei seca americana em que os bandidos tomaram conta da cidade. As autoridades poderiam fazer mais do que se solidarizar com as vítimas, pois arrecadar impostos é o primeiro fator de obrigação do governo para utilização nos serviços prioritários. Será que segurança nunca será prioritário? Tivemos uma falsa impressão de que tínhamos controlado a situação com a criação da UPPs, um grande engano!

Qual o trabalho e custo que um governo sério e preocupado com a segurança teria de melhorar a sinalização, mostrando onde as pessoas podem ou não podem ir como uma sinalização de perigo real do banditismo? A hipocrisia mostrada para a sociedade de que as favelas são bonitas e legais nas novelas, com uma vida feliz, é mais outra grande mentira consentida pela sociedade, que não mostra a realidade da pobreza, a falta de saneamento e o risco de vida para os moradores (com as chuvas, por exemplo). Mas continuamos a ter uma aparência de que todos são felizes.

Quando o Estado se ausenta, a bandidagem ocupa o espaço do Estado. Mas para sociedade como um todo, a situação é de consentimento consensual pois temos nos acomodado além do racional, do “por que se incomodar?”.

Para os políticos é mais fácil não olhar ao redor do problema, que de uma forma ou outra acaba explodindo, em vez de terem uma proposta honesta e efetiva para um dos maiores problemas nacionais que é a violência urbana. Aqui no Brasil morre mais gente por causa dela do que em zona de conflito do Oriente Médio.

O RJ, em especial, deveria ter esse cuidado redobrado pois a sua grande vertente econômica não voltará por um bom tempo: o petróleo. A Petrobras não se aguenta sozinha com seus problemas de investimentos para resolver, assim acredito que precisamos de uma nova vocação para a nossa cidade e, agora, a grande oportunidade serão as Olimpíadas, pois o Porto Maravilha estará pronto, podendo ser um grande receptivo de turismo. Isso dará uma nova chance à cidade de se reinventar, mas precisamos implementar.

Para isso precisamos implantar a tolerância zero, como foi feito em outras grandes cidades como NY. É difícil? É. Mas precisamos, no mínimo, de consciência social das autoridades e da população de que a violência urbana já é o nosso maior mal e pode engolir o cidadão no seu direito mais básico que é o de ir e vir, além de afetar os investimentos e melhorias progressivas das nossas cidades.

A violência no Brasil não é segredo e nem novidade. Em maio deste ano, a UNESCO divulgou o Mapa da Violência/2015, que diz que 42.416 pessoas morreram em 2012 vítimas de arma de fogo no Brasil, o equivalente a 116 óbitos por dia. As mortes por homicídio representam mais de 94%. Estes dados são coletados desde 1980 e este ano é o maior em número de mortes registradas desde o início da série histórica, tanto que a UNESCO decidiu desmembrar e fazer um relatório especifico sobre mortes com arma de fogo. O resultado é ainda mais aterrador quando percebemos que 59% dessas mortes ocorrem entre brasileiros na faixa entre os 15 e 29 anos. O número é 463,6% maior desde que este dado foi registrado pela primeira vez. Sem a necessidade de uma análise mais profunda, está claro que faltam políticas públicas para que essa parcela da sociedade não morra por algo que pode ser evitado.

 O que mais se ouve é: “vou me mudar para Miami”. É o começo do fim.

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
Agenda apertada
30 de setembro de 2015 at 18:57 0

agenda apertada

A desarrumação na economia, pela alta abrupta do câmbio em curto espaço de tempo, vai trazendo consequências por parte, principalmente, do endividamento das empresas que tomaram recursos através de corporate bonds, fazendo com que as mesmas tentem a recomposição de caixa para fazer frente ao aumento dos encargos da dívida.

A Petrobras anunciou o aumento dos combustíveis com este objetivo, pois é uma das empresas mais endividadas do mundo e ela precisa de recomposição de caixa. Fala-se em 6.5 bilhões! Sem dúvida o mercado gostou, pois além de dar uma clara sinalização de certa autonomia operacional, apesar de inflacionário esse aumento, se tem a percepção de que não deverá impactar tanto nos repasses, pela fraca demanda.

Até nisso temos uma situação esdrúxula, pois o petróleo está nos níveis mais baixos no mundo e mesmo assim precisamos aumentar o preço internamente. Este é um dos efeitos da alta do dólar sobre o endividamento, que acaba sendo do descolamento de preços das commodities pela necessidade de caixa. Neste ponto poucos poderiam fazer o mesmo, pois a concorrência atuaria como regulador de preço. Enfim, é o que temos de melhor.

