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Finanças

Finanças, Juros, Política
Inflação e Deflação – Impactos na economia do país
15 de março de 2017 at 12:43 0
O desejo de todos os brasileiros de que a inflação diminuísse veio melhor que o esperado, com o anúncio de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) de fevereiro ficou em 0,33%, a menor taxa em 17 anos, e trouxe o acumulado dos últimos 12 meses para 4,76%, ou seja, a inflação está a caminho da meta. Os dados foram divulgados pelo IBGE na semana passada. O consumidor aos poucos sente a melhora nos preços e o impacto no custo de vida. A alta nos gastos com educação, apesar de corresponderem a cerca de 70% da taxa geral do mês, são os menores desde 2010. A alimentação teve deflação de 0,45%, bem como transporte aéreo (12,29%) e vestuário (0,13%). O último Boletim Focus reduziu ainda mais a estimativa da inflação para 2017, agora na faixa dos 4,19%. Talvez esse seja o empurrão que falta para que o Comitê de Política Monetária – COPOM, baixe os juros de maneira mais agressiva para influenciar mais significativamente a economia, barateando o crédito e incentivando a produção e o consumo. A expectativa para o ano é que a SELIC fique em 9,52%, mesmo com a última reunião não tendo o corte esperado, mantendo a taxa em 12,25%. É preciso aguardar, pois sabemos que em economia nada é gravado em pedra. Se analisados individualmente, esses indicadores podem não fazer sentido para grande parte da população, porém nos ajudam a formar uma visão mais ampla do cenário. Por exemplo, no final de fevereiro o IBGE divulgou que a taxa de desemprego é de 12,6%, a maior desde 2012, e todos sabemos que sem dinheiro, as pessoas consomem menos, fazem menos compras no crediário e colocam pé no freio dos financiamentos. É um ciclo vicioso: o custo de vida ainda está alto, com juros exorbitantes, desemprego e muita dificuldade de recolocação profissional. Tudo isso gera a falta de consumo de produtos e serviços e fazem com que empresas demitam os funcionários que, por sua vez, também deixarão de consumir, mesmo com preços baixos e promoções – que são os valores em queda registrados pelo IPCA. É deflação. A tão esperada deflação é algo que, se não acontecer, tende a causar problemas tão ou mais graves que a inflação altíssima que estamos enfrentando. Parece estranho afirmar isso, mas a oscilação nos preços é apenas a ponta de um sistema que produz bens, oferece serviços e depende do consumo para sobreviver. Ainda há muito trabalho a ser feito, as variáveis para contenção da crise mudam diariamente e garantir emprego e renda para uma população do tamanho da nossa não é tarefa simples. Mais uma vez a bola está na arena política, com as discussões sobre a Reforma da Previdência e a contenção dos gastos do governo. Seguimos observando.
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Finanças, Política
Os efeitos positivos da PEC 241 na economia
14 de outubro de 2016 at 17:24 0

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A PEC que limita os gastos públicos no teto da inflação e sua aprovação foi, sem dúvida, a notícia mais recorrente nos últimos dias. A discussão sobre assunto tomou grandes proporções uma vez que praticamente todos os setores do governo e da economia se posicionaram contra ou a favor e atraíram a atenção para o assunto até mesmo de pessoas que não dominam a matéria econômica.

É preciso ter um olhar macro sobre a situação. A relevância da PEC do Teto, como foi apelidada, reside em fortalecer a percepção dos investidores de que o Brasil é capaz de conter seus gastos e não ficar à deriva, em rota de colisão com um dívida pública incontrolável.

Divulgar informações fora do contexto faz com que a opinião pública tenha uma compreensão equivocada dos fatos, especialmente no que diz respeito ao comprometimento dos investimentos sociais, como saúde e educação. Antes de mais nada é preciso ter em mente que o orçamento brasileiro é muito amplo e é possível remanejar as prioridades em setores tão relevantes e que merecem atenção especial, como estes.

Acredito que o maior trunfo que a PEC 241 pode proporcionar neste momento é recuperar a confiança dos mercados em geral. Esta confiança traz de volta os investimentos, tanto nacionais quanto estrangeiros, além de um maior entendimento sobre o governo do Presidente Michel Temer, que aparenta ter por base e ponto central o compromisso político com a economia, fazendo as coisas voltarem ao rumo, ou seja, fazendo uma gestão financeira e econômica responsável. Não resta outro caminho para a consolidação de seu governo e aceitação popular. Não será uma campanha de marketing ou reposicionamento de imagem que fará com que a população esqueça o desgaste sofrido pela atual administração durante processo de impeachment.

