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Brasil pós-carnaval: perspectivas boas para economia
8 de março de 2017 at 11:04 0

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Março começou cheio de notícias com potencial de modificar o panorama econômico mais uma vez. A semana curta e meio morta depois do Carnaval ficou bem agitada para o observador econômico, como notícias do Banco Central, Mercado Financeiro, FED e Balança Comercial.

Certamente a mais importante é a projeção da redução da taxa SELIC para a faixa de 9,25% ao final de 2017 por analistas do mercado financeiro, resultado da estabilidade de 4 semanas da taxa. Já o Comitê de Política Monetária – COPOM, avalia que o cenário é favorável e que há possibilidade de desinflação, com meta do IPCA em 4,5% para 2017 e 2018.

Esses números são estimativas e sempre baseados no comportamento das economias em época de crise. Por exemplo, se os preços não aumentam, a inflação tende a diminuir e o consumo a aumentar. Os analistas já estimam que o crescimento da economia fica 2,37% para 2018 e o dólar cai de R$ 3,40 para R$ 3,37.

Parece cedo para apresentar essas estimativas para 2018 e até 2019 em alguns casos, mas essas previsões são fundamentais nas tomadas de decisões. De forma prática, as informações são essenciais na escolha de um investimento pré ou pós-fixado, por exemplo.

Nos Estados Unidos os anúncios do FED também são importantes pois divulgam dados da atividade econômica americana e como isso pode afetar o restante da economia mundial. A expectativa é de alta de juros, especialmente se o presidente Trump implementar algumas medidas anunciadas no discurso ao Congresso americano no último dia 28.

O superávit da balança comercial brasileira de US$ 4,56 bi em fevereiro é recorde para o mês, desde 1989, e resultado do aumento das exportações de semimanufaturados e manufaturados. A projeção de queda do dólar tende a aumentar a demanda por produtos brasileiros, aumentando também os postos de trabalho e fazendo girar a economia. Talvez não seja ainda resultado direto dos dados a serem anunciados pelo FED, mas com as exportações brasileira já estão aumentando.

As notícias mostram que os caminhos estão se alinhando para nós, brasileiros. Que nós saibamos caminhar na direção certa e tomar as melhores decisões, aproveitando o momento que, se não é totalmente favorável, com certeza pode é bem melhor que neste mesmo período do ano passado.

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Solução à vista!
7 de fevereiro de 2017 at 16:00 0
2017-02-07-SaulS-SocialMedia-FB_v2   O início de fevereiro marcou o início de um período com sinais otimistas para o mercado, que considera as variáveis favoráveis para a resolução da crise de liquidez pela qual passamos. Com a queda de 0,75% na taxa de juros, a inflação sinalizando ficar dentro da meta de 4,5% e a possibilidade do governo emplacar a reforma da Previdência, as coisas poderão melhorar mais rápido do que imaginamos. O mercado é cíclico e embora as crises não sejam iguais, é possível aprender com as situações do passado. Vivemos hoje uma crise de liquidez de ativos, especialmente no mercado de infraestrutura, agravado pelos desdobramentos da operação Lava a Jato. O consumidor está altamente endividado por uma política de crédito que não garantia a manutenção do pagamento e os estoques imobiliários são os maiores em muitos anos. Se compararmos a crise brasileira à chamada Crise Americana dos Mercados de 2009, acabamos vendo contornos bastante similares. Naquele ano a bolha de ativos imobiliários dos Estados Unidos foi rompida e causou um efeito cascata, se alastrando rapidamente para vários outros mercados. Em um sistema altamente alavancado por crédito, a perda da capacidade econômica dos consumidores causou a destruição da riqueza e da poupança em geral, exatamente como assistimos em filmes e livros que retratam aqueles dias. A alta alavancagem de mercados via instrumentos derivativos formaram uma perda de capital de tal magnitude que o consumidor americano passou a comprar em outlets e atacadistas, enquanto os latinos e turistas frequentavam shoppings e na Bloomingdale's. Passaram-se ainda quatro anos para que os consumidores voltassem a reativar a economia devastada. Obviamente, dado o contexto econômico e o destaque dos países no cenário internacional, as instabilidades americana e brasileira estão longe serem iguais, entretanto adquirem contornos semelhantes quando analisamos o conteúdo. Aqui no Brasil a Operação Lava a Jato paralisou todo o segmento de infraestrutura que estava contaminado pela corrupção, consequentemente criando uma crise nos ativos ligados ao setor. São concessões e contratos que não se conseguem assumir e cumprir em diversos ramos: estradas, energia, petróleo, telecomunicações e muitos outros. Considerando apenas o setor de infraestrutura, veremos que os números estão na casa das dezenas de bilhões. O outro aspecto essencial, esse sim bastante semelhante ao exemplo americano, se refere à política de crédito imobiliário estabelecida pelo governo petista, sem base sólida e concedido como benesse política. O programa Minha Casa Minha Vida ofereceu crédito e outros benefícios de forma abundante ocasionando o alto endividamento do consumidor, tornando o sonho da casa própria em uma fonte de dívida e acarretando o aumento nos estoques em níveis nunca atingidos anteriormente, em razão do aumento dos distratos - o encerramento do contrato de venda com a devolução dos imóveis. Ativos de ambos os segmentos, imobiliário e infraestrutura, estão à venda por todo o Brasil. A queda da taxa de juros, aliada à reforma trabalhista e previdenciária pode ser o gatilho para o retorno do investimento estrangeiro ao nosso país. Sabemos que a velocidade no retorno do crescimento econômico tem relação com a volta da liquidez dos ativos imobiliários e de infraestrutura. Não foi à toa que o governo americano, via FED, deu liquidez a estes ativos com programas especiais de compras, para que o sistema fizesse uma reoxigenação e voltasse a emprestar novamente. Nosso caso é um pouco diferente pois não existe securitização altamente alavancada por este tipo de derivativos, porém temos muitos títulos à venda no Brasil e se houvesse algum programa de estímulo, e não de subsídio, poderíamos voltar com maior velocidade para gerar capacidade de investimentos e voltar a estancar a alta do desemprego que deve caminhar para 13% em 2017. No momento toda reestruturação de empresa governamental passa por venda de ativos da Petrobras, Eletrobrás e muitas outras empresas, além de um grande encalhe no setor de construção imobiliária. Baseado em minhas observações econômicas, tenho convicção que estamos passando por uma crise sistêmica de liquidez de ativos de várias ordens de grandeza, tendo como consequência a obstrução a médio prazo da retomada do crescimento. Enfim, encontrar comprador é a ordem do momento e nós temos os estímulos necessários - a LIG, Letra Imobiliária Garantida, que está sendo normatizada e poderá a ser mais um instrumento de estruturação financeira. Basta apenas a coragem para fazer acontecer.
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Bolsa, Investimentos
Fundo de Vícios: A estabilidade do politicamente incorreto no mercado de ações
28 de outubro de 2016 at 10:14 0

