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Libra: muito mais do que uma Criptomoeda. Direito de inclusão.
4 de julho de 2019 at 13:49 0

O anúncio da criptomoeda do Facebook em consórcio com grandes players de meios de pagamento como PayPall, Mastercard, Visa e algumas das principais companhias do mundo no segmento, gerou uma expectativa e uma explosão de interpretações das mais variadas correntes, tanto institucionais quanto técnicas, e de agentes financeiros como os Bancos Centrais de diversos países.

Todos sabemos que o sistema financeiro atual tem uma aparência de perfeito, porém a realidade está muito distante. Desde o evento das Torres World Trade Center, em 2000, o mundo mudou consideravelmente e não podemos dizer que foi para melhor. Assim, o mundo financeiro estruturou um fechamento de liberdade económica nunca visto anteriormente, pois seguido aos controles antiterroristas de fluxo de capitais, ainda tivemos a crise sistêmica dos bancos em 2008, proveniente da bolha dos chamados “ativos tóxicos” ou sub prime.

Em conjunto aos controles de compliance antiterrorismo, a normatização bancária imposta pelos órgão reguladores, que normatizavam e moderavam os capitais segundo o critério de que o capital deveria ser somente para os incluídos no conceito patrimonial correto, ou seja, capital versus garantias reais, sejam imobiliárias, recebíveis ou correlatos. Da mesma forma, criou-se uma barreira de entrada na economia ativa, isto é, transferências e outras movimentações bancárias somente para a massa comprovadamente empregada dentro do sistema regulado trabalhista.

Impedir a inclusão bancária a quem não possui comprovadamente uma relação formal de trabalho torna muito difícil a vida dos que estão na cidade ou no campo e possuem uma produção econômica. Somente considerando o Brasil, podemos dizer que 40% da população não se encontra dentro desta formalidade. A Libra está de olho neste público que não tem conta, mas têm celular e poderia se conectar financeiramente com o mundo por este meio de pagamento. Por incrível que pareça, traria de certa forma a inclusão econômica para milhões de pessoas que se conectam pela internet e pelos celulares.

Porque uma criptomoeda e não um ativo real, como muitos acostumados a regulação atual pensam? Onde está o lastro?

Atualmente, o lastro de todas as moedas é a credibilidade. Nesse sentido, a proposta do Facebook é abrangente e, com certeza, deverá ser utilizada por milhões de pessoas que se sentem desassistidas para mínimos movimentos financeiros em que se substitua o papel moeda em definitivo. Assim poderia existir a verdadeira inclusão financeira. Lembrem-se que hoje, para que se possua algum meio de pagamento, seja o cartão ou transferência, é necessário o Cadastro de Pessoa Física, CPF, ou o celular, que por sua vez deverá funcionar como uma wallet ou documento de identidade. É o novo mundo chegando.

Somente para corroborar o meu apoio a esta proposta, já venho me posicionando há algum tempo sobre a questão das criptomoedas e blockchain, este também uma revolução nos sistemas de tecnologia e desburocratização. Nós hoje já não somos donos do nosso dinheiro e nem da movimentação livre. Se você quiser pegar seu dinheiro declarado e simplesmente sacar ou movimentar por qualquer razão quantias que não são normalmente aceitas, já se torna uma pessoa suspeita pelo compliance. Atualmente o seu direito de movimentar já não esta mais na vertente principal do sistema bancário.

Como estamos hoje? Porque a proposta da Libra é amplamente favorável, no meu ponto de vista.
Sem dúvida, as regulamentações tem que vir a reboque, para que não tenhamos mecanismos sem nenhum critério de controle do mau uso da ferramenta. Os órgãos reguladores estão aí para isto mesmo, colocar ordem nos avanços da tecnologia, para que não vire mais um mecanismo de corrupção e desvio de impostos.

Em nossos dias, o domínio mundial de uma moeda é muito preocupante, principalmente para os países emergentes, que não produzem tanto dólar ou euros e precisam possuir uma reserva absurda em moeda estrangeira somente para se proteger da desvalorização cambial. Não é producente e levanta a questão do por quê não existir um comércio exterior entre países menores que não dependa, necessariamente, de euro ou dólar e sim nas suas moedas nacionais.

Sabemos que a resposta é a falta de credibilidade e podemos apontar como caso prático o Brasil e a Argentina.

Assim, para concluir o meu raciocínio, um facilitador de meio de pagamento ajudaria bastante o mundo pois, contrariamente aos que pensam que o Facebook deteria controle, não é minha interpretação. Em um consórcio, a empresa teria um voto exatamente como os demais. Outro nível de segurança é o próprio sistema inviolável do blockchain, um dos inúmeros benefícios dessa ferramenta. Compreendo o receio de algumas autoridades e respeito a opinião dos argumentos divergentes sobre este tema tão polêmico. O que o Facebook está propondo, entretanto, é uma opção ao sistema do Bitcoin, uma melhoria que dá mais organização, uma vez que a utilização do bitcoin ainda é baseada na especulação, com alta volatilidade e assim não cumpre o papel de uma moeda de usabilidade.