O grande desafio ainda será mostrar ao país que um mínimo de organização fiscal sera benéfica para todos, inclusive para ampliar os benefícios sociais que são demandados pela população. Superar esta etapa será decisivo no sucesso ou não dessas reformas.

Com aprovação desta PEC o caminho está aberto para a redução de juros. A volta gradativa dos juros a patamares aceitáveis beneficia todos os setores econômicos e, em especial, a produção de modo geral e o mercado imobiliário, que se beneficiam e voltam a ter condições mínimas de juros compatível com a curva do setor.

O movimento natural de uma melhora econômica passa primeiramente pelo mercado de capitais, que antecipa os movimentos futuros da economia real. Poderemos ver nos próximos meses uma recuperação real nas atividades produtivas.

O ministro da economia Henrique Meirelles, assim como o presidente, sabem que tudo começa com o ajuste nos gastos e apostaram pesado na aprovação da PEC 241. Aparentemente, ao obter sucesso nesta jogada, abriu-se caminho para que outros desafios econômicos e políticos estejam brevemente na agenda das reformas, sendo que a mais relevante será a da Previdência Social - sem dúvida um outro enorme desafio.

Duas questões também em pauta se destacaram pela sua importância no período. Dada a relevância da Petrobrás para o país, a aprovação do fim da participação compulsória da empresa na exploração do pré-sal dá oportunidade para que outros players do setor façam esses investimentos. O valor de mercado das ações praticamente triplicou e voltou ao patamar de 220 bilhões, muito em função da percepção de uma gestão mais transparente e mais independente, já que todos sabem da importância social da empresa e esta também sabe que tem contas a prestar aos acionistas.

Também a  possível mudança na lei de repatriação de Recursos (PL 2.617/15) fazendo correções mais inteligentes e possivelmente arrecadando mais, deve entrar em breve na pauta do Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez um esforço no sentido de que todos possam se aproveitar do beneficio de ter uma arrecadação mais robusta e que beneficie toda sociedade, uma vez que essa medida proporciona a possibilidade de diminuir a necessidade de aumentar impostos. Concretamente esta é a única variável de curto prazo que pode ser traduzida em arrecadação direta no curtíssimo prazo.

Não se trata de justiça social, mas sim efeito caixa, já que temos um déficit gigante. Simplesmente poderemos diminuir, com esta conta, o que pode chegar a ser R$ 15 bi a R$50 bi, dependendo da segurança jurídica que dará aos beneficiados. Caso se concretize, ajudará a resolver problemas dos estados da União e melhorar a nossa conta corrente.

Acredito que temos uma janela aberta, que nos traz esperança de podermos voltar a crescer mesmo que timidamente e com os enormes desafios e adversidades a serem superados.

A PEC 241 não é a solução no presente, mas sem dúvida é a solução para o futuro do país nos próximos 20 anos.