Fundo de Vícios: A estabilidade do politicamente incorreto no mercado de ações

Semanas atrás falei sobre o Índice de Sustentabilidade e como apostar em uma gestão que apoia o desenvolvimento sustentável faz a diferença na reputação da empresa frente aos investidores e consumidores dos seus produtos. É interessante desenvolver a questão, uma vez que mercados mais sofisticados tendem a segmentar melhor os grupos de ações, dando ao investidor opções para diversificar em momentos de crise.

Um desses segmentos é o chamado The Vice Bin, constituído de empresas consideradas politicamente incorretas, do ramo de tabaco, bebidas alcoólicas, armamentos, cassinos e outras e, questões morais à parte, o raciocínio é que as pessoas não param de beber, fumar ou jogar em decorrência da crise, pelo contrário.

Antes de prosseguir é importante salientar que não há juízo de valor do mercado em relação a esses fundos, no entanto alguns investidores possuem uma política de responsabilidade social que os impede de aplicar nesses fundos. Com o esvaziamento dessas carteiras as ações ficam mais baratas e a rentabilidade maior. Os investidores procuram ações de empresas que sejam estáveis e tenham boa rentabilidade e as empresas listadas nesse nicho oferecem esses atributos, pois atuam em setores chamados inelásticos, ou seja, a demanda por esses produtos não flutua em razão de instabilidades políticas ou econômicas.

A título de curiosidade, na Bolsa de Valores de NY, as ações da Phillip Morris tiveram, de janeiro a março deste ano, uma alta de 27,4% em relação ao ano passado. Já no Brasil, a AMBEV e a Souza Cruz têm se destacado pelos bons resultados e acumulam ganhos acima dos papeis de outras empresas.

Isso não significa que não haja riscos. As empresas de cigarro sofrem processos judiciais milionários e que têm impacto direto no valor de suas ações. Já as empresas de bebida alcoólica dependem dos resultados de outros setores que determinam a oferta dos produtos - como a produção agrícola de cevada e lúpulo, por exemplo. Outro ponto a se considerar é que muitas vezes as exigências para as empresas desses fundos são maiores em termos de governança e responsabilidade social, para melhorar a imagem junto ao público.

Nos Estados Unidos e Europa esse segmento vem obtendo sucesso e resultados muitos bons ao investidores, mas não há indícios de que esse setor possa se instalar no Brasil tão cedo. A confiança no mercado é a principal variável para que exista esse nível de segmentação e a Bolsa de Valores brasileira ainda tem muito o que caminhar nesse aspecto.

