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Câmbio, Política
Os mercados antecipam as eleições?
27 de junho de 2018 at 11:32 0

Sem dúvida a greve dos caminhoneiros antecipou o calendário eleitoral. Tanto a bolsa quanto os juros futuros e o câmbio incorporaram os fatores externos advindos da mudança de postura da economia americana. O aumento de juros e o protecionismo da economia americana fez com que fosse interrompida a calmaria que vinha perdurando nas economias emergentes em geral.

Além disso, essa mesma greve evidenciou a realidade e a fragilidade do governo atual que, para se livrar de um incômodo pontual, acomodou a situação e deixou a sensação de que estávamos muito mais vulneráveis do que imaginávamos.

O principal detonador da crise de confiança do mercado foi a demissão do Presidente da Petrobras, Pedro Parente, em função da falta de alinhamento com o discurso do governo de não estar mais vulnerável ao intervencionismo do preço de combustíveis. O governo, entretanto, por meio de decreto, acabou baixando o preço do óleo diesel. Pedro Parente saiu.

Com os mercados extremamente voláteis e seis meses eleitorais pela frente, fica a indagação dos mercados sobre o que esperar da diretriz econômica. Não há sequer um perfil aproximado do possível novo presidente, com exceção dos candidatos de centro, que não parecem ser os favoritos da população conforme as pesquisas recentes.

Aparentemente o gerenciamento dessa crise de confiança coube ao Banco Central. Instalada desde antes da Copa do Mundo, restou ao BC conduzir essa difícil e complicada transição eleitoral, evitando a solidificação do caos e pânico aditivados pelo grau de incerteza agora instalado.

Os mais experientes, como eu e outros da minha geração, já viveram várias crises cambiais. Sabemos como elas começam e os distúrbios gerados à vida cotidiana. A instabilidade do cenário, além de gerar uma grande incerteza na economia e nos negócios em geral, detona o índice de confiança, fundamental para os investimentos.

Nosso câmbio já vinha sendo precificado sem grandes interferências do BC, porém a onda de desvalorização dos mercados emergentes fez necessária a adição de todas as variáveis de risco político.

Em sua última reunião, o FED americano sinalizou uma alta gradual de juros, inviabilizando uma trégua cambial no curto prazo. Essa medida já contamina a curva de juros futuros, criando uma expectativa inflacionária a ser avaliada. Já aqui no Brasil, a decisão do COPOM no último dia 19 não surpreendeu quem acreditava no discurso de meta inflacionária do presidente do BC. O foco continua sendo o target inflacionário, o que não impactaria a trajetória de juros pelos distúrbios no câmbio, deixando de atrair capital especulativo e, consequentemente, diminuindo prêmio de risco do câmbio.

Há um velho ditado do mercado que diz: “a bolsa machuca, os juros aleijam e o câmbio mata”. A sabedoria das gerações passadas se mostrou novamente realidade.

Para que haja clareza: entregar um governo com a volatilidade econômica controlada é uma tarefa árdua, mas possível. Isso dependerá exclusivamente da perícia do Banco Central em administrar a tensão do mercado, dependendo de como vai operar os grandes momentos de estresse cambial.

O dólar a R$ 4,00 já é uma realidade no curto prazo, mesmo com as intervenções diárias do Banco Central. O grande problema não é o alto valor do dólar em si, já que setores da economia se beneficiam disso, e sim a oscilação em alto grau. A mudança de cotação de R$ 4,00 para R$ 4,50 fragiliza a confiança na política cambial brasileira.

O BC não terá trégua diante da intensidade dos eventos de descontinuidade política. Como ficou demonstrado nas últimas semanas, o mercado antecipou as eleições que estavam marcadas para depois da Copa. Cada pesquisa será refletida no dólar, nos juros e na bolsa. Como o câmbio mexe com toda cadeia econômica do país, a volatilidade exacerbada acaba paralisando a atividade econômica. Nessa situação, os agentes financeiros e a própria cadeia de importadores e exportadores têm dificuldades na formação de preço dos seus produtos. Se o dólar estiver muito volátil, o exportador pode estacionar os recursos no exterior, enquanto o importador adiará o fechamento do câmbio.

Não podemos desconsiderar a sensação de desalinhamento entre os juros internos e os juros americanos. Esse descolamento somado à baixa atratividade de investimentos em títulos soberanos brasileiros tem uma consequência: a curva futura de juros sobe.

A medida governamental de intervenções programadas de SWAP, como a anunciada no último dia 8, torna a política cambial mais ativa e menos reativa. Naquela ocasião, o câmbio despencou 6% em um dia e deu uma forte sinalização de mudança de comportamento. O que poucos notaram, entretanto, foi o fato da intervenção vir colada à oferta de crédito ponte de R$ 50 bilhões do FMI para a Argentina, que já estava sofrendo um ataque a sua moeda.