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Finanças
Indicadores econômicos na tomada de decisões
12 de setembro de 2016 at 18:08 0
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Em economia temos indicadores para tudo. Pessoas trabalhando, bens produzidos, moeda circulante, exportação, importação, taxas de juros, dívida pública, operações de crédito, volume de vendas no varejo. Pense em um assunto e provavelmente teremos um indicador econômico, oficial ou não, para demonstrar a saúde desse setor – seguramente também com "série histórica" para efeito comparativo. O acompanhamento de indicadores econômicos é parte fundamental para o sucesso no mundo dos negócios. Enquanto para a maioria da população são apenas números e letras aleatórios, para os empreendedores o fato de acompanhar esses dados pode ser a diferença entre o sucesso e a falência. Com acesso à divulgação desses indicadores conseguimos, também, traçar um panorama da saúde econômica brasileira. Os indicadores já conhecidos dos meses de julho e agosto deste ano, por exemplo, reforçam a percepção de que o terceiro trimestre de 2016 deve ser mais um período de acomodação da economia. À primeira vista e para quem não entende muito do jargão econômico parece uma notícia ruim, mas assim como a sociedade brasileira, o mercado também está se adaptando ao novo governo. Prova disso é que o Indicador de Investimento da Indústria, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 7,9 pontos em relação ao mesmo período de 2015. Isso significa que o investidor ainda não tem certeza de onde e como vai aplicar o capital, mas já começa a vislumbrar um cenário menos negativo para seus negócios. O Indicador de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, considerado o medidor da inflação no país, mostra que já houve desaceleração entre julho e agosto, apesar de ainda ser a mais alta para o mês, desde 2007. O IPCA é importante, pois calcula tudo que pagamos no dia a dia: supermercado, escola, transporte. Conseguimos até, através do IPCA, calcular o impacto que as Olimpíadas tiveram no nosso bolso e ver claramente que o preço da alimentação, bebidas e hospedagem no Rio de Janeiro teve forte impacto nos números da inflação do país inteiro. Como disse anteriormente, os brasileiros e o mercado ainda estão se adaptando ao novo governo. Ainda sentiremos durante anos o impacto dos quase 14 anos de governo do PT sobre nossa economia. E não são poucos meses de uma nova política econômica que irão corrigir mais de uma década de decisões mal planejadas. Uma coisa é certa, a cada dia que passa estamos com mais acesso à informação e menos sujeitos a sermos pegos desprevenidos. A utilização destes indicadores como suporte na tomada de decisões é importante para o investidor e, especialmente, para nortear o governo na direção de um país mais próspero para todos nós.
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Finanças, Investimentos
Índice de confiança é o fator da virada
4 de agosto de 2016 at 17:43 0

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Como temos visto cotidianamente e ao nosso redor, já é possível constatar a melhora de humor do mercado financeiro, apesar da contínua piora de alguns indicadores, como o próprio desemprego, além do déficit das contas públicas e da queda brutal da arrecadação. O índice de confiança primeiramente aflora em alguns segmentos, geralmente nos que indicam o fundo do poço da crise econômica e consequentemente dão o sinal da possível virada econômica.

O gráfico a seguir, publicado pelo Valor, mostra o quanto nosso índice de confiança caiu, ultrapassando 2008, quando tivemos uma crise mundial sem precedentes.

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O índice de confiança, nos dias de hoje, é mais representativo e significativo economicamente uma vez que faz a leitura potencial do grau de avaliação no consumo e nos investimentos. A confiança representa para o trabalhador assalariado e prestadores de serviços com baixa ou média renda o "stop and go" para o consumo em geral. Já para os empreendedores, representa a decisão de investir ou não no mercado de capitais, principalmente nos negócios.

Depois que o lastro da moeda foi extinto, o que dá sustentação é a credibilidade que vem casada com a confiança nos agentes econômicos e governos. Por isso a Zona do Euro, por exemplo, tem regras rígidas para que demonstrem um mínimo de credibilidade fiscal, como manter os principais indicadores, déficits e orçamento fiscal em níveis adequados.

No Brasil podemos dizer que a virada do índice de confiança vem, sem dúvida, acoplado a uma solução política minimamente confiável. O governo da Presidenta Dilma carecia muito de credibilidade e de processos de gestão, principalmente diante da preferência por ocupar os quadros de primeiro e segundo escalão com base na fidelidade partidária ao PT, em detrimento do mérito, competência e experiência. Pudemos ver, em primeira mão, onde esse critério de escolha nos levou. Sem dúvida o Presidente interino Michel Temer sabe que a única forma de conquistar a confiança da população é demonstrando uma gestão eficiente. Para isso, colocar pessoas competentes nestes postos estratégicos demonstra claramente a direção correta - e a reversão da tendência do índice de confiança mostra isso.

 De modo geral, diria que algumas situações nos permitem observar o cenário macro com certo otimismo. Veja essas possibilidades:

 1)    A Europa vive um momento confuso e o Brexit pode trazer desdobramentos complexos. Os Estados Unidos estão passando por um emocionante período eleitoral e o resultado pode criar situações semelhantes ao Brexit. Trilhões de euros e dólares, no momento aplicados a juros negativos ou muito baixos, de zero a 1%, de alguma forma tendem a procurar high yeld e acredito que algum fluxo de capital virá para os países emergentes, inclusive o Brasil. Caso o impeachment de Dilma se confirme no Senado, a expectativa é que o nosso país seja um forte candidato a receber uma boa parte deste capital.

