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A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos
14 de julho de 2016 at 15:59 0
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos

Para quem não é do meio, fica muito difícil acompanhar os acontecimentos mundiais que impactam as moedas, os investimentos, a Bolsa. Então, decidi fazer um paralelo entre esses assuntos que acontecem ao mesmo tempo e que estão criando expectativas no mercado financeiro do mundo todo.

Nos EUA, se aguarda o resultado das eleições presidenciais que acontecem esse ano. A disputa tem sido cheia de polêmicas, inclusive com discursos extremistas. A cada notícia de força entre os adversários, o mercado reage. Há uma expectativa de que se a Hilary vencer, o mercado terá mais conforto. E se o mercado dos EUA estiver confortável, o resto do mundo é afetado positivamente.

Na Europa, o assunto é o Brexit, que causou uma tempestade de incertezas na zona do Euro. As consequências, com as quedas consecutivas da Bolsa, ainda são uma incógnita aos investidores. As incertezas e a volatilidade do mercado podem causar retração da economia europeia, o que causaria consequências negativas no mundo todo.

Já no Brasil, a expectativa é a consolidação do impeachment. O mercado tem reagido positivamente às posições do governo Temer e sua equipe econômica, com reais expectativas de recuperação, mesmo sabendo que é um processo lento e difícil. A incerteza que paralisa é a dúvida se a presidente afastada retorna ou não ao comando do país.

Como podemos observar, a política afeta a economia em todos esses cenários. E, em qualquer dos ambientes, o que precisamos para que voltem os investimentos é de solução, conclusão, definição. A partir da definição de todos esses assuntos é que começaremos a ver os resultados.

Ao Brasil interessa tanto a estabilidade interna quanto externa, pois isso tem reflexo direto nas exportações. Em um país com câmbio elevado como agora, a exportação é uma ferramenta importantíssima para captação de recursos e equilíbrio da balança comercial.

Para se ter ideia, só nas duas primeiras semanas de julho, a balança comercial teve um superávit de US$ 1,48 bilhões (fonte: MDIC). As exportações têm tido uma média diária de mais de 800 milhões de dólares, o que significa aumento de 2,9% em relação a 2015. Já as importações tiveram um recuo de 17,2%.

Hoje tivemos a notícia de que o PIB de maio teve um tombo em relação ao mês anterior. A queda do PIB em relação ao ano passado é de 3,8%, caracterizando a forte recessão: desemprego, inadimplência, queda de consumo e produção. E, como nosso mercado interno não está aquecido, nossas indústrias têm se mobilizado para atender o mercado externo. A estabilidade americana e europeia são essenciais para continuarmos vendendo e, consequentemente, administrando a crise e trabalhando para reconstruir a nação.

Como podemos ver, no mercado de investimentos não há independência. Os três assuntos são relevantes para a relação de fluxo de capitais no Brasil.

Resumindo, a eleição de Donald Trump significa para os EUA o mesmo impacto que o Brexit tem para os europeus e a volta de Dilma para o Brasil. Espero que não tenhamos uma pororoca tríplice, seria uma catástrofe. Que Deus nos abençoe. Amém!

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O país parado à espera do rito do impeachment
13 de junho de 2016 at 13:43 0
rito do impeachment

A situação política e econômica parecia estar definida, aparentemente. Mas uma série de acontecimentos mantém o governo interino como refém do rito do impeachment. As novas gravações e delações, agora contra o PMDB e o PSDB, colocam as definições e decisões em um campo minado a fim de não contrariar a base, pois o placar está apertado no Senado.

Imaginamos que enquanto enquanto persistir a dúvida do rito se efetivar, o balcão de barganhas no Senado vai ganhando corpo e impactando a confiança das pessoas, principalmente investidores.

Apesar da baixa probabilidade, caso ocorra a não definição do governo Temer e volta da Dilma, fica a dúvida de como seria um "day after" da governabilidade neste cenário. Seria impactante para todos, com as cenas política e econômica totalmente imprevisíveis. Haveria uma grande possibilidade de nova eleição. Mas será que o país aguentaria trocas de ministérios novamente? Um grande caos.

A crise econômica chegou e formou consistência. Nas ruas basta observar os shoppings, restaurantes, bares, estradas e o medo do desemprego que começa a rondar todas atividades afetadas pelo baixo consumo. Não é sem razão que o governo já percebeu que precisa fechar este assunto do impeachment, pois as medidas econômicas mais duras acabam sendo adiadas em função da fragilidade política e da vulnerabilidade do atual governo em ter de agradar a todos partidos de apoio.

Do outro lado, persiste uma expectativa de apoio relativo da população que gritou "fora PT" mas não deu carta branca ao novo governo, pois a bandeira principal foi o "chega de corrupção”. Quanto mais o atual presidente cede aos partidos, mais frágil fica a governabilidade perante o povo brasileiro.

Após a última reunião do Copom mantendo a taxa de juros nos patamares atuais e a inflação ainda resiliente, mesmo com a brutal queda de consumo, a indexação se mantém viva e pode adiar a queda dos juros tão aguardada. Mas a curva futura, que é um eixo principal de um BC com credibilidade junto ao mercado, já poderá dar ao  governo Temer um cenário de maior expectativa otimista - muito mais pela escolha da equipe econômica, com a liderança do Meirelles.  As expectativas inflacionárias futuras advirão com fortalecimento da confiança e credibilidade delegada à condução da política monetária sem interferências de viés partidário na economia.