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Bolsa
Excelência na Bolsa de Valores: O Novo Mercado no Brasil
20 de outubro de 2016 at 16:49 0
card_sauls_20_10 Todos sabem que defendo a reforma do modelo de negócios brasileiro da Bolsa de Valores, por isso venho acompanhando atentamente as discussões sobre as mudanças no Novo Mercado. Ainda é cedo para formar uma opinião mais contundente, entretanto já é possível visualizar o impacto de alguns pontos que estão sendo debatidos. Para quem ainda não conhece, o Novo Mercado é uma importante classificação e que indica as empresas com melhores práticas de governança corporativa. Transparência na gestão, metodologia de redução de riscos aos investidores, prestação de contas e especialmente equidade com os minoritários são recorrentes neste segmento e vão além do que é exigido na legislação. Como consequência, as empresas que estão inseridas nesta listagem detêm mais credibilidade e uma maior percepção de confiança por parte dos investidores. É preciso lembrar que até chegar ao Novo Mercado as empresas devem atender os itens dos níveis I e II, todos relacionados com a construção de um mercado forte e confiável. Quando foi criado o Novo Mercado no ano 2000, alguns requisitos que eram diferenciais de alta qualificação hoje são obrigatórios. Essa evolução tem relação com o amadurecimento do mercado e é preciso registrar que a CVM vem fazendo um bom trabalho de ajustar a legislação e as normativas à nova realidade, tornando obsoletos alguns desses requisitos. Um dos pontos de maior contenção prevê a saída voluntária ou decorrente de reorganização societária. A proposta feita pela BM&FBovespa condiciona a saída das empresas do Novo Mercado à aceitação da OPA (oferta pública de aquisição de ações) e concordância expressa de mais de 50% dos acionistas titulares das ações em circulação, para combinarem o preço mínimo das ações. Essa é uma proposta ousada, pois dá voz aos minoritários, já que hoje a única condicionante é a OPA e a saída da listagem é muito mais fácil que a entrada, o que prejudica os pequenos investidores. A proteção dos minoritários é primordial para dar ao mercado a credibilidade necessária a aumentar o aporte de capitais no país, mas não podemos esquecer que estimular mecanismos de fiscalização e controle também é. Em tempos de operação Lava-Jato, ter um conselho administrativo que passe segurança de suas decisões é essencial para se alcançar um novo patamar de qualidade em administração. Já mencionei aqui sobre o Índice de Sustentabilidade e agora a responsabilidade socioambiental também deverá se tornar requisito para a excelência em governança para a Bolsa. Apesar de esperada há muito tempo, essas mudanças vêm causando debates intensos e colocando em aberto questões que estiveram adormecidas por anos. A própria CVM caminha na direção de criar um código de governança corporativa único para todas as empresas no mercado o que deve fazer com que o Novo Mercado tenha outra reviravolta.  Os próximos encontros sobre a questão devem ocorrer no início de novembro e em fevereiro de 2017. Sigo acompanhando e aspirando por uma mudança significativa que leve o mercado de capitais brasileiro ao patamar de excelência das maiores Bolsas do mundo.
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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Política
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos
14 de julho de 2016 at 15:59 0
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos

Para quem não é do meio, fica muito difícil acompanhar os acontecimentos mundiais que impactam as moedas, os investimentos, a Bolsa. Então, decidi fazer um paralelo entre esses assuntos que acontecem ao mesmo tempo e que estão criando expectativas no mercado financeiro do mundo todo.

Nos EUA, se aguarda o resultado das eleições presidenciais que acontecem esse ano. A disputa tem sido cheia de polêmicas, inclusive com discursos extremistas. A cada notícia de força entre os adversários, o mercado reage. Há uma expectativa de que se a Hilary vencer, o mercado terá mais conforto. E se o mercado dos EUA estiver confortável, o resto do mundo é afetado positivamente.

Na Europa, o assunto é o Brexit, que causou uma tempestade de incertezas na zona do Euro. As consequências, com as quedas consecutivas da Bolsa, ainda são uma incógnita aos investidores. As incertezas e a volatilidade do mercado podem causar retração da economia europeia, o que causaria consequências negativas no mundo todo.

Já no Brasil, a expectativa é a consolidação do impeachment. O mercado tem reagido positivamente às posições do governo Temer e sua equipe econômica, com reais expectativas de recuperação, mesmo sabendo que é um processo lento e difícil. A incerteza que paralisa é a dúvida se a presidente afastada retorna ou não ao comando do país.

Como podemos observar, a política afeta a economia em todos esses cenários. E, em qualquer dos ambientes, o que precisamos para que voltem os investimentos é de solução, conclusão, definição. A partir da definição de todos esses assuntos é que começaremos a ver os resultados.