A realidade é que o preço do dólar não está mais alinhado aos indicadores técnicos e à metodologia de preço justo, mas ao prêmio de risco associado ao imponderável, isto é, àquilo que não enxergamos, principalmente no campo eleitoral. Um cenário otimista a favor do câmbio seria o crescimento dos candidatos de centro, em especial Geraldo Alckmin.

Jogue sua calculadora financeira fora, pois será de pouca utilidade para operar o mercado. O momento atual é de observação e sentimento. Fique atento às pesquisas, pois elas serão o gatilho de alta ou baixa do dólar.

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Política
Será que Deus é mesmo brasileiro?
29 de março de 2018 at 13:00 0

Os tempos mudaram tanto no campo da violência quanto no desenvolvimento do país nas últimas duas décadas. Se fizermos uma análise temporal veremos que a violência aumentou radicalmente, independe do grau de desenvolvimento do país como um todo.

Não há ligação direta entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social e urbano. Uma prova disso são os estados, principalmente o Rio de Janeiro, que surfaram uma onda de prosperidade com o petróleo, o mercado de capitais e recentemente com as Olimpíadas. Mesmo com todos esses fatores alavancadores, o que temos visto é uma permanente decadência social e urbana graças à violência.

Atribuir o problema do Rio de Janeiro à crise do petróleo é uma solução pobre. Hoje a Cidade Maravilhosa só ganha de São Paulo na questão dos buracos no asfalto. São Paulo foi toda repaginada, e embora ainda tenha buracos nas ruas, tomou para si o mercado de capitais, a Fórmula 1, além de grandes eventos internacionais como o UFC. Isso acontece porque é mais fácil tampar buracos, como agora o prefeito de SP está dando prioridade, do que resolver a insegurança pública. Todos esses eventos que foram para São Paulo, e que antes ocorriam no Rio de Janeiro, embarcaram na ponte aérea em parte por falta de segurança. E quem perde com isso são os cariocas, que deixam de ganhar esses recursos devido ao êxodo.

Outro fator significativo da insegurança pública é a depreciação do patrimônio imobiliário, tanto dos investidores quanto dos cidadãos em geral. A criminalidade é um verdadeiro “perde perde” econômico.

A política de segurança pública deve sempre levar em conta a melhoria das condições de operação. É preciso investir em uma polícia moderna e eficiente, com equipamentos e estruturas adequadas, e também com uma área de inteligência competente acoplada a este processo. Por que há uma diferença tão grande entre São Paulo e o Rio de Janeiro, que sempre foram considerados os estados mais importantes da nação? Será por que São Paulo não foi atingido economicamente pela Operação Lava Jato, ou por que seus governantes tiveram outras prioridades? A segunda alternativa é a correta.

O papel de todo gestor é priorizar investimento, tanto financeiro quanto humano. A segurança pública é um campo onde podemos ver a importância da priorização correta. Se compararmos com Rio de Janeiro e diversos outros Estados brasileiros, assolados pela violência, temos a impressão que São Paulo é um outro país. Enquanto o Rio de Janeiro investiu R$ 2.469 em inteligência em 2017, ou seja, apenas R$ 0,0003% do orçamento, São Paulo destinou 3% do orçamento para inteligência. Somente como referência, o orçamento de São Paulo no ano passado para a segurança foi de R$ 12,5 bilhões.

É um erro investir em Museu da Música, Museu do Mar, e outros mega projetos, se o cidadão não pode se deslocar tranquilamente. A política de segurança pública do Rio é tão descuidada que dá pena de ver a aparelhagem da corporação. Policiais precisam de favores de empresários para abastecer e reparar viaturas, senão faltam veículos para policiar as ruas. Notícias recentes mostram que 50% dos carros da polícia não estão em circulação por falta de peças. As delegacias estão em estado de piedade. Como é que podemos pedir recuperação de roubo, solução de latrocínio, se as delegacias não conseguem sequer registrar um Boletim de Ocorrência?

Chegamos a uma situação extrema com a intervenção do governo federal. Se o Exército conseguir impor a lei, trazendo a ordem pública de volta a condições mínimas e razoáveis, pode ser que pela primeira vez em décadas o Rio tenha a chance arrumar toda esta bagunça. O interventor precisa de apoio da sociedade, não de falsos políticos que pregam que a intervenção que falhará por não ser uma política continuada. Nosso principal problema é institucional. A maioria dos políticos sempre conviveram muito bem com a população desassistida, todos adeptos da política de melhora de qualidade de vida dos mais carentes através de benefícios públicos. O que eles não enxergam é que o Programa Bolsa Família não cria valor de emprego e segurança, apenas crédito em conta. A cidade está hoje sitiada por bandidos, então como não ser favorável à intervenção do exército. Qual a outra opção? Quem lida com estado de sítio são as Forças Armadas, não as forças policiais.

