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Donald Trump

Finanças, Política
Os mercados e as eleições – Parte 2
6 de junho de 2018 at 10:53 0

Falei em meu último artigo sobre a volta da volatilidade aos mercados. Esperávamos um viés de baixa na bolsa, causado pelo momento externo americano e a situação eleitoral brasileira. Os preços não refletem a realidade do cenário externo e isso teria rescaldo em nossa economia.

Só que tudo foi antecipado pela greve dos caminhoneiros. É necessário cautela e poucos movimentos direcionais, pois a chance de se errar agora é maior. A cautela é necessária pois a volatilidade atrai o capital de maior teor especulativo, principalmente junto aos grandes players, ou quem tem apetite para assistir e digerir prejuízos com maior naturalidade.

Os maiores vencedores serão aqueles que mantiverem posição neutra, isto é, com operações com componente de maior hedge ou mesmo com limites de perdas controladas pela maior liquidez de ativos. Por sinal, a liquidez também cobrará um preço e um bom médico financeiro recomendaria cautela com a segunda e a terceira linha de bolsa. Em momentos de estresse a liquidez desaparece.

Para não me repetir, sugiro a leitura dos meus artigos anteriores em que faço a relação entre economia e política. Eles mostrarão como as tendências de mercado serão dadas pelos boletins de pesquisas eleitorais. No campo macroeconômico externo, o principal fator de influência serão os Estados Unidos, já que se fizermos uma análise 360º do mundo veremos que a política Trump continua a ser a grande novidade e atua como trigger do mercado. Quanto mais o presidente americano se movimentar para implementar seu programa de crescimento e melhoria das condições do mercado interno, maior será a pressão do dolad nas moedas locais dos mercados emergentes.

A volatilidade e a volta da concentração do fluxo de investimentos na América são muito ruins. A proteção de capital em ativos menos voláteis e vulneráveis à piora doméstica começa a se tornar estratégica. Como o consumo interno não terá grande crescimento devido à queda do índice de confiança, uma boa alternativa para os investidores em bolsa é a mudança de capital para empresas exportadoras.

O câmbio deverá seguir pressionado até que a situação eleitoral brasileira se mostre mais clara. Uma super desvalorização é improvável, mas a incerteza poderá funcionar como combustível para piora do cenário interno.

Pontos de atenção:

  • O governo é frágil e demonstrou isso cedendo às demandas feitas pelos caminhoneiros;
  • Fluxo cambial desfavorável e com política intervencionista, que controla os fluxos desfavoráveis e aumentam o pessimismo;
  • A situação econômica ruim é boa para os candidatos de extrema esquerda e extrema direita, conforme exposto em meu último artigo;
  • Interrupção no ciclo de baixa do juros e possível viés de alta;

O cenário internacional também deve contribuir com a turbulência brasileira. A zona do Euro terá a Itália como novo protagonista nos noticiários, já que as eleições acenderão novamente a questão da política econômica ortodoxa, com controle do déficit e manutenção de estabilidade em detrimento do chamado bem-estar social. Isso fará com o que debate sobre a saída de alguns países da zona do Euro reacenda. A Grécia é sempre uma lembrança.

Tivemos grandes avanços econômicos, dentre eles a reforma trabalhista, mesmo com um presidente campeão da impopularidade e com pouca margem de manobra. A situação política traz o ceticismo quanto à viabilidade das reformas mesmo após as eleições, afinal o desgaste da classe política dará ao futuro presidente pouca margem de manobra para implementar as reformas estruturais que o país precisa.

O Brasil deverá crescer 2% este ano, já que o ano político econômico acabará este mês. O segundo semestre estará reservado à Copa do Mundo e eleições.

Apesar de todas essas questões, o cenário brasileiro ainda é positivo e as conquistas deste governo em relação ao controle da inflação e ao juro baixo são inegáveis.

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Política
Putin x Trump: A segunda Guerra Fria da economia
4 de julho de 2017 at 15:29 0

O período da Guerra Fria marcou um capítulo interessante na história da humanidade. Estados Unidos de um lado, União Soviética do outro, mas não apenas em termos ideológicos. Apenas a título de curiosidade, algumas das maiores produções do cinema americano se basearam na rivalidade entre as duas grandes potências da época.