Ao Brasil interessa tanto a estabilidade interna quanto externa, pois isso tem reflexo direto nas exportações. Em um país com câmbio elevado como agora, a exportação é uma ferramenta importantíssima para captação de recursos e equilíbrio da balança comercial.

Para se ter ideia, só nas duas primeiras semanas de julho, a balança comercial teve um superávit de US$ 1,48 bilhões (fonte: MDIC). As exportações têm tido uma média diária de mais de 800 milhões de dólares, o que significa aumento de 2,9% em relação a 2015. Já as importações tiveram um recuo de 17,2%.

Hoje tivemos a notícia de que o PIB de maio teve um tombo em relação ao mês anterior. A queda do PIB em relação ao ano passado é de 3,8%, caracterizando a forte recessão: desemprego, inadimplência, queda de consumo e produção. E, como nosso mercado interno não está aquecido, nossas indústrias têm se mobilizado para atender o mercado externo. A estabilidade americana e europeia são essenciais para continuarmos vendendo e, consequentemente, administrando a crise e trabalhando para reconstruir a nação.

Como podemos ver, no mercado de investimentos não há independência. Os três assuntos são relevantes para a relação de fluxo de capitais no Brasil.

Resumindo, a eleição de Donald Trump significa para os EUA o mesmo impacto que o Brexit tem para os europeus e a volta de Dilma para o Brasil. Espero que não tenhamos uma pororoca tríplice, seria uma catástrofe. Que Deus nos abençoe. Amém!

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
O país parado à espera do rito do impeachment
13 de junho de 2016 at 13:43 0
rito do impeachment

A situação política e econômica parecia estar definida, aparentemente. Mas uma série de acontecimentos mantém o governo interino como refém do rito do impeachment. As novas gravações e delações, agora contra o PMDB e o PSDB, colocam as definições e decisões em um campo minado a fim de não contrariar a base, pois o placar está apertado no Senado.

Imaginamos que enquanto enquanto persistir a dúvida do rito se efetivar, o balcão de barganhas no Senado vai ganhando corpo e impactando a confiança das pessoas, principalmente investidores.

Apesar da baixa probabilidade, caso ocorra a não definição do governo Temer e volta da Dilma, fica a dúvida de como seria um "day after" da governabilidade neste cenário. Seria impactante para todos, com as cenas política e econômica totalmente imprevisíveis. Haveria uma grande possibilidade de nova eleição. Mas será que o país aguentaria trocas de ministérios novamente? Um grande caos.

A crise econômica chegou e formou consistência. Nas ruas basta observar os shoppings, restaurantes, bares, estradas e o medo do desemprego que começa a rondar todas atividades afetadas pelo baixo consumo. Não é sem razão que o governo já percebeu que precisa fechar este assunto do impeachment, pois as medidas econômicas mais duras acabam sendo adiadas em função da fragilidade política e da vulnerabilidade do atual governo em ter de agradar a todos partidos de apoio.

Do outro lado, persiste uma expectativa de apoio relativo da população que gritou "fora PT" mas não deu carta branca ao novo governo, pois a bandeira principal foi o "chega de corrupção”. Quanto mais o atual presidente cede aos partidos, mais frágil fica a governabilidade perante o povo brasileiro.

Após a última reunião do Copom mantendo a taxa de juros nos patamares atuais e a inflação ainda resiliente, mesmo com a brutal queda de consumo, a indexação se mantém viva e pode adiar a queda dos juros tão aguardada. Mas a curva futura, que é um eixo principal de um BC com credibilidade junto ao mercado, já poderá dar ao  governo Temer um cenário de maior expectativa otimista - muito mais pela escolha da equipe econômica, com a liderança do Meirelles.  As expectativas inflacionárias futuras advirão com fortalecimento da confiança e credibilidade delegada à condução da política monetária sem interferências de viés partidário na economia.

Isto é o que o mercado entendeu e é o voto que o presidente atual recebeu com as taxas futuras vindo para patamares mais aceitáveis. O  primeiro speech do novo presidente do BC mostrou que o dólar reagiu para baixo, com a sinalização da volta da flutuação cambial. Com menos intervenção por parte do BC, sem dúvida o dólar poderá ser um aliado em ajudar a trazer a inflação a patamares aceitáveis.

Apesar desta seleção de quadros altamente qualificados na área econômica, vamos ter de conviver com uma grande incerteza até a finalização do rito do impeachment. O andamento e os últimos acontecimentos da Lava Jato, nos deram mostras de que vem muito mais por aí, pois ainda faltam delações importantes como a do próprio Marcelo Odebrecht e do tesoureiro do PT.

