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Moody’s rebaixa Brasil com perspectiva negativa
25 de fevereiro de 2016 at 16:15 0

grau de investimento

Em setembro de 2015 a Standard and Poor’s rebaixou o grau de investimento da economia brasileira. Este movimento foi um choque de realidade para o governo brasileiro, que ainda não tinha assumido publicamente a gravidade da crise. Em dezembro foi a vez da Fitch rebaixar a nota brasileira. A Moody’s, única agência de classificação de risco que ainda mantinha o grau de investimento brasileiro, cortou ontem 2 níveis da nossa nota de uma só vez. O Brasil atualmente é classificado pela Moody’s como Ba2, considerado o nível "junk”, ou uma economia especulativa, não confiável para os investidores.

Uma série de fatores foi determinante para que a Moody’s seguisse esse caminho, assim como aconteceu com a S&P e a Fitch. Além da deterioração nas métricas de crédito do Brasil, o baixo crescimento e o descontrole das dívidas públicas foram determinantes. A perspectiva de que em breve a dívida pública brasileira deverá atingir 80% do nosso PIB é assustadora para os analistas de risco. A falta de credibilidade política também foi um fator determinante nesta decisão.

Segundo a agência, se continuarmos como estamos, ficaremos por dois ou três anos no chamado “crescimento anêmico”, que é quando não há crescimento significativo. A receita é simples: uma economia estagnada não produz dinheiro novo, logo o pagamento de dívidas é prejudicado. Fica também muito difícil conseguir dinheiro para que o governo promova investimentos. Com a taxa de juros se mantendo elevada, o Brasil terá muita dificuldade em pagar a dívida, porque só os juros vão representar aproximadamente 20% de toda receita do governo.

A próxima reunião do Copom será um desafio para o BC, pois apesar do aprofundamento da recessão, a inflação não tem dado trégua como esperado. A grande dificuldade em avaliar a economia daqui para a frente, complica ainda mais a tomada de decisões. O IPCA mais recente demonstrou claramente que o efeito da queda de atividade no Brasil ainda está longe de quebrar a inércia da indexação dos preços administrados, além da inelasticidade de alguns mercados nos preços praticados, o que deixa o efeito da recessão mais rígido e o processo de recuperação mais lento.

Possivelmente seremos obrigados a aprofundar ainda mais a crise para que a inflação comece a cair, pois o efeito da força da política monetária via juros, aparentemente, continuará neutro. Mas apesar de toda dificuldade do quadro, temos de seguir em frente e nos mantermos firmes e confiantes que muitas oportunidades também deverão surgir.

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Bolsa, Juros, Política
Os rumos do Brasil
20 de janeiro de 2016 at 08:29 0

post_blogdosaul

Todos já sabemos que o Brasil passa por um problema sério com suas commodities, principalmente pela baixa histórica do barril de petróleo e da volatilidade da economia chinesa, responsável pela importação de 50% do nosso minério de ferro. Cada vez mais interessado por economia, muitos brasileiros já se conformaram com as projeções pessimistas para 2016. Não há remédio milagroso, e a melhora vai depender de ajustes certeiros tanto na área financeira quanto na política, que não está ajudando na suavização da crise.

As economias dos países emergentes, em geral, têm sofrido bastante com a queda generalizada dos preços das commodities e a valorização do dólar. Especialmente a Venezuela e o Brasil que, além de terem uma grande parte de sua receita atrelada às exportações de petróleo e minério, ainda passam pelos problemas domésticos – que não são poucos. Países de primeiro mundo também sofrem com esses problemas, e a moeda canadense que normalmente segue a regra do um para um, desvalorizou quase 50%, e hoje são necessários 1,45 dólares canadenses, o CAD, para comprar one dollar bill.

Preocupado com o problema brasileiro mais sentido pelos pais de família, que é a inflação que derrete a renda de famílias e empresas, o Copom fará hoje a sua primeira reunião do ano para definir se sobe a taxa de juro para 14,25%. O resultado da reunião sairá a noite, mas é provável e quase certo que sim, o BC irá manter a taxa ou no máximo subir 0,25%.