 2)    O aumento do índice de confiança deve gerar melhoria no consumo e demanda por serviços. Principalmente no varejo, o impacto dos juros não é tão significativo nos crediários - que tradicionalmente já têm taxas muito altas, mas a confiança gera coragem no consumidor que está empregado e/ou detinha alguma poupança (mesmo estes não conseguiam ver nenhuma luz no fim do túnel).

 3)    Diferentemente do varejo, onde poderemos sentir uma melhora considerável e com relativa rapidez, o setor imobiliário poderá ser o último a voltar a crescer com força. O segmento de imóveis é diretamente ligado às taxas de juros oficiais, que só deverão cair aos razoáveis patamares dos 10% no final de 2017. Por outro lado o setor sempre atrai capital de investimentos asset para adquirir ativos ainda depreciados. Como o estoque está bastante grande, as incorporadoras poderão ter uma possível folga de liquidez na venda desses ativos.

Confiança é e será um ativo de grande valia para o novo governo, entretanto essa confiança não durará para sempre se não houver real percepção de mudança. É preciso que aconteçam demonstrações efetivas de reformas fiscal-orçamentárias tanto no Congresso como no Executivo, tão logo passe a votação do impeachment e se confirme o novo presidente do Brasil. Seguimos observando com esperanças.

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Finanças, Investimentos, Juros
Dia-a-dia da taxa de juros negativo
2 de agosto de 2016 at 14:26 0

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A dificuldade das pessoas que não são do mercado em compreender o que significa taxa de juros negativa é real, uma vez que somos acostumados a juros exorbitantes e inflação de dois dígitos. As flutuações econômicas que vivemos não nos deu tempo de desenvolver as condições propícias para o sistema de juros negativos, uma realidade em diversos países da zona do euro e no Japão – que nos oferece um dos exemplos mais didáticos do funcionamento da chamada NIRP - taxa de juros negativa, sigla original em inglês.

O último censo no Japão mostrou que a taxa de natalidade diminuiu e o envelhecimento aumentou. Essas informações combinadas demonstram que o país tem dificuldade em aumentar a força de trabalho que paga os gastos públicos com previdência e saúde, além de não ter condições de sustentar as tentativas para reaquecimento da economia. No caso japonês, o Banco Central decidiu cobrar dos bancos comerciais os valores que excedam as reservas legais e os depósitos compulsórios. Teoricamente essa medida aumenta os empréstimos, a circulação de moeda e, consequentemente, a inflação.

O exemplo japonês atinge imediatamente o sistema bancário, mas ainda é necessário ver como isso atinge o correntista. A Suíça é um dos países que vem obtendo sucesso com a adoção dos juros negativos e lá os correntistas do banco BAS, especializado em investimentos sustentáveis e de cunho social, foram avisados que perderiam dinheiro ao deixar as economias na instituição. O que aconteceu no país após o estabelecimento dos juros negativos é que as pessoas começaram a diversificar a forma de guardar o dinheiro, inclusive alugando cofres em bancos a investimentos que tem retorno zero, tudo para não pagar taxas e serviços que compensem os bancos.

As situações vividas pelos moradores de países que utilizam o juro zero parecem surreais para os brasileiros. Desde taxas de apenas 1,1% em transações imobiliárias sem a necessidade de antecipar pagamentos, até receber dinheiro de volta por pagamentos efetuados em hipotecas, são muitos os exemplos. No momento a melhor opção tem sido os empreendimentos imobiliários, o que já chamou a atenção para a criação de uma bolha no setor.

Para o Brasil esta situação poderá ser benéfica pois são muitos trilhões que já estão nestas condições e com certeza parte deste capital poderá chegar até nós. Mesmo que seja uma pequena migalha serão bilhões que poderão desembarcar aqui. Atrás de high yeld, mas primeiro precisamos carimbar o passaporte que começa pela definição do impeachment. Vamos torcer para que o vento sopre na nossa direção.

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Finanças, Investimentos, Política
A Janela de Oportunidade no Brasil
26 de julho de 2016 at 17:59 0
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Diz o ditado que depois da tempestade sempre vem a bonança. Aqui no Brasil ainda não estamos na fase da bonança, mas já podemos ver um horizonte muito promissor. Uma janela de oportunidades que deve ser bem aproveitada por todos.