Isto é o que o mercado entendeu e é o voto que o presidente atual recebeu com as taxas futuras vindo para patamares mais aceitáveis. O  primeiro speech do novo presidente do BC mostrou que o dólar reagiu para baixo, com a sinalização da volta da flutuação cambial. Com menos intervenção por parte do BC, sem dúvida o dólar poderá ser um aliado em ajudar a trazer a inflação a patamares aceitáveis.

Apesar desta seleção de quadros altamente qualificados na área econômica, vamos ter de conviver com uma grande incerteza até a finalização do rito do impeachment. O andamento e os últimos acontecimentos da Lava Jato, nos deram mostras de que vem muito mais por aí, pois ainda faltam delações importantes como a do próprio Marcelo Odebrecht e do tesoureiro do PT.

Só se ganha a guerra quando esta termina, sempre foi assim e o Presidente atual Michel Temer sabe disso.

Acredito assim que, apesar da complexidade atual do cenário econômico e político, devemos trabalhar com um viés otimista e nos mantermos atentos aos eventos que poderão influir na consolidação do rito ou não. Não podemos perder a confiança na nossa capacidade de reagir, tanto nos negócios como na nossa vida pessoal. Como diz a velha sabedoria, caminhar em tempos difíceis fortalece a alma, e devemos sempre estar caminhando. É isso que aconteceu nas grandes crises mundiais: sobreviver para poder prosperar.

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Todos podemos ser Venezuela
3 de maio de 2016 at 14:57 0
Venezuela

Tornar-se um exemplo é sempre uma honra e um risco. O Brasil foi, durante anos, exemplo de economia em desenvolvimento acelerado. Hoje, estamos numa crise. Mas meu artigo de hoje fala da Venezuela, como um exemplo a se observar.

A Venezuela é exemplo de caos econômico e social na América Latina. Se fala muito sobre o descontrole monetário venezuelano e também sobre a crise energética e telefônica em nosso vizinho. A distância entre a realidade da Venezuelana e a nossa, dos argentinos, equatorianos e bolivianos é diferente, mas é inegável que todos podem, potencialmente, acordar no pesadelo do presidente Maduro caso uma política populista continue desvalorizando as nossas moedas.

Não quero neste artigo abordar todos os aspectos da crise na Venezuela. Falarei apenas sobre a hiperinflação que desgasta o Bolívar Venezuelano, a moeda em vigência no país desde 1879.

A hiperinflação é, como o próprio nome diz, uma situação inflacionária elevada à enésima potência. A inflação, embora tenha um nome ruim, não é de todo nociva para uma economia. O contrário da inflação é a deflação, que é quando os preços caem, o que faz com que os salários também diminuam. Uma taxa de inflação baixa, de até 5%, é boa para a economia, pois acaba fazendo com que preços e remunerações subam e possam se equilibrar, o que desenvolve a economia. O problema é quando esse pequeno dragão foge do controle e o poder aquisitivo do povo é afetado. Com o aumento consecutivo de preços, o governo acaba recorrendo à impressão de dinheiro para colocar moeda em circulação. Isso acorda uma lei inexorável do capitalismo, que é a da oferta e procura. Quando se tem muito mais dinheiro na rua do que o ideal, o valor real das cédulas diminui. Em ritmo acelerado, essa inflação fora de controle se transforma em hiperinflação, que é quando nem a população e nem o próprio governo conseguem acompanhar o ritmo do aumento dos preços.

No caso da Venezuela, é seguro dizer que a hiperinflação é consequência direta do descontrole absoluto de um sistema financeiro que, focado em fazer política, não protegeu a moeda, que é o maior patrimônio de um país. Uma moeda forte para o Estado é como a reputação para um indivíduo. Nos tempos modernos, o controle do sistema financeiro de um país está ancorado, principalmente, na credibilidade e confiança dos orçamentos públicos. A moeda venezuelana está tão desvalorizada que nem a própria população faz questão de tê-la, preferindo moedas de outros países, mais confiáveis e com câmbio mais seguro.

Com a queda do petróleo que era responsável por 96% de sua economia e sem uma fonte alternativa de receita, o governo da Venezuela recorreu a um financiamento mortal para qualquer governo: ele mesmo. Criou-se então a armadilha do dinheiro gratuito, que é a impressão de novas cédulas. A demanda da Casa da Moeda venezuelana foi tão grande, que as impressoras venezuelanas não possuem mais papel para impressão. Impossibilitada de fazer a irresponsabilidade “in house”, o governo importou trinta aviões 747 carregados com pelo menos cinco bilhões cédulas impressas na Colômbia. Sem dinheiro, a Venezuela pagou pelo serviço esgotando suas reservas internacionais de dólar e de ouro. Finalmente sem caixa e alternativa, a impressão de moedas para o país está parada.

Em 2014 um dólar custava 200 bolívares no mercado paralelo. Em 2015, um dólar custava mais de 1000 bolívares, o que significa uma desvalorização da moeda de mais de 80% em um ano, mas organismos internacionais estimam uma inflação de mais de 700% ao ano. A impressão de notas sem lastro para bancar o dinheiro em circulação é uma das causas desse descontrole. Para se ter ideia, segundo o banco central venezuelano, a quantidade de cédulas de papel que circulam na Venezuela quadruplicaram em um período de 2 anos.