Só se ganha a guerra quando esta termina, sempre foi assim e o Presidente atual Michel Temer sabe disso.

Acredito assim que, apesar da complexidade atual do cenário econômico e político, devemos trabalhar com um viés otimista e nos mantermos atentos aos eventos que poderão influir na consolidação do rito ou não. Não podemos perder a confiança na nossa capacidade de reagir, tanto nos negócios como na nossa vida pessoal. Como diz a velha sabedoria, caminhar em tempos difíceis fortalece a alma, e devemos sempre estar caminhando. É isso que aconteceu nas grandes crises mundiais: sobreviver para poder prosperar.

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Bolsa, Finanças, Investimentos
Procura-se uma bolsa de startups
31 de maio de 2016 at 12:04 0

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Apesar dos noticiários estarem com a atenção voltada para os acontecimentos políticos e econômicos, o que temos de certeza é que viver e empreender, a vida pessoal e corporativa, continuam a ser o nosso grande desafio. Seja qual for a sociedade, a questão central passa pelo capital, pela renda, pelo emprego e consequentemente pelas grandes corporações e por milhares de pequenos empreendedores de todos segmentos. Se analisarmos o impacto da atuação dos pequenos empresários e startups podemos ver que, sem dúvida, são eles que mais geram emprego, fomentam a competitividade e oxigenam saudavelmente a economia por meio da descentralização de investimentos.

Grandes cartéis deixam a sociedade estruturalmente na mão de poucos. Podemos afirmar que vários segmentos mantém a concentração econômica bastante elevada. A tendência é aumentar cada vez mais essa predisposição, caso não sejamos capazes de revitalizar ou gerar oportunidade para o pequeno empreendedor e o capital de risco, por meio dos venture capital.

Atualmente, apenas pela via de fundos especializados as pequenas e médias empresas, PME, e startups tem acesso ao capital. Esse único sistema de acesso é muito pouco  em relação à demanda de capital por parte de empresários de negócios, principalmente tecnológicos. A política do último governo foi bastante incentivadora para grandes grupos e despejou bilhões de reais nas mãos de poucos, por intermédio de bancos governamentais. Esta má-formação do capital vem desconstruindo uma melhor distribuição de resultados corporativos.

Por mais de 10 anos a Bovespa tenta implementar sem sucesso o mercado de ações para este grupo, o de startups e PME. Apesar de possuir praticamente o monopólio deste mercado, não consegue atrair nem o capital e nem o empresário, devido a complexidade do sistema desejado e entendido como o justo e o correto para os participantes.

Reepensar no SOMA, com algumas pequenas alterações de uma forma a modernizá-lo para que seja um ambiente que facilite a vida dos empreendedores e investidores, com regras simples e sem grandes burocracias, é uma opção para a Bovespa. Empresas de menor porte teriam um mercado em que possam acessar capital de uma forma mais moderna. O Fintech é um dos exemplos de que a desintermediação  bancária já começou, com empréstimos pessoais em cartões de débitos. Outros sites estão começando a simular levantamento de capital por vias diversas como crowdfunding, por exemplo. Sem dúvida que estes modelos serão mais difundidos, pois a demanda de pequenas empresas e principalmente startups de área tecnológica de aplicativos são a nova tendência.

O brasileiro é um povo muito criativo, ele não pode ter somente um sistema bancário de 5 bancos que detenham 80% e só sabe falar a linguagem do juros. Um artigo no Estadão, demonstra que esses mesmos cinco bancos dominam as OPAs no país. Segundo a reportagem, uma das consequências dessa concentração é a elevação do tíquete médio, inviabilizando a entrada de pequenas e médias empresas no mercado financeiro.

A Bovespa poderia fazer bem mais, nesse aspecto. O “I do my best” não parece ser a sua principal preocupação pois, além de não sair dos mesmo 500 mil investidores, ainda se tornou a campeã em fechamento de empresas. A meta de 5 milhões de investidores alardeada no passado ficou para trás. Esses dados demonstram que o fracasso da Bovespa em abrir o mercado de ações para pequenas e médias empresas é incontestável e deveria ser uma lição para quem trabalha com mercado financeiro. Regras complexas afastam os investidores e mantém o mercado congelado.

Acredito que poderíamos ser bem mais do que somos em mercado de ações. Aproveitando o squeeze de crédito que temos e a alta demanda pelas empresas startups de tecnologia, deveríamos reunir investidores de capital de risco em torno da mesa para entender e tentar usar este momento como o começo de uma nova bolsa que está incubada e adormecida dentro da própria  Bovespa. O SOMA um sistema descomplicado e rapidamente teremos as Fintechs da Bolsa, em que a relação de interesse predomina sobre o monopólio de mercado.