A discussão do problema evoluiu para os métodos de intervenção, como a estratégia de cadastramento do morador da favela. Os falsos defensores dos vulneráveis usam o discurso dos Direitos Humanos igualitários para sugerir discriminação contra o pobre, ou o cidadão que mora em uma região de favela. Não podemos cair nessa balela que atinge traços até mesmo midiáticos. Sem utilizar técnicas novas, principalmente as tecnológicas, iremos andar em círculo.  Nós chegamos a um ponto onde centenas de pessoas morrem por bala perdida. A única vítima desse discurso limitante que tenta criminalizar a intervenção e a tentativa de se fazer alguma coisa é a população que morre no meio do tiroteio.

Monitoramento e serviços de inteligência sempre terão papel primordial. O OSS e o serviço de inteligência britânico foram essenciais para a vitória na Segunda Guerra Mundial. O que o Rio vive hoje é uma operação de guerra e não um caso de polícia, como muitos políticos tentam nos convencer. Nossas autoridades deveriam ir além e recorrer a outros países com experiência similar. Israel sobrevive em uma área de conflito permanente graças à tecnologia avançada para combater e eliminar inimigos infiltrados nos grandes centros populacionais, e a Colômbia trava há décadas uma guerra contra um inimigo paramilitar que chegou a dominar completamente grandes cidades.

O desenvolvimento é incompatível com os índices de criminalidade que temos nas principais cidades do país. O Brasil de hoje precisa de bons administradores que saibam o que priorizar. Nas próximas eleições devemos desconfiar do carismático presidenciável, e nos preocuparmos em eleger quem fizer e administrar bem, e que tenha um passado que corrobore este fato.

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Política
CLT 2.0: governo mais perto da reforma trabalhista
14 de junho de 2017 at 16:19 0
Na última semana foi aprovado no Senado o texto da reforma trabalhista, que traz a discussão sobre o futuro do Brasil a um novo patamar. Não é a primeira vez que falo que as mudanças na legislação trabalhista e previdenciária tem o potencial de melhorar a economia e promover a confiança necessária para atrair investimentos, especialmente estrangeiros. Os críticos da reforma acreditam que ela tem o poder de retirar os direitos dos trabalhadores sem necessariamente gerar empregos, porém acredito que o crescimento econômico obtido com a flexibilização das regras pode facilitar e acelerar a criação de novos postos de trabalho. Segundo o IBGE, temos hoje 14 milhões de desempregados e se a experiência nos ensina algo é que o aumento da demanda de consumo é o principal gerador de empregos. Com regras rígidas como a atual, mesmo que o ambiente econômico melhore, os empresários ainda receiam contratar. A legislação deve acompanhar a mudança dos tempos. Com a evolução da tecnologia algumas profissões se modificaram totalmente e não é uma lei, criada quando computadores eram ainda peças de ficção científica, que irá mudar isso. Os países desenvolvidos trabalham todos esses fatores para garantir empregabilidade, desde que haja acordo entre as partes. Durante as mais de oito horas de debate na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado foram discutidos todos os itens do texto. O texto foi aprovado integralmente, com quatro sugestões de alteração referentes à regulamentação de trabalho intermitente, decisões por acordo coletivo em relação à jornada de trabalho e veto nos itens que tratam de período de descanso antes da hora extra e trabalho insalubre executado por gestantes. O texto ainda passa pelas comissões de Assuntos Sociais (CAS) e Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir a Plenário. Na quarta-feira a Ibovespa fechou em alta de 0,81% e o dólar a R$ 3,27. Ainda não é a reação que todos esperam, mas já demonstra que o mercado tende a reagir positivamente conforme o assunto avança. Sair de uma crise econômica demanda esforços contínuos e a geração de empregos é uma parte importante, pois no momento o consumo e o crédito estão em baixa. Talvez o resultado não seja o esperado no curto prazo, já que a crise que atravessamos tem forte componente político e neste caso o cenário não é previsível e nem favorável. O governo de Temer mostra que ainda consegue respirar, mesmo diante dos problemas das últimas semanas. A votação da Reforma Trabalhista mostra que ainda consegue articular as medidas que garantem a volta dos investidores. Isso é um ponto positivo para as expectativas de melhora dos brasileiros e mais trabalho do que mostrou a última pessoa que ocupou o Planalto antes dele.
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Política
Economia reage, inflação cai e PIB cresce. Fim da crise à vista?
16 de maio de 2017 at 17:58 0

Economia reage, inflação cai e PIB cresce. Fim da crise à vista?

O anúncio de que o IBC-Br teve uma alta de 1,12% nos três primeiros meses do ano foi motivo de comemoração para economistas. Esse indicador é construído pelo Banco Central e funciona como uma tentativa do Governo de antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, já adiantando algumas decisões, especialmente em relação às taxas de juros. Confirma o que falei há algum tempo sobre a importância dos indicadores tanto na tomada de decisões quanto para acompanhar a saúde econômica brasileira.

