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Finanças, Política
Os mercados e a eleição presidencial brasileira
14 de maio de 2018 at 16:00 0

Os mercados dão sinais claros que os tempos fáceis acabaram. Daqui para frente o grau de incerteza tende a aumentar consideravelmente, o que elevará a volatilidade consequentemente.

Pressionado por vários motivos e variáveis que poderão impactar em seu preço, o dólar americano já deu a cara de como vai começar a se comportar. A cotação do dólar oscila por diversos motivos, como as variáveis externas que fogem ao controle brasileiro. É o que está acontecendo atualmente já que a política de Donald Trump tem afetado as economias emergentes.

Uma das promessas de Donald Trump foi valorizar a indústria americana. Com isso, políticas protecionistas foram implantadas nos EUA, o que certamente tem contribuído para o aquecimento da economia norte-americana. Pesa também a redução de impostos corporativos com maior controle da inflação, o que consequentemente gera maior expectativa no aumento da taxa de juro americana. Estes fatores por si só já têm capacidade de apreciar o dólar, consequentemente desvalorizando as moedas emergentes.

Uma das economias que têm sofrido com isso é a argentina, nem tanto pelo efeito externo, mas pela anemia de sua economia, combalida desde os anos 2000. Ajustes fiscais e econômicos foram feitos na Argentina, mas muito ainda precisa ser feito para que os hermanos consigam sair da armadilha inflacionária. Para se ter uma ideia, a expectativa de inflação oficial foi revista de 15% para quase 25% a.a, e a taxa de juros que aqui no Brasil está em 6,25% foi a 40% na Argentina.

Diferentemente do Brasil, a Argentina não possui uma grande reserva cambial que sirva de firewall aos ataques especulativos. Isso fez com que os argentinos pedissem um empréstimo de mais de US$ 30 bilhões ao FMI, contrariando uma promessa de campanha do presidente Mauricio Macri. Além da Argentina, Turquia, Rússia e Brasil agora sofrem com a desvalorização de suas moedas em um efeito que se estenderá por todos os emergentes. O grau de impacto deverá variar de acordo com a confiança externa e a solidez de cada nação. 

O mercado está otimista em relação ao Brasil, e isso me preocupa. Embora com taxa de juro historicamente baixa e inflação no piso, não podemos imaginar um cenário onde o Brasil volte a surfar em céu de brigadeiro, como foi durante a crise global de 2008. Qualquer análise deve sempre levar em conta o cenário interno, mais especificamente o eleitoral, que certamente impactará a economia a depender do eleito e da base partidária que o acompanhará.

Dentre os candidatos viáveis, podemos traçar as seguintes hipóteses:

Uma vitória da centro-direita com Alckmin, Álvaro Dias, Flávio Rocha ou Henrique Meirelles trará poucas mudanças na política econômica. Neste caso teremos uma manutenção do cenário financeiro, com dólar abaixo dos parâmetros já antes da eleição e juros no patamar atual. Isso se deve à crença do mercado na manutenção das reformas econômicas, o que segurará o dólar estável, juro baixo e bolsa em alta.

Caso a centro-esquerda vença com Ciro Gomes, um candidato do PT ou Marina Silva, que se posiciona um pouco mais ao centro, teremos maior indefinição econômica. A tendência pela suspensão das reformas e incerteza de cenários pressionará o dólar que, com a taxa de juro indefinida, fará com que a bolsa entre em queda.

Candidato de extrema-direita líder das pesquisas atuais, Jair Bolsonaro fará os mercados reagirem com bastante volatilidade em caso de vitória. Tudo dependerá da equipe econômica escolhida por ele e qual base eleitoral sustentará seu governo na Câmara e no Senado. Assim como Ciro Gomes, Bolsonaro será questionado pelo mercado por suas políticas na economia e na área social. Neste caso, o dólar deverá extrapolar os preços habituais e o juro deverá subir ligeiramente, em uma tentativa de segurar a especulação no dólar.

Levando todas essas alternativas em consideração, caso tivesse que decidir hoje por um curso de ação eu ficaria fora da bolsa, neutro na questão do juro, ou levemente comprado, e com maior posicionamento no dólar. Não é possível avaliar um cenário de curto prazo com grandes ou pequenos ganhos na compra em bolsa ou juros.