Sem ter como corrigir a inflação de forma técnica, o governo implantou um rígido controle de preços. Ao invés de resolver o problema, o governo obrigou a população adquirir esses bens no mercado negro: desde itens de manutenção de carros, até papel higiênico. Para comprar qualquer coisa, o cidadão tem de andar com pilhas de dinheiro vivo.

Não bastasse esse beco sem saída monetário, o país agora passa por uma crise energética que obrigou a população a um racionamento cruel de energia: as famílias ficam pelo menos 4 horas por dia sem luz. Os serviços públicos agora não funcionam durante 5 dias por semana. A energia é requisito estrutural obrigatório no desenvolvimento e o blackout, além de representar um sério risco humanitário, comprometendo a conservação de alimentos e também a prestação de serviço médico, paralisa comércios e indústrias, o que retrairá ainda mais a economia do país.

Entre a morte de Hugo Chávez e a posse de Maduro, a moeda venezuelana perdeu cerca de 98% do seu valor no mercado paralelo. Engana-se, entretanto, quem acha que isso tudo é culpa do novo presidente. Não, ele herdou uma gestão ruim e continuou seus erros. Com isso, o apoio popular ao governo caiu e, com a queda do apoio, o regime bolivariano está mais rígido e autoritário. Sem um jurídico confiável e com um parlamento beligerante, o clima dentro do país não é propício para investimentos, algo tão necessário para se pensar em recuperação da economia.

A situação venezuelana é o resultado óbvio de um país que tenta reger sua economia por decretos, e não com ações e planejamento. As intervenções no mercado, o controle no câmbio, a limitação da lucratividade, a nacionalização de empresas, e outros fatores, causaram o fechamento de empresas, o desemprego generalizado e a fuga de investidores internacionais. Some a isso tudo os gastos muito além da arrecadação e ao encolhimento da economia em 5,7% em 2015 e 8% este ano, segundo o FMI.

Chávez sonhava em transformar a Venezuela em um exemplo social para a América Latina. As recorrentes violações humanitárias e os erros primários na economia fizeram o contrário. Transformaram uma nação que nadava em petrodólares em o primeiro país do mundo a não ter dinheiro para imprimir dinheiro. Isso é um país com hiperinflação.

Precisamos atentar ao exemplo da Venezuela para sabermos que um país próspero e justo para seus cidadãos depende de uma boa gestão política e econômica, com independência das instituições e transparência para a população. Ninguém quer ser uma Venezuela, mas todos podemos ser se não nos interessarmos em conhecer como funcionam os governos e cobrar deles, no mínimo, responsabilidade na gestão do nosso dinheiro.

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Day after econômico
12 de abril de 2016 at 14:37 0
impeachment

Cada dia que passa os cenários ficam mais confusos, pelas apostas em ambiente político e econômico. O desemprego aumentando a passos largos, inadimplência da cadeia organizada de fornecedores e dívidas bancárias, assim como a inadimplência em todos segmentos estão se acentuando com o passar dos dias. Desta forma, onde iremos ancorar as nossas expectativas de uma solução econômica que está a reboque da solução política sobre quem governa o país? Cada vez mais se acumula um grau maior de incerteza causada pela falta de ação governamental, o que está temporariamente paralisado pela disputa de poder.

Para o mercado em geral, a esta altura não interessa a questão da discussão sobre o contexto Jurídico e sim o que pode vir a impactar a vida de modo geral, pois alguns consensos já estão formados em relação ao que precisa mudar para que a economia volte a sinalizar confiança e que possamos voltar a rodar com perspectiva futura e os investimentos voltem a se normalizar.

A única certeza que temos é que para qualquer projeto econômico que dê perspectiva econômica para o país mudar sua rota de colisão, teremos de passar por reformas estruturais no Congresso, como a questão da previdência e até cortes nos benefícios sociais, além de outras que estão travadas. Essas medidas têm custo político de implementação pela impopularidade.

O embate do governo se cristalizou neste momento entre Dilma e Temer, juntamente com ala do PMDB que saiu da base aliada. O seu programa econômico batizado Plano Brasil, sem dúvida não apresenta grandes novidades, mas é um plano bem coerente e cola mais com o mercado embora também precise de apoio político, pois só será factível com medidas de aprovação junto ao Congresso. E é neste fato que o mercado enxerga maior probabilidade de reorganização econômica, dada a maior capacidade do partido em trazer o PSDB para apoiar o projeto junto ao Congresso.

A expectativa política e econômica, principalmente câmbio e bolsa estarão ancoradas nas votações da Câmara sobre o impeachment em todos os estágios, primeiro sobre a aprovação do encaminhamento do voto do relator que ontem foi aprovado, tendo agora o embate final no domingo próximo pelo Congresso. Mas acredito que o mercado já precificou grande parte do rito do impeachment dentro da velha máxima de mercado, que é: "sobe no boato e cai no fato".

Em um cenário onde o atual governo vença a disputa no Congresso, sem dúvida o novo governo Dilma deverá tentar reorganizar as suas bases políticas com partidos de menor expressão, como PCdoB, PSOL, PP e outros partidos menores de um governo mais à esquerda, além dos movimentos sociais como CUT, MST e outros que ganharão peso e tenderão a exigir um plano econômico que atenda ainda mais as demandas sociais deles em seu governo. Eles se fortalecerão e cobrarão a conta da salvação do seu governo. Sem dúvida será uma grande dor de cabeça para o novo governo Dilma/Lula.