A grande estrela do resultado positivo do IBC-Br é a safra recorde de grãos já que o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), prevê que a safra 2016/2017 deve chegar a 230 milhões de toneladas. É um crescimento de 24,3% em relação ao período anterior e significa uma incrível movimentação econômica com geração de empregos diretos e indiretos e movimentação de várias cadeias produtivas.

Embora o resultado seja positivo, afinal significa que o país está no rumo certo, não é realista esperar um crescimento expressivo diante de tantos meses de crise. Nos últimos anos o Brasil sofreu perdas consideráveis de credibilidade: um longo processo de impeachment, a queda do grau de investimento e consequente fuga de capital.

Michel Temer e sua equipe fizeram um esforço considerável no sentido de aprovar medidas percebidas como impopulares, porém muito necessárias para a recuperação do país. A aprovação da PEC do Teto provou aos investidores que o Brasil tem a intenção em conter seus gastos públicos e, como resultado, a Moody’s alterou o rating brasileiro de negativo para estável. A própria agência afirma que a continuidade e implementação consistente dessas políticas pode afetar positivamente futuras classificações.

Uma das grandes vitórias é o controle da inflação, grande trauma para os brasileiros. Isso significa que um governo que mantém os preços sob controle e garante renda e poder de compra consegue a confiança da população. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril ficou em 4,08%, o menor para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. As categorias que puxaram esse número para baixo, dessa vez, foram os combustíveis, energia elétrica e habitação.

Estamos apenas no começo de um longo caminho na retomada do crescimento. As reformas Previdenciária e Trabalhista estão a poucos meses de serem aprovadas e estamos a pouco mais de um ano de um processo eleitoral que não apenas promete ser um dos mais acirrados das últimas décadas, mas irá garantir a continuidade dos ganhos dos últimos meses ou colocar tudo a perder.

Como diz o ditado, esforço e trabalho duro oferecem suas recompensas. A economia brasileira agradece.

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Outros assuntos, Política
Brasil e Estados Unidos: o desafio da governabilidade
8 de abril de 2017 at 18:40 0
2017-04-08

Trump e Temer passam por momentos políticos conturbados, criados principalmente pela agressividade do processo eleitoral que envolveu a chegada de ambos ao poder. Por aqui tivemos um penoso e demorado processo de impeachment, agravado por denúncias e investigações que escancaram a corrupção estrutural em nosso país. O impeachment foi necessário para que se desentravassem as pautas e trouxesse de volta a confiança dos mercados, entretanto deixou sua marca. A reputação de nossas instituições está enfraquecida diante da opinião pública e, apesar dos investidores verem com bons olhos as mudanças que estão sendo implementadas, a insegurança da população em relação à parcela política brasileira é real e comentada diariamente nas ruas, e isso respinga no governo Temer.

Já ao norte do Equador, os Estados Unidos passaram por uma das eleições mais controversas dos últimos tempos. Além das prévias agitadas, com acusações de espionagem russa e sabotagem eleitoral, a ida às urnas também deixou o país com os nervos à flor da pele. Com a economia oscilando, ainda resquício da crise de 2007, os americanos apostaram na figura polêmica de Donald Trump em detrimento de Hillary Clinton. Em uma eleição disputada e vendida como uma luta do novo contra o velho, a promessa do empresário em “Make America Great Again!” conquistou os votos e garantiu a vitória em um dos sistemas eleitorais mais complexos do mundo. Com esses contextos em mente, era de se esperar que a governabilidade de Temer, acusado de golpe, fosse pior que a de Trump, que se tornou o presidente com a vitória nas urnas. Entretanto, como todos bem sabemos, as águas da política nunca são tão claras, e as marés nunca se repetem a ponto de permitir previsões com alguma precisão. Virtual desconhecido da população em geral, Michel Temer é renomado na política pelo perfil articulador e conciliador. A prova disso foi o fato de ter bem-sucedido na tarefa de unificar o PMDB, algo que nem mesmo FHC e Lula conseguiram. Além deste feito, Temer trouxe os demais partidos para sua base, obtendo assim vitórias desde que assumiu a Presidência da República ano passado. Aprovou a PEC dos Gastos e avançou as discussões sobre a Reforma da Previdência e Política. Também montou uma equipe econômica que conseguiu domar a inflação, aliviando o bolso da população, o que é sempre bem recebido pelo mercado. Nem todas essas vitórias, entretanto, são capazes de domar as ruas que, em sua maioria, rejeita o seu governo. A situação é exatamente inversa no hemisfério norte. Fossem palavras, Trump seria o antônimo de Temer. O presidente americano é adepto de um estilo polêmico, já conhecido através do reality show O Aprendiz, algo que seduziu boa parte do eleitorado, mas que faz com que o presidente colecione desafetos até mesmo dentro do próprio grupo político. Em um governo composto basicamente por dois partidos, o Republicano e o Democrata, ter domínio do próprio quintal é requisito obrigatório para governabilidade. Faltaram a Trump votos republicanos suficientes até para aprovar o nome de um Secretário e, ao invés de conciliar, Trump manteve o estilo. Sua última derrota foi a retirada de pauta do projeto que visava substituir o Obamacare pelo chamado Trumpcare. Mais uma vez faltavam votos dentro do próprio Partido Republicano, o que levou o governo a retirar o texto de votação. A implosão da pauta coloca em cheque a imagem projetada pelo presidente americano durante a campanha, de que sua experiência empresarial seria uma vantagem quando em mesas de negociação política. Sua próxima incursão é a reforma tributária e, a julgar pela experiência até agora, Trump pode não alcançar o resultado desejado. É importante lembrar que Barack Obama governou sem ter maioria no Congresso, e mesmo assim aprovou o Obamacare. Governabilidade é uma conquista diária, onde Brasil e Estados Unidos tem muito a aprender um com o outro. É importante lembrar sempre que um governo que não conta com apoio das ruas, não persiste, e um presidente que é apoiado pelas ruas mas não tem os votos necessários para fazer valer sua vontade, não existe. Negociação é um jogo de ganha-ganha e, em política, faz bem a todos lembrar que, não importa o modelo e o estilo de governo, quem tem que ganhar é sempre a população. Só assim um governo pode não só existir, mas também persistir.
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Outros assuntos, Política
Modernizar para sobreviver: o dilema do Brasil
27 de março de 2017 at 15:35 0