Já disse anteriormente que a subida da taxa é uma decisão necessária, mas com resultados pouco garantidos, podendo afetar ainda mais as dívidas com o percentual repassado aos preços. Já em janeiro o IPCA deu um susto na população, nos mostrando as altas nos preços dos itens mais básicos.

Muitos amigos me perguntam sobre a realidade da economia brasileira e as chances de recuperação, mas tudo o que tenho são interrogações. Por mais que os especialistas tentem analisar e prever, no fim das contas ninguém consegue saber muito. Qual a eficácia da política monetária no momento? Qual o impacto de elevação dos juros no controle da inflação, se a percepção é fiscal? Qual o impacto dos juros SELIC no custo dos empréstimos, se os spreads estão exacerbados em função do risco Brasil? Quanto da inflação não está indexada aos contratos e aos indexadores que mantém/reduzem a capacidade dos juros?

Enfim, meus amigos. O negócio é torcer para que quem está no controle saiba o que está fazendo, e trabalhar muito, com muita cautela, porque este ano não será céu de brigadeiro. Isso, ao menos, é uma certeza.

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Bolsa, Câmbio
O câmbio e a China
11 de janeiro de 2016 at 16:15 0

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Dois “circuits breaks” na bolsa chinesa semana passada chamam a atenção, pois no momento o que parece é o que os investidores já temiam: o ajuste chegaria cedo ou tarde. A impressão também é de que uma temporada baixa está apenas no começo.

Sem dúvida o governo chinês vai implementar medidas de caráter preventivo, como injeções de capital para tentar organizar a queda que parece querer se acelerar. Não temos como negar os efeitos colaterais de um período de perda de valor da bolsa chinesa, pela sua importância na economia mundial.

O principal efeito e suas consequências serão nas comoditties, pois o reflexo de um período longo de perdas na China afeta os investimentos chineses que se utilizou bastante das capitalizações de muitas empresas nas diversas áreas da economia, além dos problemas a reboque com os corporates bonds chineses.

De qualquer forma a China tem uma reserva de capital enorme, mas se tornou um mercado extremamente alavancado em equity e crédito corporativo e imobiliário.

Aqui no Brasil, nosso câmbio turbinado pelo ambiente político e econômico que parece não se solucionar tão cedo, poderá ser mais impactado ainda pela variável chinesa - que poderá dar mais um gás na desvalorização da sua moeda como forma de atenuar a queda de consumo e capacidade contínua de manter o soft lending da economia.

A desvalorização do yuan pressiona o preço das comoditties brasileiras, em especial os minérios de ferro e a soja, além de outros na nossa pauta de exportação, pois o país com moeda valorizada tende exportar menos e vice versa. Assim, o preço dos comoditties está em baixa no mundo todo, liderada pelo petróleo que demostra claramente a queda de demanda do consumo mundial, pois o petróleo continua sendo o principal motor de energia mundial.

Neste ponto, acredito que caso os mercados chineses comecem a demonstrar uma desconfiança dos investidores em relação ao futuro, este é um bom motivo para nos preocuparmos como um dos maiores parceiros de nossa pauta de comércio exterior, como também a maioria das economias emergentes que são na sua maior parte dependentes das comoditties.

Enfim, são conjecturas e não previsões. Deixemos para os economistas as projeções e vamos torcer para não estarmos de novo em uma nova onda de desvalorização mundial das moedas, o que poderá aumentar a perda do poder aquisitivo dos países mais vulneráveis. Significa ficar mais pobre. No contraponto, o que pesa positivamente é a impossibilidade de fuga de capital na economia chinesa por parte dos chineses, pois existe uma forte restrição dos investimentos no exterior.