Hoje, entretanto, o assunto não é cinema, mas a delicada relação que os dois países mantem ao longo do tempo. De um lado a Rússia - considerada herdeira da extinta União Soviética e com todos os problemas decorrentes dos anos passados sob o manto do comunismo, e Estados Unidos - ainda considerado o país maior potência mundial, porém lutando para manter a posição com as economias com os olhos voltados cada vez mais para o Oriente. Noticiários e periódicos parecem estar replicando as manchetes dos anos 60, 70 e 80 com notícias de espionagem, posicionamentos opostos dos presidentes dos dois países sobre conflitos armados, apoio a ativistas e outras ações que levaram alguns especialistas a declarar que estamos vivendo um novo período de Guerra Fria. Faltou apenas mencionar que ambos os países concordam em algo essencial neste momento de globalização: os negócios. Segundo a Câmara de Comércio entre Rússia e Estados Unidos, cerca de 10.000 empresas de diversos segmentos geram mais de 3 milhões de empregos, totalizando aproximadamente US$ 25 bi em importações e exportações entre os dois países. Aqui no Brasil, a cooperação entre os dois países é prevista em US$ 10 bi ao ano tanto em cooperação técnica nas áreas de energia e agrícola, principalmente. Com tanto potencial econômico envolvido, não é de se estranhar que o empresário Donald Trump quisesse investir no país. Suas tentativas de estabelecer negócios na Rússia datam dos anos 80, quando afirmou que nunca ficou tão impressionado com o potencial de uma cidade quanto ficou com Moscou. Todos esses anos de “namoro” com a Rússia estão bem documentados pela imprensa, deste complexos hoteleiros que não vingaram a sócios russos acusados de lavagem de dinheiro, manipulação do mercados de ações e relações com a máfia. As investidas do então empresário ficaram sob um manto de suspeita que tomaram uma proporção ainda maior quando decidiu migrar para a carreira política e se tornou presidente. Há alguns meses a Casa Branca se pronunciou oficialmente sobre a questão, informando que o agora presidente Trump contratou um grupo de advogados para garantir que não existam suspeitas sobre suas conexões com a Russia – os críticos afirmam que isso não seria necessário caso o presidente liberasse o acesso ao seu imposto de renda. A teoria de que o momento atual é fruto do revanchismo russo tem seus adeptos. Há quem defenda a crença de Putin de que a Rússia não teve um tratamento justo durante a perestroika, agravando problemas econômicos e empobrecendo a população. A admissão pela OTAN de países historicamente contrários ao regime comunista imposto por Moscou anteriormente a admissão da Rússia parece ter agravado essa percepção e cada movimento da Otan em territórios e disputas regionais foi recebido como um insulto. Antecessor de Putin, Boris Iéltsin costumava afirmar que as dificuldades do país eram apenas momentâneas não apenas pelo armamento nuclear, mas principalmente pelo forte espírito russo. Putin parece ter carregado consigo esse aprendizado e colocado em prática durante seus dois mandatos. Por um lado, permanece a certeza de que o país não deve abrir mão de seus interesses e que sua opinião não deve ser ignorada. De outro, a convicção de que as revoluções levam o país a instabilidades que diminuem sua importância frente aos negócios mundiais. A única certeza é que, assim como na guerra fria, um confronto direto entre os dois países não irá produzir um vencedor. O medo, dessa vez, é menos uma bomba atômica e sim o colapso da economia e o reordenamento do cenário mundial  
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Outros assuntos, Política
Brasil e Estados Unidos: o desafio da governabilidade
8 de abril de 2017 at 18:40 0
2017-04-08

Trump e Temer passam por momentos políticos conturbados, criados principalmente pela agressividade do processo eleitoral que envolveu a chegada de ambos ao poder. Por aqui tivemos um penoso e demorado processo de impeachment, agravado por denúncias e investigações que escancaram a corrupção estrutural em nosso país. O impeachment foi necessário para que se desentravassem as pautas e trouxesse de volta a confiança dos mercados, entretanto deixou sua marca. A reputação de nossas instituições está enfraquecida diante da opinião pública e, apesar dos investidores verem com bons olhos as mudanças que estão sendo implementadas, a insegurança da população em relação à parcela política brasileira é real e comentada diariamente nas ruas, e isso respinga no governo Temer.