Lula tem dito que a prioridade será novamente o emprego e crescimento e é deste discurso dissonante da realidade fiscal que o mercado não gosta, apesar de saber que normalmente o discurso de rua é repactuado com a realidade econômica. E Lula sabe bem como a economia funciona e também sabe que precisará acalmar os mercados novamente, como foi o caso quando se elegeu pela primeira vez. Assim, possivelmente tentará a mesma fórmula que deu certo em outros tempos e apresentará o nome de um Ministro da Economia que gere uma expectativa positiva, tentando induzir o mercado e a economia a superar este momento de crise aguda econômica.

Sem dúvida a tarefa do atual governo em caso de vitória será mais árdua do que a do Vice-presidente, pois o cacife de credibilidade está muito pequeno para dar a volta por cima de todos os problemas que não são apenas políticos, como os outros escândalos que vêm assolando o partido do PT.

Assim, para contextualizar os dois cenários: o atual governo deverá  gerar maiores expectativas econômicas, dadas as dificuldades em recompor a sua base política, além de o próprio PT não conseguir acomodar todos interesses suprapartidários e próprios em relação à ocupação de cargos deixados pelo PMDB. Neste ponto, tanto dólar como a bolsa deverão sentir o impacto negativamente.

Já um novo governo assumido pelo Vice-presidente Temer, que será mais previsível e menos compromissado com qualquer ala, poderá gerar acordos mais "easy way" no mundo político, necessários para implementar reformas no Congresso.

Não adicionei mais pontos de imprevisibilidade de cenário alternativo, pelas variáveis como a Lava Jato e o TSE. Isso nos faria perder o foco no curto prazo.

Assim, a melhor parte do "day after" é termos alguma definição de para onde o país irá se dirigir, sem desconsiderar as dificuldades e desafios de ambos os lados, o que será sinalizado nesses próximos dias de definição, pois o país não aguentará por mais tanto tempo a disputa de poder.

 
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Moody’s rebaixa Brasil com perspectiva negativa
25 de fevereiro de 2016 at 16:15 0

grau de investimento

Em setembro de 2015 a Standard and Poor’s rebaixou o grau de investimento da economia brasileira. Este movimento foi um choque de realidade para o governo brasileiro, que ainda não tinha assumido publicamente a gravidade da crise. Em dezembro foi a vez da Fitch rebaixar a nota brasileira. A Moody’s, única agência de classificação de risco que ainda mantinha o grau de investimento brasileiro, cortou ontem 2 níveis da nossa nota de uma só vez. O Brasil atualmente é classificado pela Moody’s como Ba2, considerado o nível "junk”, ou uma economia especulativa, não confiável para os investidores.

Uma série de fatores foi determinante para que a Moody’s seguisse esse caminho, assim como aconteceu com a S&P e a Fitch. Além da deterioração nas métricas de crédito do Brasil, o baixo crescimento e o descontrole das dívidas públicas foram determinantes. A perspectiva de que em breve a dívida pública brasileira deverá atingir 80% do nosso PIB é assustadora para os analistas de risco. A falta de credibilidade política também foi um fator determinante nesta decisão.

Segundo a agência, se continuarmos como estamos, ficaremos por dois ou três anos no chamado “crescimento anêmico”, que é quando não há crescimento significativo. A receita é simples: uma economia estagnada não produz dinheiro novo, logo o pagamento de dívidas é prejudicado. Fica também muito difícil conseguir dinheiro para que o governo promova investimentos. Com a taxa de juros se mantendo elevada, o Brasil terá muita dificuldade em pagar a dívida, porque só os juros vão representar aproximadamente 20% de toda receita do governo.

A próxima reunião do Copom será um desafio para o BC, pois apesar do aprofundamento da recessão, a inflação não tem dado trégua como esperado. A grande dificuldade em avaliar a economia daqui para a frente, complica ainda mais a tomada de decisões. O IPCA mais recente demonstrou claramente que o efeito da queda de atividade no Brasil ainda está longe de quebrar a inércia da indexação dos preços administrados, além da inelasticidade de alguns mercados nos preços praticados, o que deixa o efeito da recessão mais rígido e o processo de recuperação mais lento.

Possivelmente seremos obrigados a aprofundar ainda mais a crise para que a inflação comece a cair, pois o efeito da força da política monetária via juros, aparentemente, continuará neutro. Mas apesar de toda dificuldade do quadro, temos de seguir em frente e nos mantermos firmes e confiantes que muitas oportunidades também deverão surgir.

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Um cenário de incertezas para 2016
11 de fevereiro de 2016 at 11:34 0

economia brasileira 2016

Começamos o ano de 2016 com algumas premissas negativas com o IGPM de janeiro, que veio bem acima do esperado. A prévia do mercado apontava para algo em torno de 0,93% e o efetivo ficou em 1,14%.  Sem dúvida que este será um ano de projeções marcadas por váriaveis econômicas complexas e com revisões bastante difíceis, assim como foi o ano de 2015.

Por que houve tanto erro nas avaliações de projeções econômicas ?