Enfim, vale a pena pensar neste novo mundo.

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Brasil pós-carnaval: perspectivas boas para economia
8 de março de 2017 at 11:04 0

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Março começou cheio de notícias com potencial de modificar o panorama econômico mais uma vez. A semana curta e meio morta depois do Carnaval ficou bem agitada para o observador econômico, como notícias do Banco Central, Mercado Financeiro, FED e Balança Comercial.

Certamente a mais importante é a projeção da redução da taxa SELIC para a faixa de 9,25% ao final de 2017 por analistas do mercado financeiro, resultado da estabilidade de 4 semanas da taxa. Já o Comitê de Política Monetária – COPOM, avalia que o cenário é favorável e que há possibilidade de desinflação, com meta do IPCA em 4,5% para 2017 e 2018.

Esses números são estimativas e sempre baseados no comportamento das economias em época de crise. Por exemplo, se os preços não aumentam, a inflação tende a diminuir e o consumo a aumentar. Os analistas já estimam que o crescimento da economia fica 2,37% para 2018 e o dólar cai de R$ 3,40 para R$ 3,37.

Parece cedo para apresentar essas estimativas para 2018 e até 2019 em alguns casos, mas essas previsões são fundamentais nas tomadas de decisões. De forma prática, as informações são essenciais na escolha de um investimento pré ou pós-fixado, por exemplo.

Nos Estados Unidos os anúncios do FED também são importantes pois divulgam dados da atividade econômica americana e como isso pode afetar o restante da economia mundial. A expectativa é de alta de juros, especialmente se o presidente Trump implementar algumas medidas anunciadas no discurso ao Congresso americano no último dia 28.

O superávit da balança comercial brasileira de US$ 4,56 bi em fevereiro é recorde para o mês, desde 1989, e resultado do aumento das exportações de semimanufaturados e manufaturados. A projeção de queda do dólar tende a aumentar a demanda por produtos brasileiros, aumentando também os postos de trabalho e fazendo girar a economia. Talvez não seja ainda resultado direto dos dados a serem anunciados pelo FED, mas com as exportações brasileira já estão aumentando.

As notícias mostram que os caminhos estão se alinhando para nós, brasileiros. Que nós saibamos caminhar na direção certa e tomar as melhores decisões, aproveitando o momento que, se não é totalmente favorável, com certeza pode é bem melhor que neste mesmo período do ano passado.