As grandes crises mundiais começaram por perdas em bolsas. Como exemplo, a crise de 1930, que levou a uma grande e longa depressão econômica por mais de uma década. Os modelos de grandes crises se repetem e só mudam a cara: mercado alavancado por leverage de equity e crédito. Resume-se em preservação de patrimônio e foi se repetindo em vários ciclos, no México, na Ásia, o World Trade Center. A crise de 2008 se deu através da quebra da quarta maior instituição financeira, só para lembrar.

Na maioria das vezes,  a motivação é a quase a mesma: desconfiança dos investidores com relação aos preços dos ativos em comparação à capacidade da economia em responder com crescimento necessário.

Se caso a crise no mercado chinês persistir, acredito que novas reavaliações e projeções do dólar começarão a ser feitas ainda este mês e a trégua, que até agora estava à espera de novos fatos internos, poderá reacender o movimento de alta do dólar.

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Bolsa, Câmbio, Investimentos, Política
Cobrança de IR em remessas ao exterior vai alimentar mercado paralelo
7 de janeiro de 2016 at 14:58 0

ir sobre remessas ao exterior

Infelizmente não há notícias animadoras para que eu possa comentar com alguma alegria. Hoje me pego preocupado com a decisão do governo de não renovar a a isenção de Imposto de Renda (IR) para remessas de até R$ 20 mil por mês ao exterior destinadas a despesas educacionais, de serviços turísticos e hospitalares.

Este é mais um absurdo, feito de forma desorganizada, que recai diretamente sobre os brasileiros. Vemos nas estatísticas o grande aumento do número de jovens que foi estudar no exterior. E essa oportunidade para eles é muito importante, pois garante qualidade. Um pai que trabalha, paga seus tributos já altíssimos no Brasil para poder enviar recursos aos filhos que estão no exterior, agora deverá pagar mais 25% sobre essas remessas. Isso provavelmente prejudicará a continuidade de um projeto de vida.

Mas não só esses jovens e famílias serão prejudicados, como também aqueles que estão no exterior em tratamento hospitalar e seus acompanhantes. A consequência social negativa de uma medida estabanada como essa é muito grande.

Além das pessoas físicas e seus projetos pessoais, a decisão afeta as empresas de turismo que mantém negócios e funcionários no exterior. Para essas empresas, a isenção era sobre remessas até R$ 10 mil. Pagar o hotel de um pacote de viagem fechado aqui no Brasil, por exemplo, já custará 25% de imposto a mais. Manter os empregados lá será muito mais oneroso. Ou seja: o risco de demissões também assombra esse segmento.

De acordo com o Jornal Valor Econômico, “para se ter uma ideia dos montantes movimentados em algumas das rubricas que contavam com isenção fiscal, os gastos com educação fora do país somaram US$ 804 milhões em 2015 até novembro; com saúde foram gastos US$ 5 milhões; as viagens de negócios atingiram US$ 1,538 bilhão; e as viagens pessoais outros US$ 9,321 bilhões. “

Sabem o que vai acontecer no meio disso tudo? O efeito inverso. Vai haver um retrocesso de dez anos, jogando fora todo trabalho do setor e do governo para regularizar essa operação, facilitando a vida dos brasileiros sem onerar o orçamento através de uma bitributação. Em vez de atrair mais divisas, o Brasil vai causar uma fuga imensa de capital e ainda inflar o mercado paralelo de maneira impensável.

É uma decisão retrógrada, que vai prejudicar as empresas e famílias que dependem do envio de dinheiro aos seus dependentes no exterior. Espero realmente que haja um movimento para que o governo repense a decisão.

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Bolsa, Investimentos
“Circuit Braker”: a paralisação da Bolsa chinesa
4 de janeiro de 2016 at 18:10 0

circuit braker

Começamos a primeira segunda feira útil do ano com a surpresa, que foi o "circuit braker" nas bolsas chinesas, que é a interrupção das operações, pela primeira vez na história. As bolsas do mundo inteiro foram afetadas. No Brasil, a BOVESPA entrou em queda e o dólar passou R$ 4,00.