Primeiramente, a avaliação da piora econômica e a queda do índice de confiança foram fundamentais para que os números viessem com grandes desvios do projetado. O modelo moderno econômico não contempla hoje somente modelos ortodoxos, como também não só heterodoxos . Se tomarmos como exemplo a economia americana, o FED e o tesouro americano fizeram coisas impensáveis em outros tempos, como se tornarem sócios de instituições, capitalizando e injetando capital de equity nas instituições financeiras com o objetivo de dizer "não vai quebrar".

Olhando para a economia Chinesa, que contempla um modelo fechado e aberto, com políticas econômicas até mesmo agressivas e ao mesmo tempo controlando o fluxo de capital externo e investimentos, principalmente para pessoas físicas que somente têm opção de investirem lá ou em Hong Kong, com modelo híbrido de capitalismo selvagem e comunista, não sabemos dizer o que hoje se torna um modelo certo ou errado economicamente.

Também temos a zona do Euro, que tenta seguir sem sucesso a forma de reativar a economia através de alocação de liquidez abundante no sistema financeiro, além de taxas de custo de dinheiro negativa e tenta reativar a economia até mesmo para que produzam um pouco de inflação. Assim, tentando sair do alto índice de desemprego que vem ha algum tempo se mantendo acima dos 12% ao ano.

O que é então o modelo econômico certo para as nações, que contemplem a satisfação social de suas populações e deixem as contas públicas em ordem? Este é, de modo geral, o desafio de todos os governos, pois os movimentos sociais demandam sem parar e fazem com que a ordem econômica racional, que é somente gastar o que se tem, seja posta de lado pelos interesses das classes. Privados, públicos , políticos, corporativos, sociais e  assim por diante, todos querem manter prioridade em seus interesses, que no final é a procura pelo mundo economicamente  perfeito.

Este mundo não existe e nunca existiu, pois todos os conceitos macroeconômicos politicamente corretos foram quebrados nesta última década. Por isso sou contrário à política de juros ortodoxa neste momento, pois ela  somente contribuirá para agravar a situação delicada e perigosa que estamos passando no Brasil, pois não estamos em um momento de normalidade econômica. Então, medidas de soluções normais não deveriam ser aplicadas, quando nosso momento é similar ao 2008 dos EUA, sem o abalo do sistema financeiro.  Mas basta ver os números negativos e crescente dos indicadores econômicos onde, se nada for feito de concreto, a deterioração das contas serão explosivas.

Estamos passando por um momento de muita incerteza, tanto pelo lado político como pelo econômico, ainda associado aos fatores externos que poderão ser impactantes em todas economia mundial, como: a redução de crescimento ou mesmo o estouro da bolha chinesa, que poderá contaminar outros países Asiáticos, mais a crise dos preços de petróleo que afeta diretamente as Cias. deste ramo e o orçamento de vários países dependentes da receita desta commoditie, podendo o preço de petróleo significar a falência de centenas de produtores.

Até a imigração síria na Europa, que aumenta o problema do continente Europeu, pode se agravar ainda mais com o referendo britânico. Possivelmente deverão votar a saída ou não da comunidade do euro que, caso se concretize (o que acho bem provável), a Alemanha ficará em um posição bastante delicada, pois a conta ficará – em sua maior parte - para ela e poderá comprometer o futuro do Euro, gerando uma maior desvalorização. Então a dúvida sobre o futuro do Euro novamente poderá vir à tona.

O papel de locomotiva econômica volta a se fortalecer na moeda americana que, sem dúvida, continuará a se valorizar perante as outras moedas. Mas não esqueçamos que estamos diante de uma nova eleição americana para presidente e os EUA também têm seus problemas de limite de endividamento. Até quando conseguirá carregar o mundo como locomotiva se todos forem mal?

Voltando ao plano interno, eu diria que podemos avaliar alguns cenários básicos sem nos atrever a sermos honestos com os números, mas simplesmente arriscar através da tendência objetiva e racional:

Considerando que o processo de impechement morre, teremos 3 anos de uma política econômica quase que totalmente presidencialista no sentido de que o Executivo poderá contar com pouco ou quase nenhum apoio no Congresso, exceto por alguns pontos de pauta de interesse comum não muito relevantes. E como vai se governar assim?

Ora, o governo tem de trabalhar com o que tem nas mãos e se preocupar em levar o avião com a asa quebrada para fazer o melhor pouso possível daqui a três anos, utilizando todas as ferramentas disponíveis para fazer uma gestão com o que o momento lhe permite.

Não vai ser onerando o capital, como estavam propondo até a gestão do Ministro Levy, ao tributar todos os tipos de investimentos de renda fixa que foram criados, dividendos, bolsa de valores e patrimônio, pois o cidadão já é tributado em excesso, o capital está cada vez mais concentrado nas mãos de poucos. E isto continuará a ser uma tendência no mundo e não vai mudar assim. É fundamental atrair o capital para interesses comuns, que signifiquem mais empregos e gerem mais impostos, porque o cidadão deveria ser estimulado a aplicar seus recursos aqui no Brasil, mesmo com o alto risco em que se apresenta o país, e não ser estimulado a mandá-lo para fora.

O capital público já foi maltratado ao extremo com projetos de péssimo retorno, mas poderia certamente ser melhor utilizado para reduzir alguns impactos como o crescimento da dívida pública e em outros projetos que pudessem melhorar o impacto no curto prazo.