Continuo apostando no tema que citei outro dia no artigo "remédio amargo", que é a questão da CPMF que acabará passando no Congresso pela goela abaixo, pois o tempo é curto e não existe outra proposta na mesa para fechar as contas do orçamento.

Além do mais, na situação atual, acredito que nem um outro governo (caso viesse) teria tempo para implementar alguma medida de eficácia real. Basta ver que o ministro Levy não muda a conversa na sua peregrinação, afirmando que este é o plano A e o B e o C. É o que tem na mesa, pois de fato corte de custo tem uma dificuldade maior. Sabemos que precisa de um prazo maior para implementação, além de cortes sempre poderem ser contestados juridicamente pelas classes que não querem perder seus direitos. Pode ser que eu me engane, mas daqui a pouco a grande maioria aceitará o CPMF como um mal menor e não como o maior.

Além disso, a redistribuição de cargos nos Ministérios para o PMDB passa a sensação de que a presidenta se fortalece contra o cenário de impeachment, pois essa questão está justamente nas mãos do PMDB. Assim, também a substituição do Ministério da Casa Civil, é uma demanda de parte do PMDB e do próprio ex presidente Lula por um político de maior aceitação pelo PMDB. A agenda política e econômica está bem apertada para o Executivo, pois corre contra o relógio inclusive para mostrar uma sinalização ao mercado de que a crise está sendo administrada ativa e não passivamente, pois ainda tem as agências de risco rondando os novos rebaixamentos de risco.

Esses próximos dias serão cruciais para a agenda política econômica que pode vir marcada por novas surpresas. Quem sabe a luz no final do túnel não seja um trem na contramão.

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Câmbio, Política
Até onde vai o stress do dólar?
24 de setembro de 2015 at 17:32 0
dólar

A pergunta recorrente em todos os lugares que tenho frequentado é: a que preço vai o dólar? Realmente não é uma tarefa fácil prever a situação da moeda americana, mas alguns esclarecimentos poderão ajudar os amigos a parametrizar a situação da moeda:

Tecnicamente não há mais paridade alguma, pois saímos do campo econômico para o político e vice-versa. E aí as variáveis são as mais diversas. Para quem sabe e já passou momentos de crises cambiais e econômicas no stress, é jogar a máquina de calcular fora e transformar em feeling e interpretação dos momentos políticos e econômicos.

Adicionado ao stress do dólar, vem a corrida para qualquer operação cambial ficar atrelada a um hedge da moeda. Hoje importamos um volume considerável e acredito que o bom senso dos importadores fará um hedge, pois a volatilidade e a incerteza econômica poderão comer a margem dessas empresas.

O overshooting que estamos assistindo, sem dúvida, é uma somatória de tudo isso:

  • Hedge cambial para cobrir exposição de dívida em dólar;
  • Ajuste de mercado derivativo de Fundos;
  • Proteção patrimonial pelas grandes tesourarias de Bancos e grandes grupos com negócio no Brasil;
  • Aposta contra alguma solução política e econômica no curto prazo.

E por aí vai... tudo isso, misturado com o medo de não ter solução a curto prazo, faz com que o dólar caminhe para o céu e qualquer número é válido: R$ 4,50, R$ 5,00, tudo pode.

Como falei no artigo "Reflexões de um feriado", o dólar vai acabar impactando fortemente nos juros e consequentemente nas previsões de inflação.

O que pode conter esta crise cambial? A saída é simples: ela se chama "credibilidade", mas ao mesmo tempo está longe de ser alcançada, pois somente com ruptura política é que poderemos enxergar uma luz no fim do túnel. Os poderes estão, de certa forma, contaminados pelo ambiente da Operação Lava Jato e dificilmente cederão à tentação de deixar a crise esfriar, porque assim acabam se protegendo dentro do conceito de que “o mal maior abafa o mal menor” e o grau de aceitação dos delitos acabam sendo atenuados. Sempre foi assim.

Também estamos assistindo ao "mais do mesmo": loteamento de Ministério para compra de votos. A nossa presidente poderia apostar em uma melhor escolha, a nível mais técnico, como forma de mostrar que quer uma mudança verdadeira e não um apoio incondicional de alas do Congresso. Este é o ponto central, a palavra "credibilidade " está comprometida por completo.

A frase do dia para o toma-lá-dá-cá é: mais do mesmo.

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