Em tempo de crise, o capital também está a procura de oportunidade que devem ser aproveitadas sem grandes burocracias. Um bom começo é dar chance a milhares de empreendedores de ter um centro de negociação com uma instituição de respeito e competente na implantação das negociações. Uma boa semente a ser plantada é usar o clearing da Bovespa e a revitalização do Mercado de Balcão organizado, deixando a semente plantada crescer com a mesma simplicidade dos aplicativos atuais e a predominância tecnológica.

Aí sim poderemos dizer: I do my best!

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Política
Day after econômico
12 de abril de 2016 at 14:37 0
impeachment

Cada dia que passa os cenários ficam mais confusos, pelas apostas em ambiente político e econômico. O desemprego aumentando a passos largos, inadimplência da cadeia organizada de fornecedores e dívidas bancárias, assim como a inadimplência em todos segmentos estão se acentuando com o passar dos dias. Desta forma, onde iremos ancorar as nossas expectativas de uma solução econômica que está a reboque da solução política sobre quem governa o país? Cada vez mais se acumula um grau maior de incerteza causada pela falta de ação governamental, o que está temporariamente paralisado pela disputa de poder.

Para o mercado em geral, a esta altura não interessa a questão da discussão sobre o contexto Jurídico e sim o que pode vir a impactar a vida de modo geral, pois alguns consensos já estão formados em relação ao que precisa mudar para que a economia volte a sinalizar confiança e que possamos voltar a rodar com perspectiva futura e os investimentos voltem a se normalizar.

A única certeza que temos é que para qualquer projeto econômico que dê perspectiva econômica para o país mudar sua rota de colisão, teremos de passar por reformas estruturais no Congresso, como a questão da previdência e até cortes nos benefícios sociais, além de outras que estão travadas. Essas medidas têm custo político de implementação pela impopularidade.

O embate do governo se cristalizou neste momento entre Dilma e Temer, juntamente com ala do PMDB que saiu da base aliada. O seu programa econômico batizado Plano Brasil, sem dúvida não apresenta grandes novidades, mas é um plano bem coerente e cola mais com o mercado embora também precise de apoio político, pois só será factível com medidas de aprovação junto ao Congresso. E é neste fato que o mercado enxerga maior probabilidade de reorganização econômica, dada a maior capacidade do partido em trazer o PSDB para apoiar o projeto junto ao Congresso.

A expectativa política e econômica, principalmente câmbio e bolsa estarão ancoradas nas votações da Câmara sobre o impeachment em todos os estágios, primeiro sobre a aprovação do encaminhamento do voto do relator que ontem foi aprovado, tendo agora o embate final no domingo próximo pelo Congresso. Mas acredito que o mercado já precificou grande parte do rito do impeachment dentro da velha máxima de mercado, que é: "sobe no boato e cai no fato".

Em um cenário onde o atual governo vença a disputa no Congresso, sem dúvida o novo governo Dilma deverá tentar reorganizar as suas bases políticas com partidos de menor expressão, como PCdoB, PSOL, PP e outros partidos menores de um governo mais à esquerda, além dos movimentos sociais como CUT, MST e outros que ganharão peso e tenderão a exigir um plano econômico que atenda ainda mais as demandas sociais deles em seu governo. Eles se fortalecerão e cobrarão a conta da salvação do seu governo. Sem dúvida será uma grande dor de cabeça para o novo governo Dilma/Lula.

Lula tem dito que a prioridade será novamente o emprego e crescimento e é deste discurso dissonante da realidade fiscal que o mercado não gosta, apesar de saber que normalmente o discurso de rua é repactuado com a realidade econômica. E Lula sabe bem como a economia funciona e também sabe que precisará acalmar os mercados novamente, como foi o caso quando se elegeu pela primeira vez. Assim, possivelmente tentará a mesma fórmula que deu certo em outros tempos e apresentará o nome de um Ministro da Economia que gere uma expectativa positiva, tentando induzir o mercado e a economia a superar este momento de crise aguda econômica.

Sem dúvida a tarefa do atual governo em caso de vitória será mais árdua do que a do Vice-presidente, pois o cacife de credibilidade está muito pequeno para dar a volta por cima de todos os problemas que não são apenas políticos, como os outros escândalos que vêm assolando o partido do PT.

Assim, para contextualizar os dois cenários: o atual governo deverá  gerar maiores expectativas econômicas, dadas as dificuldades em recompor a sua base política, além de o próprio PT não conseguir acomodar todos interesses suprapartidários e próprios em relação à ocupação de cargos deixados pelo PMDB. Neste ponto, tanto dólar como a bolsa deverão sentir o impacto negativamente.

Já um novo governo assumido pelo Vice-presidente Temer, que será mais previsível e menos compromissado com qualquer ala, poderá gerar acordos mais "easy way" no mundo político, necessários para implementar reformas no Congresso.