O momento é de atração de investidores para projetos de demanda. O capital desconfia do momento, mas não para aquisições, como vem sendo demonstrado pelos inúmeros negócios que estão sendo concretizados por estrangeiros e que deveriam ser estimulados via mercado de capitais ao investidor local e externo, pois é ele quem vai investir nos veículos financeiros via mercado de capitais.

Além disso, o governo poderia propor uma desregulamentação e desburocratização de vários setores que emperram a economia, como por exemplo o que estão fazendo para o setor de aviação - poder receber capital estrangeiro e assim viabilizar as cias aéreas que precisam estar fortes, pois são fundamentais à logística das pessoas.

O caso da Petrobras é típico com o lema histórico de “o petróleo é nosso", onde esqueceram de que para ser nosso precisamos ter recursos para extraí-lo. Assim criou-se a besteira da obrigação de ter percentual de nacionalização e a Petrobras ter de ser dona de tudo. Acabamos ficando na mão.

Como estimular o capital a tomar mais risco? Somente através da confiança e credibilidade, coisas que andam bem abaladas por aqui.

O discurso continua invertido, deveria se falar e tomar atitudes claras em relação à contenção dos gastos e metas de redução da máquina governamental e não pedir somente aumento de tributação, o que gera a pior percepção possível. Novamente tenta-se ir pelo caminho mais fácil, que não gera confiança e nem credibilidade.

Falta transparência. O que foi feito de prático em relação à redução dos ministérios e como se está fazendo isso efetivamente? Acredito que 90% da pessoas não têm ideia de muitas medidas que, acredito, devem estar sendo implementadas com vista à redução e racionalização dos custos.

A única linguagem que os donos do dinheiro poderão acreditar é a de que o país está indo em uma direção minimamente coerente, trabalhando forte no corte de custeio da máquina pública. Quando o governo diz que não tem de onde cortar, dá a impressão que na realidade não quer.

Voltando aos cenários, acredito que a inflação será acima dos 10% novamente,  pela instabilidade dos preços e da economia relativamente fechada pela nossa burocracia excessiva. Mesmo com o risco da perda de mercado, o aumento de preços tenderá ser repassado mesmo com a queda de volume, pois a característica de uma lei de mercado como o nosso (fechado e restritivo) é a da ineficiência mercadológica. É assim em todos segmentos, como por exemplo o cartório que não baixa o preço do reconhecimento de firma porque dominam o mercado e o mesmo acontece em vários serviços administrados. Funciona mais ao menos assim: as taxas de cartão de crédito e cheque especial são punitivas a todos por que? Os bons pagam pelo maus pagadores e o modelo não diferencia o bom pagador do mau.

Assim, muito da inflação está na inércia dos preços com exceção das comoditties e varejo. Para dar mais ênfase ao que falo, é como o caso atual do preço do petróleo, que despencou nos mercados internacionais mas o nosso preço interno se mantém inalterado. Isto é economia de mercado fechada, para que entendam bem.

Quanto ao câmbio, acredito que só sobe se agravado por fatores externos, pois acho que vai trabalhar até o teto de R$ 4,50. O dólar é ligado mais a eventuais impactos externos do que internos. Caso aconteça algum evento extraordinário e não precificado na economia mundial, aí sim poderão impulsionar mais o preço do dólar.

Sobre juros, como já venho falando, acredito na manutenção ou até mesmo na queda, dependendo do desaquecimento da economia. Acredito num PIB de -4% ou até mais, dependendo dos fatores políticos ou do cenário de agravamento da crise, impactada pelo imobilismo do governo, se o plano for só o aumento de impostos.

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Bolsa, Câmbio
O câmbio e a China
11 de janeiro de 2016 at 16:15 0

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Dois “circuits breaks” na bolsa chinesa semana passada chamam a atenção, pois no momento o que parece é o que os investidores já temiam: o ajuste chegaria cedo ou tarde. A impressão também é de que uma temporada baixa está apenas no começo.

Sem dúvida o governo chinês vai implementar medidas de caráter preventivo, como injeções de capital para tentar organizar a queda que parece querer se acelerar. Não temos como negar os efeitos colaterais de um período de perda de valor da bolsa chinesa, pela sua importância na economia mundial.

O principal efeito e suas consequências serão nas comoditties, pois o reflexo de um período longo de perdas na China afeta os investimentos chineses que se utilizou bastante das capitalizações de muitas empresas nas diversas áreas da economia, além dos problemas a reboque com os corporates bonds chineses.

De qualquer forma a China tem uma reserva de capital enorme, mas se tornou um mercado extremamente alavancado em equity e crédito corporativo e imobiliário.

Aqui no Brasil, nosso câmbio turbinado pelo ambiente político e econômico que parece não se solucionar tão cedo, poderá ser mais impactado ainda pela variável chinesa - que poderá dar mais um gás na desvalorização da sua moeda como forma de atenuar a queda de consumo e capacidade contínua de manter o soft lending da economia.

A desvalorização do yuan pressiona o preço das comoditties brasileiras, em especial os minérios de ferro e a soja, além de outros na nossa pauta de exportação, pois o país com moeda valorizada tende exportar menos e vice versa. Assim, o preço dos comoditties está em baixa no mundo todo, liderada pelo petróleo que demostra claramente a queda de demanda do consumo mundial, pois o petróleo continua sendo o principal motor de energia mundial.