Já ao norte do Equador, os Estados Unidos passaram por uma das eleições mais controversas dos últimos tempos. Além das prévias agitadas, com acusações de espionagem russa e sabotagem eleitoral, a ida às urnas também deixou o país com os nervos à flor da pele. Com a economia oscilando, ainda resquício da crise de 2007, os americanos apostaram na figura polêmica de Donald Trump em detrimento de Hillary Clinton. Em uma eleição disputada e vendida como uma luta do novo contra o velho, a promessa do empresário em “Make America Great Again!” conquistou os votos e garantiu a vitória em um dos sistemas eleitorais mais complexos do mundo. Com esses contextos em mente, era de se esperar que a governabilidade de Temer, acusado de golpe, fosse pior que a de Trump, que se tornou o presidente com a vitória nas urnas. Entretanto, como todos bem sabemos, as águas da política nunca são tão claras, e as marés nunca se repetem a ponto de permitir previsões com alguma precisão. Virtual desconhecido da população em geral, Michel Temer é renomado na política pelo perfil articulador e conciliador. A prova disso foi o fato de ter bem-sucedido na tarefa de unificar o PMDB, algo que nem mesmo FHC e Lula conseguiram. Além deste feito, Temer trouxe os demais partidos para sua base, obtendo assim vitórias desde que assumiu a Presidência da República ano passado. Aprovou a PEC dos Gastos e avançou as discussões sobre a Reforma da Previdência e Política. Também montou uma equipe econômica que conseguiu domar a inflação, aliviando o bolso da população, o que é sempre bem recebido pelo mercado. Nem todas essas vitórias, entretanto, são capazes de domar as ruas que, em sua maioria, rejeita o seu governo. A situação é exatamente inversa no hemisfério norte. Fossem palavras, Trump seria o antônimo de Temer. O presidente americano é adepto de um estilo polêmico, já conhecido através do reality show O Aprendiz, algo que seduziu boa parte do eleitorado, mas que faz com que o presidente colecione desafetos até mesmo dentro do próprio grupo político. Em um governo composto basicamente por dois partidos, o Republicano e o Democrata, ter domínio do próprio quintal é requisito obrigatório para governabilidade. Faltaram a Trump votos republicanos suficientes até para aprovar o nome de um Secretário e, ao invés de conciliar, Trump manteve o estilo. Sua última derrota foi a retirada de pauta do projeto que visava substituir o Obamacare pelo chamado Trumpcare. Mais uma vez faltavam votos dentro do próprio Partido Republicano, o que levou o governo a retirar o texto de votação. A implosão da pauta coloca em cheque a imagem projetada pelo presidente americano durante a campanha, de que sua experiência empresarial seria uma vantagem quando em mesas de negociação política. Sua próxima incursão é a reforma tributária e, a julgar pela experiência até agora, Trump pode não alcançar o resultado desejado. É importante lembrar que Barack Obama governou sem ter maioria no Congresso, e mesmo assim aprovou o Obamacare. Governabilidade é uma conquista diária, onde Brasil e Estados Unidos tem muito a aprender um com o outro. É importante lembrar sempre que um governo que não conta com apoio das ruas, não persiste, e um presidente que é apoiado pelas ruas mas não tem os votos necessários para fazer valer sua vontade, não existe. Negociação é um jogo de ganha-ganha e, em política, faz bem a todos lembrar que, não importa o modelo e o estilo de governo, quem tem que ganhar é sempre a população. Só assim um governo pode não só existir, mas também persistir.
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Política
Presidente Donald Trump: polêmicas e expectativas para o sucessor do Obama
19 de janeiro de 2017 at 12:26 0

2017-01-19-linkedin-SaulSDonald Trump, o empresário americano que balançou a política mundial ao estrear - com vitória - nas urnas no ano passado, tomará posse como o novo presidente dos Estados Unidos na próxima sexta-feira, 20. Candidato de declarações polêmicas, o presidente eleito tem mantido o estilo incendiário de campanha em suas declarações que antecedem a posse.

Em uma entrevista concedida ao periódico alemão Bild, Donald Trump sugeriu que a montadora BMW deveria desistir da ideia de construir uma fábrica no México em 2019, e instalar a nova planta da empresa em solo americano. Se não o fizesse, o governo norte-americano taxaria em 35% a importação dos veículos produzidos do outro lado da fronteira. Não demorou para que o ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, devolvesse o conselho ao empresário: alegou que se os Estados Unidos aprovarem essa taxa de 35%, quem sofreria com isso seriam os próprios americanos, já que as peças utilizadas na indústria automotiva do país são produzidas em outros países.

Além da celeuma ter potencial para ser um equívoco econômico, também não foi o primeiro equívoco de política externa cometido pelo futuro presidente. Antes de desafiar a BMW, cuja maior fábrica em todo mundo está na Carolina do Sul, e não na Alemanha, Trump defendeu em entrevista ao The Times, um acordo bilateral entre americanos e ingleses para o livre comércio. Como o parlamento inglês ainda não referendou o Brexit, o acordo bilateral não só é impossível, por ora, como foi interpretado como uma descortesia aos membros do bloco comum europeu. Os episódios são vistos como movimentos agressivos em direção à Zona do Euro.