A indústria chinesa vem encolhendo por 10 meses consecutivos, o que preocupa a todos, pois a China é um dos maiores importadores e também um grande exportador e, quando seu desempenho diminui, afeta os mercados do mundo todo.

Por sermos grandes parceiros comerciais, o problema na China agrava ainda mais a situação da economia brasileira. Com a perspectiva de redução do crescimento chinês neste ano, as nossas exportações serão diretamente afetadas, principalmente a de minério de ferro. Metade de todo minério de ferro extraído no Brasil é importado pela China. Sim, 50% de toda nossa produção. A soja também é uma commoditie que será afetada, porém temos as compensações em todo mercado global.

O movimento de desvalorização do dólar também é um fator preocupante para o Brasil. O ciclo de desvalorização das moedas dos países emergentes vai dificultar ainda mais o fortalecimento das exportações e das importações para as empresas brasileiras. As exportações são grandes aliadas à indústria neste momento de crise econômica no país.

O Brasil agora, mais do que nunca, precisa providenciar uma maneira rápida e eficaz de avançar nas reformas que, ao menos, possam impedir a piora deste quadro.

Feliz 2016, Brasil!

 
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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
2016: um ano cheio de desafios
29 de dezembro de 2015 at 14:47 0

Feliz 2016

Feliz ano novo! É essa a expectativa tradicional de um ano vindouro sempre melhor do que o que passou. O ser humano é crédulo e se mantém vivo e forte pela esperança: sem ela já estaríamos mortos.

Mas, na nossa realidade, sem dúvida, o ano de 2016 será duro e difícil para todos os cidadãos brasileiros em todos os níveis sociais: pobres, dependentes do Bolsa Família, os da classe média, ricos, empreendedores, investidores. Todos, sem exceção, terão de trabalhar mais para preservar as conquistas importantes de toda uma década e que agora começam a escapar de nosso controle.

O primeiro desafio será o combate ao desemprego, que tende a crescer fortemente já no primeiro semestre e afetará toda a cadeia de consumo. Nos negócios em geral, deverá haver uma busca incansável por maior produtividade, através de redução de custos nas empresas e profissionais mais qualificados, dado que haverá grande oferta desse tipo de mão de obra no mercado.

Outro grande desafio será o controle da inflação, apesar do ambiente desfavorável em que teremos de trabalhar, com juros altos, consumo reduzido, repasses de câmbio e juros e aumentos de impostos para toda a cadeia produtiva até o consumidor final.

A fórmula de sobrevivência é simples: primeiramente redução de custos; depois,  aumento de produtividade via terceirização para reduzir a carga tributária, mais tecnologia, menos preocupação com aumento de market share, maior repasse de margem de lucro em uma economia que vai encolher pelo menos 8% acumulados no período 2015/2016.

A parte boa para o empreendedor será a via da exportação, beneficiada pelo câmbio e um mercado interno relativamente fechado pela cunha fiscal. Além disso, temos os preços administrados e contratos indexados de serviços, que fazem com que tenhamos pouca margem de manobra sobre a inflação.

O resumo disso tudo é parecido com um ônibus lotado que vem em alta velocidade e dá uma freada para evitar uma colisão. Já sabemos o que acontece: muita gente cai, alguns se machucam e os mais fortes se agarram onde podem e sobrevivem à freada.

Essa analogia é a simplificação de uma economia alavancada por empréstimos e alongamento de prazos e múltiplos de EBITDA de primeiro mundo em que teremos de fazer um ajuste para um ambiente moderado e recessivo, sem o apoio dos bancos governamentais, que terão de conviver com o custo maior da inadimplência.

Esses desafios serão parte do que já conhecemos, mas ainda existem as variáveis desconhecidas, que sempre podem impactar a vida das pessoas, como, por exemplo, o advento da Lava à Jato que, com a prisão de André Esteves, seu presidente, quase implicou a destruição de valor do BTG Pactual e, sem dúvida, gerou ainda maior perda de valor para o mercado, já que se trata do maior Banco de Investimento da América Latina.