Neste ponto, acredito que caso os mercados chineses comecem a demonstrar uma desconfiança dos investidores em relação ao futuro, este é um bom motivo para nos preocuparmos como um dos maiores parceiros de nossa pauta de comércio exterior, como também a maioria das economias emergentes que são na sua maior parte dependentes das comoditties.

Enfim, são conjecturas e não previsões. Deixemos para os economistas as projeções e vamos torcer para não estarmos de novo em uma nova onda de desvalorização mundial das moedas, o que poderá aumentar a perda do poder aquisitivo dos países mais vulneráveis. Significa ficar mais pobre. No contraponto, o que pesa positivamente é a impossibilidade de fuga de capital na economia chinesa por parte dos chineses, pois existe uma forte restrição dos investimentos no exterior.

As grandes crises mundiais começaram por perdas em bolsas. Como exemplo, a crise de 1930, que levou a uma grande e longa depressão econômica por mais de uma década. Os modelos de grandes crises se repetem e só mudam a cara: mercado alavancado por leverage de equity e crédito. Resume-se em preservação de patrimônio e foi se repetindo em vários ciclos, no México, na Ásia, o World Trade Center. A crise de 2008 se deu através da quebra da quarta maior instituição financeira, só para lembrar.

Na maioria das vezes,  a motivação é a quase a mesma: desconfiança dos investidores com relação aos preços dos ativos em comparação à capacidade da economia em responder com crescimento necessário.

Se caso a crise no mercado chinês persistir, acredito que novas reavaliações e projeções do dólar começarão a ser feitas ainda este mês e a trégua, que até agora estava à espera de novos fatos internos, poderá reacender o movimento de alta do dólar.

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Bolsa, Câmbio, Investimentos, Política
Cobrança de IR em remessas ao exterior vai alimentar mercado paralelo
7 de janeiro de 2016 at 14:58 0

ir sobre remessas ao exterior

Infelizmente não há notícias animadoras para que eu possa comentar com alguma alegria. Hoje me pego preocupado com a decisão do governo de não renovar a a isenção de Imposto de Renda (IR) para remessas de até R$ 20 mil por mês ao exterior destinadas a despesas educacionais, de serviços turísticos e hospitalares.

Este é mais um absurdo, feito de forma desorganizada, que recai diretamente sobre os brasileiros. Vemos nas estatísticas o grande aumento do número de jovens que foi estudar no exterior. E essa oportunidade para eles é muito importante, pois garante qualidade. Um pai que trabalha, paga seus tributos já altíssimos no Brasil para poder enviar recursos aos filhos que estão no exterior, agora deverá pagar mais 25% sobre essas remessas. Isso provavelmente prejudicará a continuidade de um projeto de vida.

Mas não só esses jovens e famílias serão prejudicados, como também aqueles que estão no exterior em tratamento hospitalar e seus acompanhantes. A consequência social negativa de uma medida estabanada como essa é muito grande.

Além das pessoas físicas e seus projetos pessoais, a decisão afeta as empresas de turismo que mantém negócios e funcionários no exterior. Para essas empresas, a isenção era sobre remessas até R$ 10 mil. Pagar o hotel de um pacote de viagem fechado aqui no Brasil, por exemplo, já custará 25% de imposto a mais. Manter os empregados lá será muito mais oneroso. Ou seja: o risco de demissões também assombra esse segmento.

De acordo com o Jornal Valor Econômico, “para se ter uma ideia dos montantes movimentados em algumas das rubricas que contavam com isenção fiscal, os gastos com educação fora do país somaram US$ 804 milhões em 2015 até novembro; com saúde foram gastos US$ 5 milhões; as viagens de negócios atingiram US$ 1,538 bilhão; e as viagens pessoais outros US$ 9,321 bilhões. “

Sabem o que vai acontecer no meio disso tudo? O efeito inverso. Vai haver um retrocesso de dez anos, jogando fora todo trabalho do setor e do governo para regularizar essa operação, facilitando a vida dos brasileiros sem onerar o orçamento através de uma bitributação. Em vez de atrair mais divisas, o Brasil vai causar uma fuga imensa de capital e ainda inflar o mercado paralelo de maneira impensável.

É uma decisão retrógrada, que vai prejudicar as empresas e famílias que dependem do envio de dinheiro aos seus dependentes no exterior. Espero realmente que haja um movimento para que o governo repense a decisão.

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2016: um ano cheio de desafios
29 de dezembro de 2015 at 14:47 0

Feliz 2016

Feliz ano novo! É essa a expectativa tradicional de um ano vindouro sempre melhor do que o que passou. O ser humano é crédulo e se mantém vivo e forte pela esperança: sem ela já estaríamos mortos.

Mas, na nossa realidade, sem dúvida, o ano de 2016 será duro e difícil para todos os cidadãos brasileiros em todos os níveis sociais: pobres, dependentes do Bolsa Família, os da classe média, ricos, empreendedores, investidores. Todos, sem exceção, terão de trabalhar mais para preservar as conquistas importantes de toda uma década e que agora começam a escapar de nosso controle.

O primeiro desafio será o combate ao desemprego, que tende a crescer fortemente já no primeiro semestre e afetará toda a cadeia de consumo. Nos negócios em geral, deverá haver uma busca incansável por maior produtividade, através de redução de custos nas empresas e profissionais mais qualificados, dado que haverá grande oferta desse tipo de mão de obra no mercado.