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O momento econômico é bastante favorável ao Brasil até porque todas as previsões econômicas continuam sendo otimistas principalmente quanto ao aspecto da inflação que teve como principal vitória a quebra da inércia dos preços administrados, o que mostrava o acerto na persistência em romper este ciclo, tornando factíveis as previsões de queda de juros. Apesar disto, não podemos simplesmente creditar todos os bonos à equipe econômica do governo, pois a retração causada pelo mal gerenciamento das contas públicas deixou o consumidor com uma baixa capacidade de pagamento de suas suas próprias contas, o que faz com que a economia real se torne anêmica e aumente ainda mais o índice de desemprego.

Realmente a confiança esta voltando e uma das causas, sem dúvida é a queda da inflação e a queda anunciada de juros que vai ajudar na retomada da economia. As reformas que estão em pauta como a da Previdência e a Trabalhista, além das discussões sobre a desburocratização e muitas outras. Estas reformas tem tido uma atenção especial das duas casas, tanto do Senado quanto da Câmara do Deputados. Por que agora as reformas passaram a ser tão importantes?

As reformas são o principal fator de melhora de ambiente macroeconômico e, consequentemente, de melhora de expectativas futuras, o que gera um ambiente bastante benigno para os investimentos, tanto locais como estrangeiros. A equação para retomada da economia real passa pela necessidade de voltar a um patamar mínimo de investimentos para que se quebre a inércia gerada pela crise nos vários setores da economia.

Essa agenda agora passou a ser tão importante para os políticos em geral porque a melhora da economia vai influenciar o momento político de 2018. Sem dúvida a maioria dos futuros candidatos à reeleição veem na melhoria da atividade econômica e diminuição do desemprego a boia de salvação do atual governo e de seus mandatos. As pessoas tendem a ser mais tolerantes em um ambiente econômico mais favorável e nossos políticos sabem disso.

Acho que estamos diante de um momento altamente propício a ter efetivos ganhos institucionais com as reformas e gerar uma visibilidade externa positiva em face das reformas propostas. O grande unificador dos maiores partidos em torno de reformas será a continuidade da "Lava a Jato" que joga uma pressão maior na classe como um todo. Fazer essas reformas não deve ser uma medida para retirar o foco de atenção dos escândalos, porém a pressão sobre nossa economia diminui e poderemos entrar mais rápido em um ciclo de melhora. A tendência é que a aprovação do modelo adotado pelo governo Temer aumente e gere bônus para a eleição de 2018, até porque desmonta definitivamente os argumentos petistas de golpe e além disso, tanto PMDB como o PSDB voltariam a ganhar algum fôlego eleitoral para o próximo ano. Sem duvida nenhuma as reformas nunca sairiam por vontade espontânea política, principalmente em um ano que antecede as eleições presidenciais e estaduais.

Reformar leis consolidadas já há mais de meio século é um grande passo, porém o nome já contextualiza a questão, uma vez que tudo na vida precisa de ajustes com o passar do tempo. Nossa casa, empresas e até mesmo os nossos hábitos também demandam mudanças de tempos em tempos, pois sem isto tendemos a ficar literalmente velhos e obsoletos. Em um país como o nosso, em que muitas das legislações – especialmente a previdenciária e a trabalhista -  foram estabelecidas há muito tempo, é preciso se readaptar dentro de uma nova realidade moderna e contemporânea.