Apesar dos problemas que ainda enfrentamos, o humor do mercado está mudando e o índice de confiança está subindo cada vez mais. E apesar de não ser uma recuperação real, a percepção dessa confiança traz fluxo de capital externo e melhora a precificação dos ativos, o que pode ser confirmado com as altas consideráveis que alguns setores vem alcançando na Bolsa. Dadas as circunstancias de investimento do ambiente global -  em especial na Europa, com a falta de opções em países de política econômica confiável em razão dos juros negativos e a crise no Oriente Médio - o Brasil oferece mercado não apenas especulativo, mas também para investimento em infraestrutura e setores correlatos.

Uma das vantagens é que ao contrário de outros países que passaram recentemente por crises econômicas, a nossa não foi acompanhada por crise financeira. Passamos por restrição de crédito - dado o alto índice de inadimplência os bancos colocaram o pé no freio e com isso se agravou a crise. O brasileiro também se conteve mais nos chamados gastos “desnecessários”, mas a percepção da confiança já faz com que ele volte a gastar novamente, fazer empréstimos, compras a prazo e investir no sonho da casa própria

Nosso sistema financeiro bem estruturado permite essa recuperação mais rápida. Aqui, a Caixa Econômica Federal resolveu elevar o teto do valor dos imóveis financiáveis e acelerar a aprovação de crédito para pessoas físicas e apenas o esforço em aquecer o setor imobiliário já tem impacto positivo nas previsões do PIB.

A mudança do processo de gestão brasileiro, principalmente com a escolha de dirigentes técnicos para cargos diretivos nas estatais, foi o gatilho para o mercado financeiro repensar investimentos e reestruturação de dívidas do mercado de capitais. A atmosfera otimista se completa aliada ao fato do recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados ter um perfil mais equilibrado, conciliador entre os partidos e com conhecimento da matéria financeira.

A visão dos segmentos no mercado é que o governo interino de Michel Temer tem condições de avançar com, inclusive, projetos impopulares como reforma fiscal e da Previdência. Estamos à espera da finalização do rito do impeachment, o que dará o carimbo necessário para que essas medidas saiam do papel. Essa é a senha que falta para que o fluxo de capitais volte com força para os mercados em geral em busca de surfar a nova onda de oportunidade combinada por gestão mais eficiente e conjuntura econômica global. Apenas aí poderemos dizer que estamos definitivamente fora dessa crise.

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Finanças, Política
Atenção! Consignado é caso de polícia.
18 de julho de 2016 at 16:51 0
Empréstimo consignado

"Bancos suspendem consignado para funcionário público em três estados", diz a chamada de uma reportagem do Jornal Estadão em 16 de julho.

Este modelo de crédito foi criado para ser um dos mais seguros do mercado de crédito pessoal e, por esta razão, se pratica taxas mais baixas do que usualmente são oferecidas no mercado (que vão de 5% até 18% ao mês), girando em torno de 2,3% a  2,7% ao mês.

Por que  esse empréstimo tem uma taxa mais acessível para o tomador?  A resposta seria o baixo risco para os bancos, pois as parcelas são descontadas diretamente em folha de pagamento e, além disso, como mitigador do risco você tem o funcionário público, com maior estabilidade trabalhista.

O que então tem dado errado em uma operação que, em tese, seria considerada (no passado) por quase risco zero por muitas agências de rating? A resposta é simples: a apropriação indébita da prefeitura ou do estado. O estado é responsável fiduciário para fazer o simples repasse do que não lhe pertence, mas se locupleta indevidamente destes valores para custeio geral de suas despesas.

O assunto da reportagem não é novo, nós mesmos aqui no Banco Máxima já tivemos este tipo de crédito com a promessa de que as prefeituras e governos estaduais eram sérios em respeitar os direitos fiduciários dos funcionários. Simplesmente uma balela.

Não funciona assim, pois uma parte das prefeituras e estados deixam os bancos como reféns do sistema, porque não repassam os pagamentos - ou atrasam meses ao seu prazer -, deixando o banco sem alternativa. Se processamos o órgão estado ou prefeitura, os verdadeiros responsáveis pelo desatino de retenção de um direito de cessão fiduciário se escondem na instituição e não na responsabilidade direta das pessoas físicas de serem processadas.