Há pouco para se ganhar e muito para se perder, apesar dos fundamentos financeiros do Brasil ainda estarem estáveis.

E lembre-se do velho ditado, eu sou você amanhã, hermano.

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Juros
O impacto dos juros no mercado imobiliário
9 de janeiro de 2017 at 15:13 0

2017-01-09-linkedin-saulsCom a fábrica de crise funcionando em três turnos, o Brasil incorpora já há algum tempo sustos sobre o futuro politico. De positivo neste contexto de incertezas: a inflação e a taxa de juros. Há a percepção de queda da inflação já em 2016, com a conversão para os 6,5% da banda superior da meta projetada pelo BC. Para o ano que vem o Banco Central buscará os 4,5%. As projeções dos juros para o fim de 2017, conforme dados de alguns agentes econômicos, apontam para algo em torno de 10% no final do ano, mas não fiquem surpresos se a SELIC chegar a até mesmo um dígito. Essa movimentação do Copom movimentará o mercado imobiliário brasileiro.

O impacto dos juros no mercado imobiliário é equivalente ao cambio para as empresas exportadoras. Quando o governo muda a taxa de juros básica, ele reorganiza o setor e faz com que os agentes financeiros retomem o crédito. É importante lembrar que a poupança, o principal fomento do setor, é calculada a partir da TR, a chamada Taxa Referencial, que foi criada no governo Collor para, como o próprio nome diz, servir de referência para a composição das taxas de juros, principalmente do sistema imobiliário.

Uma breve análise do impacto de redução de juros permite destacar os seguintes pontos:

  • A caderneta de poupança tem juros rígidos, estabelecidos em TR + 6% ao ano. Com o déficit do balanço da poupança em mais de 100 bilhões ao longo de 3 anos, o setor de crédito ficou bastante restritivo.
  • A queda dos juros em cada ponto percentual se aproxima mais da curva da poupança, que é o rendimento da caderneta. A curva atualmente está em TR + 6% ao ano. O impacto do déficit tende a diminuir e a reequilibrar o setor, além de diminuir a distância das taxas de outros ativos. O Copom, já agora em janeiro, deverá refletir a direção da queda contínua dos juros salvo alguma mudança no cenário doméstico.
  • O sistema de crédito imobiliário tem sua formação inicial baseada no tripé dos juros adequados, inflação controlada e prazos longos. Os bancos ligados ao sistema de habitação chegam a financiar em até 30 anos. Isso faz com que cada ponto percentual na Selic seja muito significativo no cunho de formação do custo de capital de toda a cadeia. O crédito de longo prazo é importantíssimo na formação da liquidez do sistema imobiliário. Por exemplo, quando a prestação converge com os aluguéis de residências ou mesmo comerciais, a parcela encaixa no bolso. Em consequência, o mercado de compra de imóvel melhora sua liquidez e impacta na demanda por imóveis.

Hoje a crise do mercado imobiliário é formada pela baixa capacidade dos consumidores em manter a pontualidade dos pagamentos, o alto endividamento das pessoas físicas e jurídicas e o crescente desemprego. Some a isso a queda de confiança na economia e na política.

A crise explodiu com o distrato de contratos, que drenou o caixa da maior parte das incorporadoras. Essa devolução de imóveis nunca esteve nos planos, e hoje gera crise de grandes estoques nas imobiliárias, que combinado com a falta de demanda e crédito cria uma situação delicada. A recuperação do setor depende do escoamento desse estoque imobiliário, pois só depois da devolução dos ativos ao mercado é que o setor deverá voltar à sua plenitude.

Problema para uns, oportunidades para outros, já que esse overstocking pode ser atraente para investidores especulativos, assim como foi nos EUA ou mesmo na Europa, quando os preços caíram firmemente. Basta acompanhar os preços de leilões de imóveis, onde se registra uma queda de até 50% dos preços anteriormente lançados. Se traçarmos o cenário em curso, poderemos ter um movimento gradual de retomada do crédito e dilatação dos prazos, e, consequentemente, uma melhor precificação dos ativos imobiliários. Ainda assim, há oportunidades para investidores: alocar capital em 2017 em operações na compra de bons ativos, a preços ainda bastante convidativos.