No caso da Previdência, o ponto central é a idade mínima de 65 anos. Se compararmos quando foi elaborada a Lei da Aposentadoria, a expectativa de vida da população era outra, talvez uns 20 anos a menos. A contestação de direito adquirido e intocável não faz nenhum sentido sob este ponto de vista. Fazer reformas de verdade, no entanto, mexe com direitos que as pessoas consideram imutáveis e é assim que é apresentada questão por aqueles que são contra a reforma.

É preciso contextualizar o assunto e lutar por uma reforma que possa reconstituir um sistema que seja compatível com dias de hoje, até porque, se não o fizermos, as instituições não serão capazes de suportar as despesas recorrentes causadas pelo envelhecimento da população. Os investimentos serão diretamente proporcionais às reformas que fizermos e são ponto fundamental para que os recursos retornem e comecem a gerar novos empregos, para que nao tenhamos uma geração de filhos pobres com avós e pais ricos - que é o que hoje começa a se desenhar no seio familiar, em que muitas vezes a renda do filho classe media é pior que a dos pais aposentados.

Por fim, o Brasil tem agora uma oportunidade ímpar de se reorganizar com estas reformas e caminhar para termos uma possibilidade real de uma nova década virtuosa.

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Finanças, Juros, Política
Inflação e Deflação – Impactos na economia do país
15 de março de 2017 at 12:43 0
O desejo de todos os brasileiros de que a inflação diminuísse veio melhor que o esperado, com o anúncio de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) de fevereiro ficou em 0,33%, a menor taxa em 17 anos, e trouxe o acumulado dos últimos 12 meses para 4,76%, ou seja, a inflação está a caminho da meta. Os dados foram divulgados pelo IBGE na semana passada. O consumidor aos poucos sente a melhora nos preços e o impacto no custo de vida. A alta nos gastos com educação, apesar de corresponderem a cerca de 70% da taxa geral do mês, são os menores desde 2010. A alimentação teve deflação de 0,45%, bem como transporte aéreo (12,29%) e vestuário (0,13%). O último Boletim Focus reduziu ainda mais a estimativa da inflação para 2017, agora na faixa dos 4,19%. Talvez esse seja o empurrão que falta para que o Comitê de Política Monetária – COPOM, baixe os juros de maneira mais agressiva para influenciar mais significativamente a economia, barateando o crédito e incentivando a produção e o consumo. A expectativa para o ano é que a SELIC fique em 9,52%, mesmo com a última reunião não tendo o corte esperado, mantendo a taxa em 12,25%. É preciso aguardar, pois sabemos que em economia nada é gravado em pedra. Se analisados individualmente, esses indicadores podem não fazer sentido para grande parte da população, porém nos ajudam a formar uma visão mais ampla do cenário. Por exemplo, no final de fevereiro o IBGE divulgou que a taxa de desemprego é de 12,6%, a maior desde 2012, e todos sabemos que sem dinheiro, as pessoas consomem menos, fazem menos compras no crediário e colocam pé no freio dos financiamentos. É um ciclo vicioso: o custo de vida ainda está alto, com juros exorbitantes, desemprego e muita dificuldade de recolocação profissional. Tudo isso gera a falta de consumo de produtos e serviços e fazem com que empresas demitam os funcionários que, por sua vez, também deixarão de consumir, mesmo com preços baixos e promoções – que são os valores em queda registrados pelo IPCA. É deflação. A tão esperada deflação é algo que, se não acontecer, tende a causar problemas tão ou mais graves que a inflação altíssima que estamos enfrentando. Parece estranho afirmar isso, mas a oscilação nos preços é apenas a ponta de um sistema que produz bens, oferece serviços e depende do consumo para sobreviver. Ainda há muito trabalho a ser feito, as variáveis para contenção da crise mudam diariamente e garantir emprego e renda para uma população do tamanho da nossa não é tarefa simples. Mais uma vez a bola está na arena política, com as discussões sobre a Reforma da Previdência e a contenção dos gastos do governo. Seguimos observando.
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Investimentos, Política
O que está por trás das mudanças do FGTS
21 de fevereiro de 2017 at 16:15 0

A notícia que o governo liberou o saque de contas inativas do FGTS não foi surpresa, afinal os debates sobre mudanças no fundo vêm ocorrendo há vários meses, atraindo a atenção dos trabalhadores brasileiros. A Medida Provisória 763/2016 liberou o saque das contas inativas vinculadas a contratos vencidos até 31 de dezembro de 2015 e também elevou a rentabilidade por meio da distribuição dos lucros.

Engana-se quem acredita que é apenas um pacote de bondades, como o que temos visto nos últimos anos nos últimos governos. A liberação do saque faz parte de um conjunto de medidas que tem o objetivo de fortalecer a economia brasileira, que ainda patina. Todos sabíamos que a recuperação não seria fácil, mas temos visto um esforço genuíno do governo atual em fazer o Brasil crescer novamente.