Outro grande desafio será o controle da inflação, apesar do ambiente desfavorável em que teremos de trabalhar, com juros altos, consumo reduzido, repasses de câmbio e juros e aumentos de impostos para toda a cadeia produtiva até o consumidor final.

A fórmula de sobrevivência é simples: primeiramente redução de custos; depois,  aumento de produtividade via terceirização para reduzir a carga tributária, mais tecnologia, menos preocupação com aumento de market share, maior repasse de margem de lucro em uma economia que vai encolher pelo menos 8% acumulados no período 2015/2016.

A parte boa para o empreendedor será a via da exportação, beneficiada pelo câmbio e um mercado interno relativamente fechado pela cunha fiscal. Além disso, temos os preços administrados e contratos indexados de serviços, que fazem com que tenhamos pouca margem de manobra sobre a inflação.

O resumo disso tudo é parecido com um ônibus lotado que vem em alta velocidade e dá uma freada para evitar uma colisão. Já sabemos o que acontece: muita gente cai, alguns se machucam e os mais fortes se agarram onde podem e sobrevivem à freada.

Essa analogia é a simplificação de uma economia alavancada por empréstimos e alongamento de prazos e múltiplos de EBITDA de primeiro mundo em que teremos de fazer um ajuste para um ambiente moderado e recessivo, sem o apoio dos bancos governamentais, que terão de conviver com o custo maior da inadimplência.

Esses desafios serão parte do que já conhecemos, mas ainda existem as variáveis desconhecidas, que sempre podem impactar a vida das pessoas, como, por exemplo, o advento da Lava à Jato que, com a prisão de André Esteves, seu presidente, quase implicou a destruição de valor do BTG Pactual e, sem dúvida, gerou ainda maior perda de valor para o mercado, já que se trata do maior Banco de Investimento da América Latina.

Um ponto que se deve considerar é a manutenção do sistema financeiro num ambiente benigno, com seus principais participantes fortes e capitalizados, com um alto desenvolvimento bancário promovido pelo Banco Central no que se refere a um dos melhores sistemas de pagamento do mundo.

Em todas as economias que foram destruídas, seus principais bancos quebraram ou afugentaram os bancos estrangeiros através de governos populistas, como foi o caso de Argentina, Portugal e Grécia.

Quanto mais preservado for o sistema financeiro, mais forte e rápida será a retomada do crescimento, pois a economia é irrigada por esses agentes bancários. Esse é um ponto a favor do Brasil.

Tenho fé de que todos vão se preparar para a tempestade que pode vir, mas ela vai passar e o brasileiro, que sabe fazer isso, deve se  reinventar em todos os segmentos e níveis sociais. Nada ocorre em vão: vamos, pelo menos, ganhar mais consciência para escolher nossos governantes, pois é através do voto que faremos um país melhor sem nos deixarmos enganar por promessas fáceis e levianas. É com a qualificação do voto que chegaremos ao Olimpo.

Que todos tenham um feliz ano novo, cheio de esperança!

Saul Sabbá, Dezembro de 2015

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Câmbio
Câmbio no Brasil: O problema é operacional, não regulamentar
17 de novembro de 2015 at 17:23 0

câmbio

A notícia que circula hoje é sobre o documento que o PMDB pretende apresentar: um manifesto com 10 propostas para resolver a crise econômica no país. Não importa o partido nesta hora, precisamos pensar no que é melhor para todo mundo. O problema da briga partidária no Brasil, como falei no artigo “House of Cards” é que as disputas cegam os agentes responsáveis pela mudança e solução.

As propostas do PMDB, apresentadas pelo Temer no Congresso da Fundação Ulysses Guimarães, são austeras, com a sugestão principal de reforma do Orçamento da União, com mudanças na Previdência, Saúde, Educação, até na atuação do Banco Central.

Um dos pontos defendidos pelo PMDB é uma mudança na forma que o BC intervém no câmbio. Muito se fala no Brasil sobre intervenção no câmbio, mas nem todos compreendem como a coisa funciona. Existem basicamente três formas de atuação estatal em câmbio. O Swap, que é adotado atualmente, o spot e o forward. Como o próprio nome diz, o Swap é uma troca, quando não existe a entrega da moeda. Existe apenas uma liquidação financeira pela diferença de taxas de câmbio na data de vencimento, podendo ser positiva ou negativa para o BC. Isso é feito para que o governo consiga segurar o valor da moeda sem que suas reservas fiquem vazias, pois há a recompra. Se o BC não adotar essa linha e acabar passando para o spot, haverá o esvaziamento, pois essa operação implica na troca de uma moeda por outra, ou seja, vendemos dólar em troca de reais, euros ou qualquer outra moeda estrangeira. Falar em mudança na abordagem do BC em relação a intervenção é para inglês ver. Pretendem fazer o que? Congelar o dólar como foi feito na Argentina? Deixar que ele flutue livremente em um ambiente com fragilidade estrutural e conjuntural? O problema é operacional e não regulamentar.

Indo contra o propósito de união de forças, o documento criou uma polêmica imensa dentro do próprio PMDB e com aliados do governo. O documento ao menos enxerga e assume que o país está num momento crítico e que algo precisa ser feito, pois o tempo acabou e não podemos mais continuar na inércia esperando as mudanças que sim, têm de ser estruturais.

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