Um ponto que se deve considerar é a manutenção do sistema financeiro num ambiente benigno, com seus principais participantes fortes e capitalizados, com um alto desenvolvimento bancário promovido pelo Banco Central no que se refere a um dos melhores sistemas de pagamento do mundo.

Em todas as economias que foram destruídas, seus principais bancos quebraram ou afugentaram os bancos estrangeiros através de governos populistas, como foi o caso de Argentina, Portugal e Grécia.

Quanto mais preservado for o sistema financeiro, mais forte e rápida será a retomada do crescimento, pois a economia é irrigada por esses agentes bancários. Esse é um ponto a favor do Brasil.

Tenho fé de que todos vão se preparar para a tempestade que pode vir, mas ela vai passar e o brasileiro, que sabe fazer isso, deve se  reinventar em todos os segmentos e níveis sociais. Nada ocorre em vão: vamos, pelo menos, ganhar mais consciência para escolher nossos governantes, pois é através do voto que faremos um país melhor sem nos deixarmos enganar por promessas fáceis e levianas. É com a qualificação do voto que chegaremos ao Olimpo.

Que todos tenham um feliz ano novo, cheio de esperança!

Saul Sabbá, Dezembro de 2015

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Bolsa, Investimentos, Juros, Política
Um novo cenário inesperado.
3 de dezembro de 2015 at 14:20 0
crise
Está difícil fazer previsões econômicas e políticas, dado o fator de imprevisibilidade. Já começávamos a acreditar que estávamos começando a enxergar as variáveis possíveis, como comentei em outro artigo intitulado House of Cards, pois dentro do meu cenário sempre considerei a estabilidade financeira bancária, além das reservas cambiais como um diferencial na nossa crise que se aprofunda e, sem dúvida, entrará na "Hora da Verdade" no primeiro trimestre de 2016, com um aprofundamento e com acúmulo dos fatores externos que não ajudam em nada a situação.
Agora a crise será turbinada por mais desdobramentos alheios ao mercado. Mal recuperamos o fôlego sobre as notícias vinculadas à Lava-Jato e veio a notícia da aceitação por parte do Presidente da Câmara da abertura do processo de impeachment, que muda o quadro radicalmente. É certo que se desenham vários cenários, como já vínhamos comentando, de que a solução econômica passará pelo cenário político, cuja deterioração certamente acontecerá com a perda de mais um ou dois Investment Grades, em função do recrudescimento da crise no primeiro trimestre de 2016, apelidada pelos economistas de Hora da Verdade.
O que podemos esperar em relação a investimentos no curto prazo? Não está difícil apostar em uma nova alta do dólar, mesmo nestes patamares. Possivelmente poderemos vê-lo acima de R$ 4,50  já no primeiro trimestre de 2016. Quanto à situação dos juros está mais difícil de avaliar, pois o aprofundamento da recessão, quando poderemos considerar um possível PIB negativo no ano que vem por volta de até 3%, não deixa muitas opções de uma nova alta de juros, com a inflação em patamares parecidos com 2015. Uma grande dose de incerteza sobre os acontecimentos políticos, agora turbinados pela decisão de Cunha, poderá deixar o governo e o BC com pouca margem de manobra e refém da inflação em alta, desemprego em alta e aumento de déficits de todas as naturezas.
A economia será o ponto de inflexão para a presidente da República, pois a insatisfação popular será alimentada ou não pelos resultados econômicos que, em caso de piora - o que é muito provável, poderão incendiar novamente as ruas. Cunha jogou gasolina na fogueira.
Outro ponto grave é que, até então, os investidores estrangeiros efetivamente não retiraram recursos do país. Agora, em função destas variáveis internas e externas acima mencionadas, somadas à incerteza política dos nossos líderes e mais o que pode acontecer pelo lado da Lava Jato através das novas delações, serão geradas mais incertezas no mercado.
Os próximos capítulos de House of Cards mostrarão o clímax total a partir de agora, como já venho falando em outros artigos. A melhor solução será a resolução, pois o pior dos mundos seria nada acontecer.
Acho que vem chuva por aí, vamos procurar um bom abrigo para não levarmos um raio na cabeça.
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Bolsa, Investimentos, Política
Fusões e negócios com estrangeiros disparam no Brasil em crise
27 de novembro de 2015 at 13:42 0