O processo pode durar anos, considerando ainda que os eventos de não repasse acontecem normalmente nas trocas de governos, quando deixam o abacaxi do pagamento e o trâmite judicial para o próximo, como está acontecendo neste momento. Obviamente saímos deste mercado com perdas.

Mas o que me deixa mais inconformado com a situação, é ver que os gestores que praticam este desatino, como se isso fosse normal, não têm noção de como prejudicam e contaminam o sistema como um todo:

  • Os bancos perdem dinheiro com a inadimplência e passam a cobrar taxas mais altas, pelo risco institucional na operação de consignado;
  • O funcionário fica inadimplente e pode ser apontado no Serasa, ficando com o nome sujo, criando um transtorno para novos créditos.

Mais recentemente, nesta última semana tivemos aprovada no Congresso a utilização do FGTS como garantia destes empréstimos. No caso, o empregado é quem dará a garantia, caso o empregador órgão público não repasse o que lhe pertence. Olha que absurdo!

Na realidade o uso do FGTS como garantia é um seguro para o gestor (prefeito ou governador) que, em caso de não cumprir o mandato que lhe foi dado, o próprio funcionário público poderá ter que pagar duas vezes o empréstimo: no caso de o valor não ser repassado pelo órgão público, que o deixará descoberto do seu crédito, além do desconto em folha o Banco poderá sacar diretamente do seu FGTS.

Ficaria mais barato para todos os envolvidos se aprovássemos duras leis de apropriação indébita, como em qualquer país civilizado, onde o cidadão responderia a processos na sua pessoa física, inclusive com alta penalidade financeira. Assim, quem sabe, entenderiam que não podem simplesmente reter o que não lhes pertence.  O pior de tudo é que eles pensam que só os bancos perdem, mas a perda é geral, menos para eles que saem do governo com a mesma cara de pau que entraram.

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Política
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos
14 de julho de 2016 at 15:59 0
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos

Para quem não é do meio, fica muito difícil acompanhar os acontecimentos mundiais que impactam as moedas, os investimentos, a Bolsa. Então, decidi fazer um paralelo entre esses assuntos que acontecem ao mesmo tempo e que estão criando expectativas no mercado financeiro do mundo todo.

Nos EUA, se aguarda o resultado das eleições presidenciais que acontecem esse ano. A disputa tem sido cheia de polêmicas, inclusive com discursos extremistas. A cada notícia de força entre os adversários, o mercado reage. Há uma expectativa de que se a Hilary vencer, o mercado terá mais conforto. E se o mercado dos EUA estiver confortável, o resto do mundo é afetado positivamente.

Na Europa, o assunto é o Brexit, que causou uma tempestade de incertezas na zona do Euro. As consequências, com as quedas consecutivas da Bolsa, ainda são uma incógnita aos investidores. As incertezas e a volatilidade do mercado podem causar retração da economia europeia, o que causaria consequências negativas no mundo todo.

Já no Brasil, a expectativa é a consolidação do impeachment. O mercado tem reagido positivamente às posições do governo Temer e sua equipe econômica, com reais expectativas de recuperação, mesmo sabendo que é um processo lento e difícil. A incerteza que paralisa é a dúvida se a presidente afastada retorna ou não ao comando do país.

Como podemos observar, a política afeta a economia em todos esses cenários. E, em qualquer dos ambientes, o que precisamos para que voltem os investimentos é de solução, conclusão, definição. A partir da definição de todos esses assuntos é que começaremos a ver os resultados.

Ao Brasil interessa tanto a estabilidade interna quanto externa, pois isso tem reflexo direto nas exportações. Em um país com câmbio elevado como agora, a exportação é uma ferramenta importantíssima para captação de recursos e equilíbrio da balança comercial.

Para se ter ideia, só nas duas primeiras semanas de julho, a balança comercial teve um superávit de US$ 1,48 bilhões (fonte: MDIC). As exportações têm tido uma média diária de mais de 800 milhões de dólares, o que significa aumento de 2,9% em relação a 2015. Já as importações tiveram um recuo de 17,2%.