Há aspectos parecidos na crise tupiniquim e estadunidense, como o endividamento dos consumidores e a confiança econômica. Foram necessários três anos para que a economia americana voltasse a uma certa estabilidade, atingida em parte pelo escoamento do estoque de ativos imobiliários e pela melhora nas condições de crédito. As grandes construtoras de obras públicas, também atoladas de ativos como estradas, aeroportos e derivados, precisam esvaziar seus estoques para voltar aos canteiros. Somente com isso é que haverá geração de novos empregos, tanto nessas empresas quanto na cadeia produtiva. Esse esvaziamento motivou o BC americano e os europeus a atuarem fortemente na compra dos chamados ativos tóxicos, destravando assim o setor como um todo.

Uma saída para desatar esse nó górdio econômico seria, por exemplo, a criação de linhas pelo BNDES ou BC para agentes financeiros. Isso permitirá a capitalização de operações estruturadas com garantias imobiliárias, que retirariam parte destes estoques das incorporadoras. Isso aceleraria a recuperação da atividade das construtoras, já que apenas a redução dos juros não resolverá por si só os distratos. De qualquer forma, as últimas medidas do governo já são um alento. A aprovação da PEC permite vislumbrar de forma clara o controle do orçamento público.

Como se diz, nada se inventa e tudo se copia, e o modelo americano é um bom parâmetro. Se quisermos realmente acelerar a volta da retomada do crescimento, já temos uma cartilha base: girar o estoque com linhas de crédito específicas sem juros subsidiado, via agentes bancários ou operações estruturadas, diminuindo assim o peso destes ativos e abrindo espaço para novos investimentos.

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Outros assuntos, Política
Desigualdade de gênero no mercado de trabalho
8 de dezembro de 2016 at 09:58 0

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O tema da desigualdade de gênero no mercado de trabalho é espinhoso não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Desde países onde a economia está mais avançada aos mais pobres, a diferença no tratamento das mulheres em relação aos homens é uma questão que deve ser debatida com atenção especial. A economia mundial agradece, eu explico por que.

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do Brasil, Pnad, mostrou que as mulheres são 51,4% da população e respondem pelo sustento de 37,3% das famílias. O IBGE estima que elas ainda têm, em média, cinco horas semanais de trabalho a mais - e não contabilizadas - que os homens, referentes aos trabalhos domésticos. Mesmo assim, ganham menos que os homens e ocupam menos posições de chefia (apenas 7,4%, segundo a FGV).

Se continuarmos no mesmo ritmo, estima-se que as coisas ainda demorarão muito a mudar: os salários só serão os mesmos em 2085. Apenas em 2213 teremos 51% de altas executivas, a mesma proporção de mulheres na população em geral. Na política, as vagas serão proporcionais em 2083 no Senado, em 2160 nas Câmaras Municipais e 2254 na Câmara dos Deputados.

Mesmo em países mais avançados existe essa discrepância. Os EUA estimam que ainda demora 40 anos para uma taxa de ocupação igualitária em altos cargos executivos. Para um efeito mais imediato, Suécia e França estipularam cotas em conselhos e o Reino Unido fez uma grande campanha para que governo e corporações firmassem compromissos públicos.

Essa desigualdade cobra um alto preço. As mulheres tomam a maior parte das decisões no orçamento doméstico, logo, é natural que um orçamento maior e mais independência reflitam diretamente em toda a economia do país. Além da correlação entre o PIB e a igualdade salarial, a qualidade dos gastos melhora, uma vez que os investimentos preferencialmente escolhidos por elas são na área de saúde, educação, segurança e bem-estar.

Horários flexíveis, ampliação na rede de cuidados infantis (berçários, creches, escolas de tempo integral) e ações no sentido de qualificá-las para o empreendedorismo são algumas medidas que podem valorizar e promover maior presença das mulheres no mercado, além de beneficiarem todos os colaboradores. Proporcionar a construção dessas carreiras é uma das metas do Fórum Econômico Mundial. É interessante ver como esse ingresso no mercado modifica a qualidade do ambiente de trabalho e de toda a sociedade.

Já o mercado financeiro é uma área muito competitiva. Para as mulheres, especificamente, construir uma carreira nesse meio é questão de talento e também oportunidade. Tenho orgulho de ser CEO de uma empresa que conta com mais de 40% dos cargos de chefia ocupados por mulheres e seria demagogo da minha parte não utilizar esse conhecimento.