Não adicionei mais pontos de imprevisibilidade de cenário alternativo, pelas variáveis como a Lava Jato e o TSE. Isso nos faria perder o foco no curto prazo.

Assim, a melhor parte do "day after" é termos alguma definição de para onde o país irá se dirigir, sem desconsiderar as dificuldades e desafios de ambos os lados, o que será sinalizado nesses próximos dias de definição, pois o país não aguentará por mais tanto tempo a disputa de poder.

 
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Bolsa, Investimentos, Tecnologia
Novidade: crowdfunding para projetos imobiliários
7 de março de 2016 at 14:51 0
crowdfunding

Vejam que interessante a matéria da BBC que li hoje sobre as novas oportunidades que surgem com o avanço da tecnologia. O Synapse Development Group (SDG) decidiu investir em um novo projeto de hotel – uma nova filial do high tech Yotel em San Francisco (EUA) – através de um site de financiamento coletivo. Com a promessa de descontos em diárias e outras diversões, mais retorno anual de 18% a 20%, foram atraídos investidores do mundo inteiro, que na primeira etapa investiram em média US$ 50 mil.

De acordo com o diretor executivo do SDG, “Hotéis frequentemente são mais rentáveis que outros ativos no mercado de imóveis. Sendo assim, sob uma perspectiva de investimento, atraem bastante a atenção especialmente em mercados maiores.”.

Uma empresa especializada em financiamentos coletivos, a Massolution, estima que os investimentos para negócios imobiliários através do crowdfunding movimentaram US$ 1 bilhão em 2014 e evoluíram em 2015 para cerca de US$ 2,5 bilhões.

Vários lugares do mundo têm divulgado seus projetos imobiliários, especialmente para construção de hotéis, em sites de financiamento coletivo. Tudo começou nos Estados Unidos e expandiu para outras regiões como Emirados Árabes e Tailândia, por exemplo, variando as regras, de acordo com cada local, sobre quem pode investir.

Normalmente, a oferta é a venda de ações, podendo o investidor se tornar dono de uma pequena parte do negócio ou da companhia.

Com US$ 10 mil, em geral, você já pode fazer um investimento mínimo ou diversificar as compras dentro de vários projetos.

Mas a prudência, como em todo investimento, deve ser bem observada. Há riscos, é claro. Como no financiamento coletivo praticamente não se interage com o dono do negócio, é imprescindível a cautela de verificar como outros projetos foram geridos. A ingerência do negócio costuma ser a principal causa de perda.

Porém, ainda de acordo com a matéria, o sucesso tem sido garantido em 80% dos casos. Bacana, não acham?

Leia a matéria completa com mais detalhes e informações, que eu quis compartilhar hoje com meus amigos e leitores.

Infelizmente no Brasil ainda não temos essa modalidade de investimento imobiliário, porém estamos num momento em que podemos aproveitar o segmento. A MP 694, que tributava os lucros sobre os investimentos imobiliários, espantou investidores e derrubou preços das cotas. Muita gente saiu perdendo, mas a proposta foi retirada neste ano e tivemos uma pequena melhora no mercado. Por conta da crise e da dificuldade em repassar a inflação para os preços, ainda é um investimento arriscado. Além disso, a taxa de vacância está muito alta. Porém, para alguns especialistas o risco esse ano é menor do que no ano passado. Precisamos sempre observar a diversificação e a gestão ativa dos negócios, para correr menos riscos.

Com a maturidade do mercado de crowdfunding no Brasil, oportunidades como esta aparecerão e poderiam ajudar no crescimento do país, pois o turismo é uma ótima maneira de atração de capital. Acompanhar a tecnologia da informação e diversificar modalidades é abrir muitas novas oportunidades; e a inovação no mercado financeiro é fundamental para o sucesso de muitos.