Hoje tivemos a notícia de que o PIB de maio teve um tombo em relação ao mês anterior. A queda do PIB em relação ao ano passado é de 3,8%, caracterizando a forte recessão: desemprego, inadimplência, queda de consumo e produção. E, como nosso mercado interno não está aquecido, nossas indústrias têm se mobilizado para atender o mercado externo. A estabilidade americana e europeia são essenciais para continuarmos vendendo e, consequentemente, administrando a crise e trabalhando para reconstruir a nação.

Como podemos ver, no mercado de investimentos não há independência. Os três assuntos são relevantes para a relação de fluxo de capitais no Brasil.

Resumindo, a eleição de Donald Trump significa para os EUA o mesmo impacto que o Brexit tem para os europeus e a volta de Dilma para o Brasil. Espero que não tenhamos uma pororoca tríplice, seria uma catástrofe. Que Deus nos abençoe. Amém!

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Finanças, Investimentos, Política
A nova meta fiscal e os bons ventos
8 de julho de 2016 at 15:58 0

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Ontem o mercado passou o dia na expectativa do anúncio da nova meta fiscal para 2017. Entre tantos acontecimentos, incluindo a renúncia do Eduardo Cunha da presidência da Câmara, tivemos enfim uma notícia animadora.

A equipe econômica do governo fixou a meta em um déficit de R$ 143 bi, que dependerá de um esforço grande para ser atingida. O simples fato dela ser menor que os R$ 170 bi de 2016 já nos causa um bom presságio de que as providências necessárias estão sendo tomadas.

O Ministro anunciou austeridade. A possibilidade de venda de ativos, concessões e outorgas, mais uma economia verdadeira nos gastos públicos traz ao mercado a confiança de que estamos no caminho da recuperação.

O déficit anunciado ainda é preocupante, porém se continuássemos no caminho do governo da presidente afastada, o déficit poderia chegar a R$ 270 bi.

Hoje uma outra notícia animadora foi a desaceleração da inflação, que começa a ir no caminho da meta estimada.

Portanto, se o governo continuar tendo vitórias sobre o núcleo político do Congresso, teremos a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária em agosto. O receio de que fossem criados novos tributos ainda assombra a atividade econômica, mas o bom senso demonstrado pelo Ministro e sua equipe nos dá confiança de que não seremos taxados com novos tributos sem necessidade.

Avaliando a realidade e contando que o Congresso, debaixo dos olhos da população atenta, aprove as medidas necessárias, fecho esse artigo com a fala do Ministro Meirelles que é positiva e aponta que o Brasil está realmente na tendência do crescimento real:

“Estamos trabalhando para que possamos gerar um pequeno superávit em 2019. Existe a expectativa que, com a evolução desse quadro extremamente favorável das despesas do setor público e da evolução da confiança e do crescimento, acredito que é provável que já possamos mostrar o país com um superávit no ano de 2019”.

É mais importante que o mercado veja esse quadro de forma positiva, a fim de seguirmos nesta trajetória e recuperarmos o nosso país.

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Finanças, Investimentos, Política
Sair da União Europeia pode ser bom para Inglaterra e Reino Unido?
27 de junho de 2016 at 15:29 0

União Europeia

Não há como questionar o impacto gerado pela grande incerteza da saída da Inglaterra do Mercado europeu. Regras em comum com os países pertencentes a este mercado, como maior agilidade entre comércio e principalmente idas e vindas dos próprios imigrantes em toda Europa, ainda vão mudar. Os mercados reagiram desabando o valor das moedas, com alta volatilidade, sendo que o principal ganhador foi o dólar, que se valorizou mais em relação à Libra, que despencou.

Me lembro uma certa vez, ha mais ao menos 10 anos atrás numa conversa rápida com um motorista Londrino, que ele já se queixava sobre a situação da invasão de imigrantes. Ele dizia que a cidade não mais pertencia ao cidadão Londrino, pois a comunidade árabe já chegava em peso, comprando bastante ativos e negócios através, principalmente, dos petrodólares jorrados nas economias fora do eixo do Oriente Médio.

Juntamente à invasão imigrante nos anos sequentes por cidadãos de todas as nações, Londres se tornou a segunda capital mundial financeira, ficando atrás apenas de New York.

O que fez o cidadão Britânico votar a favor do Brexit, apesar de todo aviso de caos, de salto no escuro, perda de valor dos negócios, saída dos mercados consolidados pelo bloco europeu? Como podem ser tão malucos, virando as costas para a globalização e integralização?