Nosso segmento privilegia a performance e consistência na execução de processos, portanto a capacitação e inteligência corporativa colocam essas mulheres em posição privilegiada, com mais poder do que imaginamos. Elas vêm conquistando cada vez mais espaço nas corporações e no mercado de trabalho como um todo. Ainda bem!

Há muito o que melhorar nesse sentido. A BM&FBovespa divulgou em novembro a 12ª carteira do ISE e apenas 50% das empresas conta com uma ou mais mulheres participando efetivamente em seus Conselhos de Administração – número menor que em 2015. Devemos, entretanto, destacar que 81% das empresas do índice acredita que é importante alcançar a igualdade de gênero.

O tema, felizmente, avançou do discurso social para o campo econômico e, como sabemos, o dinheiro fala alto. Investir nas líderes é mais do que usar o discurso feminista, é abrir caminho para uma gestão que beneficie a todos igualmente, gere lucros e melhore a reputação da empresa. Apostem nisso!

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Bolsa, Investimentos, Política
Fusões e negócios com estrangeiros disparam no Brasil em crise
27 de novembro de 2015 at 13:42 0

fusões e negócios

O dólar alto tem atraído para o Brasil investidores estrangeiros que enxergam, em meio à instabilidade política e econômica, uma oportunidade de obter rendimentos. Aparentemente as empresas estrangeiras estão apostando mais no Brasil do que as nacionais, como falei no meu artigo anterior sobre investidores estrangeiros que desembarcam no país atraídos pelo dólar.

Segundo a Pricewaterhouse, desde o ano 2000, é a primeira vez que as empresas internacionais fazem mais negócios com o país do que as locais. Basta vermos o número de grandes fusões que aconteceram ultimamente, como por exemplo a Coty que comprou a Hypermarcas. A Price diz que em 2015, já foram fechados por estrangeiros 285 negócios de fusões e aquisições no Brasil, o que significa 5% a mais do que 2014. Já os negócios brasileiros representam 26% a menos do que no mesmo período do ano passado, sendo 275 negócios neste ano.

O que preocupa é que este ano foi péssimo para o mercado de capitais em geral. Aqui dentro as nossas empresas têm sentido o forte impacto da inflação e da instabilidade econômica, enquanto – apesar do entusiasmo – os investidores estrangeiros foram impactados com a nossa perda de grau de investimento pelas agências de rating, a economia chinesa e a perspectiva de alta dos juros americanos.

A queda nos negócios este ano, representam 35% em relação ao ano passado. A Bovespa, a BM&F estão trabalhando com um volume inferior. O pior desempenho desde 2008, quando a crise internacional estava no auge. Todas as transações foram afetadas, incluindo renda fixa, debêntures, CRIs e FIDCs.

O que podemos ver é que foram feitas mudanças para fortalecer o mercado de capitais, que tem sido uma alternativa de crédito para empresas. Mas ainda a maior fonte de renda para empresas abertas tem sido o mercado internacional. E temos agora a padronização das debêntures, que podem ser uma saída, com maior liquidez.

A aquisição da Alpargatas pelo grupo J&F na segunda-feira por R$ 2.6 bilhões mostra que o mercado nacional ainda se movimenta, mas para quem acostumou a ver empresas brasileiras em constante expansão interna e externa, como a compra do Burger King ou da Budweiser, o momento atual é de angustia.

Os boatos de que mais uma agencia reduzirá o rating nacional contrastam com as expectativas de que o Brasil saia da recessão na metade do ano que vem. Como eu já disse antes, ao investidor sábio e preparado resta uma única estratégia: esperar e observar com calma, para não ser pego desprevenido e ficar atento para fazer bons negócios que aparecerem.

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
Agenda apertada
30 de setembro de 2015 at 18:57 0

agenda apertada

A desarrumação na economia, pela alta abrupta do câmbio em curto espaço de tempo, vai trazendo consequências por parte, principalmente, do endividamento das empresas que tomaram recursos através de corporate bonds, fazendo com que as mesmas tentem a recomposição de caixa para fazer frente ao aumento dos encargos da dívida.

A Petrobras anunciou o aumento dos combustíveis com este objetivo, pois é uma das empresas mais endividadas do mundo e ela precisa de recomposição de caixa. Fala-se em 6.5 bilhões! Sem dúvida o mercado gostou, pois além de dar uma clara sinalização de certa autonomia operacional, apesar de inflacionário esse aumento, se tem a percepção de que não deverá impactar tanto nos repasses, pela fraca demanda.