A questão do saque do FGTS é um exemplo claro desse esforço, já que a liberação desses valores tem potencial para injetar mais de RS 30 bi na economia. A maior parte desses saques são de valores até um salário mínimo e que, embora pareça pouco, pode ser o suficiente para o pagamento de dívidas que permitam que o trabalhador volte a consumir.

A outra mudança importante é a rentabilidade que o FGTS vai oferecer ao trabalhador, que irá se aproximar de 6% mais a TR, resultado da distribuição dos lucros. É uma mudança importante, já que o fundo vem acumulando perda de rendimento e chega a ter um rendimento pior que a poupança – em 2016, por exemplo, não chegou a recompor a inflação anual.

É importante verificar, como a mudança na regra da remuneração impacta no setor de infraestrutura. O FGTS é utilizado pelo governo para investimentos em obras de infraestrutura básica, saneamento, imobiliários e outros, e nós sabemos que estamos diante de um grave problema de confiança no segmento, com o envolvimento das construtoras na Operação Lava-Jato.

Outra grande mudança no Fundo de Garantia é a liberação dos recursos do trabalhador para a aplicação em imóveis de maior valor, até R$ 1,5 mi. Especialmente nos centros urbanos, essa medida tem uma consequência muito boa, no sentido de ajudar a reduzir os estoques imobiliários. As construtoras, por sua vez, são forçadas a construir novos empreendimentos de alta renda e reabrir os quase 780 mil postos de trabalho encerrados nos últimos anos.

De modo geral, acredito que é uma boa medida recompor o poder de compra dos brasileiros para estimular o consumo e o investimento. O governo espera que o ano de 2017 se encerre melhor que 2016, com mais brasileiros empregados e mais dinheiro circulando. Depois de tanto tempo em recessão, um pequeno respiro é bem-vindo para todos nós.

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Outros assuntos
O que podemos concluir na retrospectiva econômica de 2016?
23 de dezembro de 2016 at 15:49 0

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Já era esperado que 2016 seria um ano difícil economicamente, depois de tanta tensão acumulada no processo do impeachment que se arrastou em 2015. O interessante é que o ser humano mantém a esperança e o ano novo renova este sentimento de uma maneira curiosa: as nossas expectativas são reajustadas de acordo com as possibilidades do novo ano e não como resultado de todas as decisões que fizemos no anterior.

O circuit breaker da bolsa chinesa logo na primeira segunda feira de 2016 foi, entretanto, um choque de realidade. Todo o mundo foi afetado e pego de surpresa pelo inédito encerramento das atividades da Bolsa de Valores da China, que acarretou queda da BM&FBovespa e disparou o dólar para acima dos R$ 4,00. Como se essa notícia não fosse o bastante, logo em seguida o governo brasileiro acabou com a isenção fiscal para despesas educacionais, hospitalares e de serviços turísticos no exterior.

Até a conclusão do impeachment o Brasil sofreu as piores perdas de credibilidade na economia. A recusa do governo em assumir a gravidade da crise sofreu um baque quando a Moody’s cortou dois níveis da nota brasileira e passou a classificar o Brasil como “junk”. Perdemos o grau de investimento e com ele a credibilidade, mas, especialmente, o capital.

O impeachment foi a grande reviravolta que o Brasil sofreu em 2016. A quebra no poder foi dramática em todos os sentidos, especialmente na nossa política econômica. O Governo Dilma protelou em admitir a crise, em executar medidas que a contivesse ou mesmo em planejar a recuperação do país. Temer assumiu com o compromisso de executar as reformas fiscal, previdenciária e conter os gastos públicos em um dos piores momentos políticos pelo qual o país já passou.

A sensação de confiança do mercado, entretanto, deu os sinais positivos que o governo precisava para iniciar com a chamada PEC do Teto e, com isso, criar sua primeira grande crise.

Não é de se espantar que o país fervilhou nesse período. A internet e as redes sociais amplificaram a mudança do comportamento dos cidadãos e mostraram que o eleitor tem exigido participar dos processos políticos. A nova geração não apenas compartilha informação e promove manifestações através dos aplicativos, mas eles modificaram a maneira de se relacionar com o mundo e fazer negócios em 2016. As redes tradicionais de televisão, por exemplo, se sentiram ameaçadas pelo Netflix e, ao mesmo tempo que fizeram mudanças para atrair o consumidor, pressionaram o plenário para proteger os interesses do segmento.

É interessante notar como é a tecnologia quem vem mostrando que o país só perde pela maneira como alguns segmentos econômicos são estruturados no Brasil. O próprio sistema bancário é alvo de análises nesse sentido, já que a alta concentração tem sido acusada de ser a grande responsável pelas dificuldades na obtenção de créditos. Repensar o sistema bancário, com desintermediação bancária e facilitação de levantamento de capitais pode ser uma alternativa à crise e que acompanha a evolução da sociedade nos últimos anos.