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Bolsa, Investimentos
Por que a Bovespa quer a Cetip?
2 de março de 2016 at 10:44 0
bovespa cetip
Após alguns meses, a Bovespa faz nova tentativa de compra da Cetip e parece que poderá ter mais sucesso, pois as péssimas condições de mercado em geral, com a conjuntura caótica dos preços das ações, favorece as fusões. O presidente do Conselho de Administração e o presidente executivo da BM&FBovespa divulgaram uma carta aberta aos acionistas explicando os principais benefícios que resultariam dessa fusão. Segundo a carta, o resultado seria uma maior eficiência operacional. Apesar das tentativas da Bovespa em aumentar o seu share, ela continua tendo dificuldades de penetração neste mercado de renda fixa. A Cetip também não conseguiu evoluir em outro mercado além do que atua, pois é a única empresa nacional que poderia se constituir de fato como uma Bolsa concorrente. Então, por que é importante a Bolsa consolidar o mercado da Cetip que domina o mercado de renda fixa ha décadas? São vários pontos positivos e outros negativos sobre essa compra que podem dizer se ela será benéfica ou não: No lado positivo, a fusão causará um fortalecimento da Bolsa brasileira, onde consolidaria os dois principais ativos, ações e renda fixa. Assim, poderá melhorar a eficiência de garantias para uma só clearing que se comunica, gerando maior possibilidade de coberturas de margens através de dois tipos de garantias: de ações e renda fixa. Isso daria um incremento de receitas de sinergias operacionais. Certamente aumentaria a lucratividade das duas através de outros serviços consolidados. Pelo lado negativo, eu diria que o ponto principal está na cultura da Bovespa em fazer os mercados baseada em sugestões teóricas, como vimos acontecer com o mercado de "over the counter" ou mercado de balcão, assim como aconteceu com a BBF - Bolsa Brasileira de Futuros. Estas duas e únicas aquisições das quais me lembro, tiveram simplesmente o objetivo de retirar o player ou concorrente do jogo, usando o argumento de que a consolidação seria benéfica ao mercado. O que vimos foi exatamente o contrário, pois a Bolsa comprou a SOMA (nome desta Bolsa de balcão, que foi desenvolvido pela Bolsa do Rio de Janeiro em comum acordo com as outras Bolsas regionais), com o objetivo de ser uma ponte para empresas que ainda precisavam de maior incentivo educacional para amadurecer como Cia. aberta, mas a SOMA foi enterrada em uma gaveta e a Bovespa patina até hoje, quase 10 anos depois, na implantação do Novo Mercado que foi idealizado pela mesma. Não quero polemizar a questão da SOMA, pois sempre fui um crítico desta aquisição pela Bovespa e o resultado fala por si só: é incontestável o fracasso do projeto da Bovespa para pequenas e médias empresas. O caso da BBF do Rio de Janeiro também teve o mesmo caminho: igual objetivo de consolidar e fortalecer o mercado, mas o projeto foi enterrado. Quero crer que o caso da  Cetip poderá ter um fim diferente das demais aquisições, embora não seja o que demonstra o passado. Se acaso for a estratégia da Bolsa somente retirar o concorrente player do mercado, poderemos ficar preocupados com as consequências do monopólio. Acredito também no fato de que a vontade da oferta de aquisição pode ter sido motivada pela percepção futura dos mercados globais, diante da situação econômica dos países que vêm se dividindo no primeiro mundo buscando equilíbrio econômico, como: EUA, Inglaterra, Canadá, Suíça, Alemanha. Esses são os chamados países desinflacionários, ou mesmo que precisam fabricar um pouco de inflação. Eles atrairão cada vez mais investidores para suas bolsas, pois cada vez menos investidores encontram razão para investir em bolsas locais e não globais, pois hoje podemos comprar empresas nacionais em bolsas de NY, Londres ou Zurique. Já nos países chamados inflacionários, como o nosso e outros latinos, a principal atratividade por um bom período será a renda fixa, pois estes tenderão a pagar taxas de juros muito mais atraentes que o chamado primeiro mundo em termos de estabilidade econômica. O mais racional é que os investidores busquem a Equity: bolsas de primeiro mundo e renda fixa de segundo e terceiro, pois como sabemos o juros negativo já é uma realidade contemporânea e acentuará esta diferença agora. Assim, pode ser que a Bovespa esteja vislumbrando perder mercado - não pela concorrência interna, mas sim pela demanda dos investidores que poderão se deslocar para as bolsas de países mais desenvolvidos podendo investir diretamente em empresas locais. Os investidores são mais atraídos pelas vantagens de se estar em um mercado com melhor qualidade de informação, mais liquidez e melhor capacidade do acionista minoritário se defender. Vejamos o exemplo do impacto da derrocada da Petrobras, cobrando indenizações via grandes escritórios de advocacia para defenderem investidores consorciados. De qualquer forma, a compra da Cetip pela BM&FBovespa poderá ser o equilíbrio entre esses pontos positivos e negativos, abrindo uma possibilidade real de que a fusão poderá ser benéfica ao mercado como um todo. Fazer o simples nos dias de hoje pode ser a maior virtude de uma empresa. Se a Bovespa adiquirir a Cetip para ganhar cultura e tiver a capacidade de entender a diferença entre as duas  empresas, poderá vir a ter sucesso. Vimos isso acontecer com algumas empresas, como exemplo o Itaú, Unibanco, Ambev e muitas outras que souberam ter a humildade do aprendizado e adaptar a realidade dos projetos funcionais e não sonhos de primeiro mundo. Welcome to the reality, Brazil.
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