Até nisso temos uma situação esdrúxula, pois o petróleo está nos níveis mais baixos no mundo e mesmo assim precisamos aumentar o preço internamente. Este é um dos efeitos da alta do dólar sobre o endividamento, que acaba sendo do descolamento de preços das commodities pela necessidade de caixa. Neste ponto poucos poderiam fazer o mesmo, pois a concorrência atuaria como regulador de preço. Enfim, é o que temos de melhor.

Continuo apostando no tema que citei outro dia no artigo "remédio amargo", que é a questão da CPMF que acabará passando no Congresso pela goela abaixo, pois o tempo é curto e não existe outra proposta na mesa para fechar as contas do orçamento.

Além do mais, na situação atual, acredito que nem um outro governo (caso viesse) teria tempo para implementar alguma medida de eficácia real. Basta ver que o ministro Levy não muda a conversa na sua peregrinação, afirmando que este é o plano A e o B e o C. É o que tem na mesa, pois de fato corte de custo tem uma dificuldade maior. Sabemos que precisa de um prazo maior para implementação, além de cortes sempre poderem ser contestados juridicamente pelas classes que não querem perder seus direitos. Pode ser que eu me engane, mas daqui a pouco a grande maioria aceitará o CPMF como um mal menor e não como o maior.

Além disso, a redistribuição de cargos nos Ministérios para o PMDB passa a sensação de que a presidenta se fortalece contra o cenário de impeachment, pois essa questão está justamente nas mãos do PMDB. Assim, também a substituição do Ministério da Casa Civil, é uma demanda de parte do PMDB e do próprio ex presidente Lula por um político de maior aceitação pelo PMDB. A agenda política e econômica está bem apertada para o Executivo, pois corre contra o relógio inclusive para mostrar uma sinalização ao mercado de que a crise está sendo administrada ativa e não passivamente, pois ainda tem as agências de risco rondando os novos rebaixamentos de risco.

Esses próximos dias serão cruciais para a agenda política econômica que pode vir marcada por novas surpresas. Quem sabe a luz no final do túnel não seja um trem na contramão.

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Câmbio, Juros, Política
Reflexões do feriado e a política econômica brasileira
8 de setembro de 2015 at 16:45 0
Reflexões do feriado: a política em deterioração