fusões e negócios

O dólar alto tem atraído para o Brasil investidores estrangeiros que enxergam, em meio à instabilidade política e econômica, uma oportunidade de obter rendimentos. Aparentemente as empresas estrangeiras estão apostando mais no Brasil do que as nacionais, como falei no meu artigo anterior sobre investidores estrangeiros que desembarcam no país atraídos pelo dólar.

Segundo a Pricewaterhouse, desde o ano 2000, é a primeira vez que as empresas internacionais fazem mais negócios com o país do que as locais. Basta vermos o número de grandes fusões que aconteceram ultimamente, como por exemplo a Coty que comprou a Hypermarcas. A Price diz que em 2015, já foram fechados por estrangeiros 285 negócios de fusões e aquisições no Brasil, o que significa 5% a mais do que 2014. Já os negócios brasileiros representam 26% a menos do que no mesmo período do ano passado, sendo 275 negócios neste ano.

O que preocupa é que este ano foi péssimo para o mercado de capitais em geral. Aqui dentro as nossas empresas têm sentido o forte impacto da inflação e da instabilidade econômica, enquanto – apesar do entusiasmo – os investidores estrangeiros foram impactados com a nossa perda de grau de investimento pelas agências de rating, a economia chinesa e a perspectiva de alta dos juros americanos.

A queda nos negócios este ano, representam 35% em relação ao ano passado. A Bovespa, a BM&F estão trabalhando com um volume inferior. O pior desempenho desde 2008, quando a crise internacional estava no auge. Todas as transações foram afetadas, incluindo renda fixa, debêntures, CRIs e FIDCs.

O que podemos ver é que foram feitas mudanças para fortalecer o mercado de capitais, que tem sido uma alternativa de crédito para empresas. Mas ainda a maior fonte de renda para empresas abertas tem sido o mercado internacional. E temos agora a padronização das debêntures, que podem ser uma saída, com maior liquidez.

A aquisição da Alpargatas pelo grupo J&F na segunda-feira por R$ 2.6 bilhões mostra que o mercado nacional ainda se movimenta, mas para quem acostumou a ver empresas brasileiras em constante expansão interna e externa, como a compra do Burger King ou da Budweiser, o momento atual é de angustia.

Os boatos de que mais uma agencia reduzirá o rating nacional contrastam com as expectativas de que o Brasil saia da recessão na metade do ano que vem. Como eu já disse antes, ao investidor sábio e preparado resta uma única estratégia: esperar e observar com calma, para não ser pego desprevenido e ficar atento para fazer bons negócios que aparecerem.

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Bolsa
A possível fusão das bolsas
5 de novembro de 2015 at 09:59 0

bolsas

Onde há fumaça, há fogo. Por enquanto a notícia de uma possível fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip é apenas boato, o que obviamente não poderia ser confirmado dado que nestas negociações o sigilo é fundamental, mas a experiência diz que quando vaza para a imprensa é porque algo está acontecendo.

A Bovespa e o Cetip trabalham com operações distintas e concorrem somente no segmento de renda fixa que hoje, cada vez mais, tende a aumentar dado o ambiente macroeconômico. Já por outro lado, o Equity tem caído cada vez mais pela mesma razão.