O Novo Mercado da Bolsa de Valores também sofreu algumas reformulações em 2016. Foram medidas importantes que protegem os minoritários, uma bandeira que carrego desde o início da minha carreira, pois acredito que dá credibilidade ao mercado. As questões de governança corporativa estão muito em alta no momento e precisam ser debatidas com seriedade e cautela, não apenas por motivos midiáticos. A Bolsa brasileira ainda precisa muito evoluir, especialmente no mercado de balcão. O ano de 2016 mostrou que a economia da tecnologia tende a crescer e necessita de uma Bolsa que atenda suas especificidades.

Como dizem os nossos jovens, 2016 chegou na season finale. Foi um ano agitado, intenso, acelerado, mas parece ter cumprido o seu propósito: chacoalhou as coisas, mexeu com as pessoas, acordou o país. Como bom brasileiro, vou olhar para 2017 com as possibilidades que ele nos traz. Um novo, em branco, para ser escrito com a sabedoria que 2016 nos deu.

Feliz ano novo!

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A Teoria do Copo Cheio
2 de dezembro de 2016 at 17:55 0

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Existe uma teoria econômica autoexplicativa que muitas vezes é utilizada para expor a razão do momento econômico de uma forma bastante simples, principalmente para responder as questões de “por que a economia não reage” e “quando ela voltará a crescer”, que estão no centro das expectativas do nosso dia a dia, tornando este assunto como uma variável bastante relevante para nós.

A teoria do copo cheio, faz uma analogia bastante simplista, porém bastante explicativa e sem economês, imaginando que o copo é a matriz econômica e o nível de água que está no copo é a capacidade de consumo, fazendo com que o nível seja flutuante e se movimente conforme as atividades e a capacidade das pessoas de consumir. O nível aumenta na medida em que as pessoas vão se endividando, perdendo emprego ou mesmo diminuindo o consumo pela falta de confiança. Conforme os estímulos da economia, o nível aumenta, especialmente quando fomentados pelo crédito e alavancagem dos financiamentos em geral.

Assim, com todos os anos de aumento de estímulos e farto crédito, chegamos a este momento em que o nível da água está quase transbordando o copo. Enfim, ele está completamente cheio.

O tempo é fator racional que explica a analogia do copo cheio em relação à teoria econômica baseada no consumo, como é a do Brasil. A atividade econômica é recuperada pelo TEMPO, uma vez que a “evaporação” diminui o nível da água e faz com que as pessoas voltem a consumir e manter essa capacidade. Enfim, não tem mágica. Somente com a evaporação da água do copo é que o nível de água voltará ao normal.

Foi assim que aconteceu na crise americana, em que uma grande parte da população adquiriu crédito hipotecários, as chamadas mortgage, e isso acabou por destruir a capacidade dos indivíduos de consumirem por um longo período. Durante o período entre 2009 a 2011, os grandes magazines americanos, Bloomingdale’s, Macy’s, Saks Fifth Avenue e outros, estavam abarrotados de turistas, com os poucos americanos comprando estavam catando pechinchas nos outlets. Agora é nossa vez de catar pechinchas, já que possivelmente teremos o pior Natal do comércio em décadas.

Como diriam os americanos: the consumers are gone, ou, em bom português, os consumidores se foram.

Lá nos EUA a teoria do copo cheio também prevaleceu. O processo de recomposição de renda do indivíduo levou quase 4 anos e foi acompanhada de vários estímulos. O principal deles foi o crédito com menor alavancagem e taxa inicial de juros muito baixa, o que prevalece até hoje.

Voltando ao plano interno, acredito que o Banco Central já está percebendo que a retomada da economia não deverá ser tão rápida como alguns agentes econômicos esperavam. Inicialmente a estimativa do PIB para 2017 foi de 2% positivo, posteriormente reajustada para 1,5% e agora fala-se em 1%, caminhando para zero em 2017.

Retornamos à "teoria do copo cheio" que, por mais simples que pareça, é a única realidade conhecida no momento. O fator tempo é considerado na medida em que a recomposição da renda se dá com a capacidade da economia em reagir, principalmente pelo lado do consumo. Não adianta reativar somente o crédito se o consumidor não tem capacidade de pagar. O patamar dos juros deverá ter um papel importante neste contexto, para que a equação consumo, crédito e capacidade de pagamento aconteça.

Assim, o ponto de partida se dará pela queda dos juros como, talvez, o único fator momentâneo. Isso poderá trazer algum estímulo aos consumidores e, consequentemente, reanimar a economia como um todo, alinhado pelo conjunto de reformas necessárias, inclusive fiscal e previdenciária.

Tomar medidas firmes é necessário para governar um país rumo ao desenvolvimento econômico, mas a história mostra que é possível. Faltando apenas 30 dias para encerrar o ano, o momento é planejar.

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