Reflexões do feriado: a política em deterioração

Algumas notícias e artigos me chamaram a atenção neste fim de semana de feriado prolongado. Obviamente todas citam o nosso momento econômico e político. Uma das que mais me chamou atenção foi um artigo no Estadão, cujo título é "A crise de Dilma vai a Turquia". O artigo, além de chamar a atenção para o momento político e econômico bastante complexo, cita alguns comentários na reunião do G-20, realizada em Ancara, cidade Turca. Vou relatar alguns trechos deste artigo, pois relata a nossa atual realidade, vista pelo lado de fora, dentro da análise do cenário global esboçado pelos economistas do FMI, como: "condições políticas em deterioração", "no Brasil, a fraca confiança de empresários e consumidores, no meio de condições políticas difíceis, e o necessário aperto da política macroeconômica devem enfraquecer a demanda interna, com o investimento caindo de forma particularmente rápida". O Brasil foi citado por todas as suas dificuldades que são momentâneas, mas maiores que de seus pares emergentes em função, principalmente, de "condições políticas e deterioração". Outra pequena matéria, que não me passou desapercebida, foi sobre uma pesquisa oculta feita com políticos do PMDB em que se constatou que 50% já apoiam o impeachment. O que significa isto? Cada vez mais temos a percepção de que hoje o PMDB é quem realmente vai dar as cartas para decidir o futuro da Presidenta Dilma. Além disso, a fala do vice Michel Temer sobre a inviabilidade de governabilidade com baixa popularidade, também noticiada durante todos os meios de comunicação, deixou claro que existe um possível movimento de desembarque. Meu entendimento é que o mesmo já se coloca como uma real via alternativa de transição pois, em tese, o Vice não deveria se posicionar em público. E não é só uma forma de mostrar insatisfação, mas sim de se posicionar diante do possível desenrolar das decisões de aprovações - ou não - das contas, que sairão nos próximos dias. Enfim, foi um feriado bastante movimentado. O aspecto de mercado que me chamou a atenção nessa semana: A persistente alta do dólar tem chamado a atenção, pois as tesourarias dos grandes bancos locais e estrangeiros começam a perceber que os sinais emitidos pelo Banco Central de que há tendência de queda das taxas de juros já não é a mesma percepção do mercado. O BC ofereceu  títulos federais na semana passada, em um leilão de taxas pré-fixadas, mas o mercado pediu um prêmio mais alto. Assim, o BC cancelou o leilão e já avisou que vai oferecer leilões de Swaps em dólar, para diminuir a volatilidade e manter a paridade mais equilibrada. Isto não é um bom sinal, pois as tesourarias já começam a pedir um prêmio alto na dívida local, dado o risco institucional e o Investment Grade em questão. O problema é que não conseguimos enxergar o que é o preço técnico do dólar, se é que tem. Tecnicamente pode ser R$ 4,00 ou R$ 4,50, depende do grau de   deterioração econômica e política que agora passam a andar de mãos dadas. Isso significa que não tem nada certo em relação ao dólar e juros. Os juros, que até então aparentavam calmos e já se esperava uma possível queda no primeiro trimestre de 2016 - o que parecia ser suficiente para manter a meta de inflação sob controle, começam a despertar desconfiança caso o dólar continue nessa escalada de preço. Somado a isso, o prêmio mais alto pedido pelo mercado é uma sinalização preocupante. A indefinição na área política e nos ajustes necessários para a contenção de um déficit minimamente aceitável, criam uma situação bastante incômoda para o BC controlar a corrida para o dólar. Pode ser que só vender Swap não seja suficiente para acalmar os agentes, que começam a duvidar do equilíbrio econômico e é aí que as coisas se complicam, pois isso vai demandar vendas spot do dólar e alta de juros. O mercado está assustado, transmite sua inquietação através de preços dos ativos e sabe que, se não tivermos rapidamente uma solução para o embrulho político/econômico, as coisas podem ir para caminhos bem mais difíceis de serem resolvidos. Então, só restará a política econômica ortodoxa, com juros altos e controle de câmbio, ocasionando a queima de reservas cambiais. Já vimos isso antes.
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Bolsa, Investimentos
Para Saul Sabbá, preço dos imóveis deve cair
5 de junho de 2015 at 09:32 0

sale-2-1232740-1279x850A redução do limite de financiamento para imóveis usados pela Caixa Econômica Federal deverá forçar para baixo os preços no mercado nacional. O banco, principal player do segmento no Brasil, baixou de 80% para 50% o teto do crédito concedido para a aquisição de ativos avaliados até R$ 750 mil. A Caixa é responsável por 70% dos financiamentos para a compra de imóveis no país.

A maior parte dos recursos destinados ao crédito imobiliário vem dos depósitos da Caderneta de Poupança, considerados uma fonte barata de captação.

Com o endurecimento das regras pela Caixa, o comprador que desejar financiar mais de 50% de sua compra terá que recorrer a outros bancos e pagará taxas mais salgadas pelos recursos – o que tende a reduzir a demanda por crédito e desaquecer as vendas.

Além do crédito mais caro, o cenário é de patamares de juros da economia elevados e inadequados para financiamentos de longo prazo. Somam-se a isso, o alto nível de vacância nos imóveis comerciais, em função da desaceleração econômica e do grande número de lançamentos das incorporadoras, e os elevados estoques imobiliários nas mãos das grandes e médias construtoras.

A combinação desses fatores gera descasamento entre oferta e procura, e já provoca a correção de preços, que está se cristalizando sob a alcunha de “venda forçada”.

Para se desfazer dos estoques e gerar caixa, as incorporadoras recorrem a descontos que já chegam a 30% - ou até mesmo 40% - em vendas feitas no atacado.

"Os preços têm uma correlação muito forte com a oferta de crédito. O ajuste já começou e poderá perdurar até que o ambiente macroeconômico do país comece a se desenhar de forma que inspire mais confiança, e traga o consumidor de volta para o lado da demanda”, diz Saul Sabbá, presidente do Banco Máxima.

Conheça mais sobre Saul Sabbá, presidente do Banco Máxima

Veja neste vídeo, um relato de Saul Sabbá sobre as tendências para o mercado em 2015

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