Acredito que a principal motivação que resultou na decisão dividida sobre a saída foi a percepção do resgate da nação de volta para os Britânicos, principalmente agora que a imigração Síria comprometeu ainda mais os países integrados ao mercado comum europeu, se valendo de motivações humanitárias.

A imigração está no centro desta decisão. Não estou certo se trata-se de nacionalismo, mas é fato que a proteção migratória deixou os países Europeus sem controle das fronteiras imigratórias,  com estes fluxos advindo cada vez mais de países em crise.

Recentemente a União Europeia teve de fazer importantes concessões para a Turquia e seu presidente, cobrando uma conta cara - de bilhões, para controlar o abrir e fechar da torneira migratória dos Sírios aos países europeus. Acredito que este sentimento de perda de controle migratório foi um dos fatores que mais influenciaram a decisão dos cidadãos de saírem da Comunidade Integrada Europeia.

Sem dúvida que as incertezas ainda deverão perdurar algum tempo, porém acho que a Inglaterra vai mais ganhar do que perder no futuro, pois além de ser - juntamente com a Alemanha - o maior contribuinte do Fundo Comunitário (em torno de 6 bilhões de Libras por ano), vai deixar a conta e os problemas do bloco nas mãos dos germânicos, franceses e holandeses. Eles terão que suportar a despesa como maiores contribuintes, juntamente com países de menor calibre.

Acredito até que a Inglaterra poderá fazer acordos bilaterais em melhores condições do que os atuais, principalmente agrícolas. Até porque ninguém deixará de fazer negócio com a Inglaterra. Apesar de a MCE não facilitar inicialmente a vida do UK nestes acordos, pois não quer esse movimento seja visto como uma boa saída para os demais, ainda veremos duras negociações de saída do bloco nos próximos dois anos.

E ainda, no polo passivo, terão de administrar a volta de uma possível discussão dos países anexados que fazem parte do Reino - a Escócia e Irlanda - que tenderão a ter alguma reação. Partidos populistas e separatistas poderão ressurgir com o tema da independência. Este será o grande custo e a maior dor de cabeça para os Ingleses, que não terão vida fácil após essa decisão do Brexit.

O ponto em  discussão agora não é se os ingleses ganharão, mas quanto o MCE (Mercado Consumidor Europeu) perderá com a turbulência e queda de estabilidade, pois o Euro já vinha sendo deixado para trás desde a crise Grega. O pensamento e questionamento será como sair do bloco e qual o futuro existencial do Euro.

Este ponto sobre o futuro do Euro sempre poderá abalar e acabar trazendo uma crise sem precedentes aos países europeus, desencadeada pela incerteza dos mercados. Este é o grande temor dos dirigentes dos países, como Alemanha e França, pois são os maiores fiadores do bloco. Eles terão de suportar e bancar a maior aposta na credibilidade e confiança da estabilidade da moeda, pois agora a porta está escancarada para abertura de novos pebliscitos nos países insatisfeito. Essa reação será estimulada, principalmente, pelo baixo índice do crescimento, além  do risco de desemprego que a população, principalmente de maior idade, poderá sofrer com com o problema migratório.

Assim, o ponto central da preocupação agora não serão os mercados de trader de comércio exterior, mas a discussão sobre o risco de alguns destes países do bloco também resolver testar o plebiscito, como foi o caso da Grécia sobre a permanência no Euro. Isso certamente é o que vai assombrar os mercados.

Para mim, a Libra voltará a se valorizar perante ao Euro e, ao longo do tempo, o dólar se fortalecerá ainda mais. Quanto aos fluxos de investimento, o Brasil também ganhará posições caso consigamos voltar à estabilidade econômica e política, pois a vulnerabilidade do Euro poderá  tirar a atratividade dos mercados europeus, deixando poucas opções para tanto fluxo financeiro.

Acho também que o Brasil reavaliará o Mercosul, que não decolou até hoje. Caso o impeachment corra dentro da previsibilidade, poderemos ter boa perspectiva de refazermos um novo desenho de comércio exterior.

A conclusão agora é de que a incerteza vai predominar nos mercados e o grau de volatilidade tende a aumentar, o que não é bom para ninguém. Recomendo prudência e atenção aos próximos acontecimentos.

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