Desejosos de que a sucessão de declarações mais radicais poderia ser apenas parte de uma estratégia de marketing pessoal de Trump, e que o presidente real - aquele que se apresentaria para administrar o país, se mostraria a partir da formação do gabinete de governo - mercado e especialistas esperaram as nomeações dos secretários antes de fazer projeções. Esperava-se um gabinete de notáveis, que aquietasse os ânimos com seus currículos. Não é o que tem ocorrido. Muitos continuam com o pé atrás.

Quase todos os membros indicados por Trump para o seu gabinete apresentam algum tipo de controvérsia, aos olhos de quase todo mundo. Do secretário de proteção ambiental, que defende o uso de petróleo e gás e menos regulações nesse sentido, até ao secretário de comércio que defende redução de acordos de livre comércio e também o afastamento da China, atualmente um grande parceiro econômico dos Estados Unidos, Trump vem colecionando desconfianças justamente no momento que precisa construir musculatura política. Quando tomou posse, Obama tinha confiança de 84% da população, Clinton 67% e George W. Bush 61%. Donald Trump chega ao Salão Oval com 40%.

Recentemente a economia americana recuperou espaço e tomou fôlego. É um momento em que o mundo aguarda, entre curioso e desconfiado, para saber quem será de fato o presidente americano: o Trump do discurso contundente de campanha, ou aquele homem de negócios de sucesso, que poderá gerir o governo americano como uma empresa próspera, propiciando que os Estados Unidos saiam definitivamente da crise econômica iniciada em 2007.

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Política
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos
14 de julho de 2016 at 15:59 0
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos

Para quem não é do meio, fica muito difícil acompanhar os acontecimentos mundiais que impactam as moedas, os investimentos, a Bolsa. Então, decidi fazer um paralelo entre esses assuntos que acontecem ao mesmo tempo e que estão criando expectativas no mercado financeiro do mundo todo.

Nos EUA, se aguarda o resultado das eleições presidenciais que acontecem esse ano. A disputa tem sido cheia de polêmicas, inclusive com discursos extremistas. A cada notícia de força entre os adversários, o mercado reage. Há uma expectativa de que se a Hilary vencer, o mercado terá mais conforto. E se o mercado dos EUA estiver confortável, o resto do mundo é afetado positivamente.

Na Europa, o assunto é o Brexit, que causou uma tempestade de incertezas na zona do Euro. As consequências, com as quedas consecutivas da Bolsa, ainda são uma incógnita aos investidores. As incertezas e a volatilidade do mercado podem causar retração da economia europeia, o que causaria consequências negativas no mundo todo.

Já no Brasil, a expectativa é a consolidação do impeachment. O mercado tem reagido positivamente às posições do governo Temer e sua equipe econômica, com reais expectativas de recuperação, mesmo sabendo que é um processo lento e difícil. A incerteza que paralisa é a dúvida se a presidente afastada retorna ou não ao comando do país.

Como podemos observar, a política afeta a economia em todos esses cenários. E, em qualquer dos ambientes, o que precisamos para que voltem os investimentos é de solução, conclusão, definição. A partir da definição de todos esses assuntos é que começaremos a ver os resultados.

Ao Brasil interessa tanto a estabilidade interna quanto externa, pois isso tem reflexo direto nas exportações. Em um país com câmbio elevado como agora, a exportação é uma ferramenta importantíssima para captação de recursos e equilíbrio da balança comercial.

Para se ter ideia, só nas duas primeiras semanas de julho, a balança comercial teve um superávit de US$ 1,48 bilhões (fonte: MDIC). As exportações têm tido uma média diária de mais de 800 milhões de dólares, o que significa aumento de 2,9% em relação a 2015. Já as importações tiveram um recuo de 17,2%.

Hoje tivemos a notícia de que o PIB de maio teve um tombo em relação ao mês anterior. A queda do PIB em relação ao ano passado é de 3,8%, caracterizando a forte recessão: desemprego, inadimplência, queda de consumo e produção. E, como nosso mercado interno não está aquecido, nossas indústrias têm se mobilizado para atender o mercado externo. A estabilidade americana e europeia são essenciais para continuarmos vendendo e, consequentemente, administrando a crise e trabalhando para reconstruir a nação.

Como podemos ver, no mercado de investimentos não há independência. Os três assuntos são relevantes para a relação de fluxo de capitais no Brasil.

Resumindo, a eleição de Donald Trump significa para os EUA o mesmo impacto que o Brexit tem para os europeus e a volta de Dilma para o Brasil. Espero que não tenhamos uma pororoca tríplice, seria uma catástrofe. Que Deus nos abençoe. Amém!

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