Pessoalmente não vejo com bons olhos a fusão, pois o mercado hoje já carece de uma maior competitividade e de produtos inovadores. Ao longo dos anos a Bovespa, como empresa de Cia aberta, não deu grandes contribuições neste campo além do fracasso de incremento de investidores na bolsa de valores. Ao longo de 5 anos de operação nesta etapa em que a Bovespa se encontra hoje, o número de investidores se mantém congelado, por volta de 500 mil.

Sem dúvida que a BM&FBovespa foi um bom negócio para seus acionistas, mas para corretores e empresas listadas tenho minha dúvidas e, para confirmar, basta ver a quantidade de Corretoras que fecharam as portas. O crescente fechamento de capital e cancelamento de registro de empresas listadas falam por si só. As mais significativas foram a Corretora Souza Barros, com 50 anos de atividade e a Cia. Souza Cruz que anunciou fechamento de capital.

A última vez que me recordo de uma compra e aquisição, foi a da SOMA, sociedade entre operadores mercado de acesso, que tinha como objetivo um modelo de plataforma nos moldes do  NASDAQ e seria o acesso para pequenas empresas de middle market e startups de tecnologia. Até hoje a Bovespa não conseguiu fazer decolar através do Bovespa Mais, criado para substituir a SOMA, um modelo que funcionava e que foi comprado, enterrado e está até hoje escondido em uma gaveta qualquer. Meu receio é que o Cetip seja descaracterizado totalmente, pois com em razão do seu tamanho e da forma que opera o engavetamento não é uma opção viável.

A fusão poderia ser considerada boa, mas para quem? Para o mercado com certeza não, pois corremos o risco de termos um monopólio, com uma só bolsa fazendo as duas atividades. Nós já vimos este papo de mercado grande e único. Para que e por quê?

Na realidade não está faltando dinheiro para investimentos nas duas bolsas, mas sim uma gestão direcionada mais ao mercado, além de produtos mais condizentes com a nossa realidade, resolvendo o acesso de pequenas e médias empresas que hoje só têm o mercado de renda fixa e o crédito para acessar.

É muito pouco ainda termos na Bovespa apenas 500 mil, quando a meta eram 5 milhões de investidores pessoa física, em 10 anos.

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
Inflação x Empresas
3 de novembro de 2015 at 17:44 0

inflação

Os jornais de hoje mais uma vez trazem a o cenário de como a crise política está afetando a economia brasileira. Segundo alguns especialistas, essa crise política afeta mais os mercados do que a crise econômica em si, já que a desconfiança se traduz em inflação no patamar de 10% e a taxa de câmbio no absurdo patamar de R$ 4,00.

Sobre a inflação as estimativas continuam a piorar, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central (BC). O IPCA este ano subiu de 9,85% para 9,91%. Para 2016, avançou de 6,22% para 6,29%. O Banco Central prevê manter as taxas de juros estáveis em 14,25 pelo menos até julho/2016, apesar da alta da inflação. Já o mercado tem visto esses números como otimistas, acreditamos em uma alta maior do que a estimada pelo governo.

Por causa da inflação e da alta do dólar, muitas empresas estão extremamente endividadas e, para não quebrarem ou evitarem demissões, estão negociando rolagem nos pagamentos dos compromissos firmados com os bancos e o perdão no descumprimento de algumas cláusulas contratuais. As instituições financeiras, por sua vez, estão fazendo de tudo para evitar a inadimplência.

Já o preço do dólar é uma oportunidade para que investidores estrangeiros apostem no mercado nacional. Concordo com as opiniões de que o Brasil está muito barato, em termos de mercado, e investir agora no Brasil é ter a possibilidade de retorno muito alta.

As startups brasileiras de tecnologia, por exemplo, perderam em 4 vezes o poder de compra, entretanto o investimento em dólar está em apenas 1 quarto do que costumava ser. Acredito que os investidores que têm condições de aplicar no mercado brasileiro devem vir, dentro dos próprios critérios estabelecidos, pois quando a crise política se resolver, certamente todos nos beneficiaremos.

 
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