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Solução à vista!
7 de fevereiro de 2017 at 16:00 0
2017-02-07-SaulS-SocialMedia-FB_v2   O início de fevereiro marcou o início de um período com sinais otimistas para o mercado, que considera as variáveis favoráveis para a resolução da crise de liquidez pela qual passamos. Com a queda de 0,75% na taxa de juros, a inflação sinalizando ficar dentro da meta de 4,5% e a possibilidade do governo emplacar a reforma da Previdência, as coisas poderão melhorar mais rápido do que imaginamos. O mercado é cíclico e embora as crises não sejam iguais, é possível aprender com as situações do passado. Vivemos hoje uma crise de liquidez de ativos, especialmente no mercado de infraestrutura, agravado pelos desdobramentos da operação Lava a Jato. O consumidor está altamente endividado por uma política de crédito que não garantia a manutenção do pagamento e os estoques imobiliários são os maiores em muitos anos. Se compararmos a crise brasileira à chamada Crise Americana dos Mercados de 2009, acabamos vendo contornos bastante similares. Naquele ano a bolha de ativos imobiliários dos Estados Unidos foi rompida e causou um efeito cascata, se alastrando rapidamente para vários outros mercados. Em um sistema altamente alavancado por crédito, a perda da capacidade econômica dos consumidores causou a destruição da riqueza e da poupança em geral, exatamente como assistimos em filmes e livros que retratam aqueles dias. A alta alavancagem de mercados via instrumentos derivativos formaram uma perda de capital de tal magnitude que o consumidor americano passou a comprar em outlets e atacadistas, enquanto os latinos e turistas frequentavam shoppings e na Bloomingdale's. Passaram-se ainda quatro anos para que os consumidores voltassem a reativar a economia devastada. Obviamente, dado o contexto econômico e o destaque dos países no cenário internacional, as instabilidades americana e brasileira estão longe serem iguais, entretanto adquirem contornos semelhantes quando analisamos o conteúdo. Aqui no Brasil a Operação Lava a Jato paralisou todo o segmento de infraestrutura que estava contaminado pela corrupção, consequentemente criando uma crise nos ativos ligados ao setor. São concessões e contratos que não se conseguem assumir e cumprir em diversos ramos: estradas, energia, petróleo, telecomunicações e muitos outros. Considerando apenas o setor de infraestrutura, veremos que os números estão na casa das dezenas de bilhões. O outro aspecto essencial, esse sim bastante semelhante ao exemplo americano, se refere à política de crédito imobiliário estabelecida pelo governo petista, sem base sólida e concedido como benesse política. O programa Minha Casa Minha Vida ofereceu crédito e outros benefícios de forma abundante ocasionando o alto endividamento do consumidor, tornando o sonho da casa própria em uma fonte de dívida e acarretando o aumento nos estoques em níveis nunca atingidos anteriormente, em razão do aumento dos distratos - o encerramento do contrato de venda com a devolução dos imóveis. Ativos de ambos os segmentos, imobiliário e infraestrutura, estão à venda por todo o Brasil. A queda da taxa de juros, aliada à reforma trabalhista e previdenciária pode ser o gatilho para o retorno do investimento estrangeiro ao nosso país. Sabemos que a velocidade no retorno do crescimento econômico tem relação com a volta da liquidez dos ativos imobiliários e de infraestrutura. Não foi à toa que o governo americano, via FED, deu liquidez a estes ativos com programas especiais de compras, para que o sistema fizesse uma reoxigenação e voltasse a emprestar novamente. Nosso caso é um pouco diferente pois não existe securitização altamente alavancada por este tipo de derivativos, porém temos muitos títulos à venda no Brasil e se houvesse algum programa de estímulo, e não de subsídio, poderíamos voltar com maior velocidade para gerar capacidade de investimentos e voltar a estancar a alta do desemprego que deve caminhar para 13% em 2017. No momento toda reestruturação de empresa governamental passa por venda de ativos da Petrobras, Eletrobrás e muitas outras empresas, além de um grande encalhe no setor de construção imobiliária. Baseado em minhas observações econômicas, tenho convicção que estamos passando por uma crise sistêmica de liquidez de ativos de várias ordens de grandeza, tendo como consequência a obstrução a médio prazo da retomada do crescimento. Enfim, encontrar comprador é a ordem do momento e nós temos os estímulos necessários - a LIG, Letra Imobiliária Garantida, que está sendo normatizada e poderá a ser mais um instrumento de estruturação financeira. Basta apenas a coragem para fazer acontecer.
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Fundo de Vícios: A estabilidade do politicamente incorreto no mercado de ações
28 de outubro de 2016 at 10:14 0

Fundo de Vícios: A estabilidade do politicamente incorreto no mercado de ações

Semanas atrás falei sobre o Índice de Sustentabilidade e como apostar em uma gestão que apoia o desenvolvimento sustentável faz a diferença na reputação da empresa frente aos investidores e consumidores dos seus produtos. É interessante desenvolver a questão, uma vez que mercados mais sofisticados tendem a segmentar melhor os grupos de ações, dando ao investidor opções para diversificar em momentos de crise.

Um desses segmentos é o chamado The Vice Bin, constituído de empresas consideradas politicamente incorretas, do ramo de tabaco, bebidas alcoólicas, armamentos, cassinos e outras e, questões morais à parte, o raciocínio é que as pessoas não param de beber, fumar ou jogar em decorrência da crise, pelo contrário.

Antes de prosseguir é importante salientar que não há juízo de valor do mercado em relação a esses fundos, no entanto alguns investidores possuem uma política de responsabilidade social que os impede de aplicar nesses fundos. Com o esvaziamento dessas carteiras as ações ficam mais baratas e a rentabilidade maior. Os investidores procuram ações de empresas que sejam estáveis e tenham boa rentabilidade e as empresas listadas nesse nicho oferecem esses atributos, pois atuam em setores chamados inelásticos, ou seja, a demanda por esses produtos não flutua em razão de instabilidades políticas ou econômicas.

A título de curiosidade, na Bolsa de Valores de NY, as ações da Phillip Morris tiveram, de janeiro a março deste ano, uma alta de 27,4% em relação ao ano passado. Já no Brasil, a AMBEV e a Souza Cruz têm se destacado pelos bons resultados e acumulam ganhos acima dos papeis de outras empresas.

Isso não significa que não haja riscos. As empresas de cigarro sofrem processos judiciais milionários e que têm impacto direto no valor de suas ações. Já as empresas de bebida alcoólica dependem dos resultados de outros setores que determinam a oferta dos produtos - como a produção agrícola de cevada e lúpulo, por exemplo. Outro ponto a se considerar é que muitas vezes as exigências para as empresas desses fundos são maiores em termos de governança e responsabilidade social, para melhorar a imagem junto ao público.

Nos Estados Unidos e Europa esse segmento vem obtendo sucesso e resultados muitos bons ao investidores, mas não há indícios de que esse setor possa se instalar no Brasil tão cedo. A confiança no mercado é a principal variável para que exista esse nível de segmentação e a Bolsa de Valores brasileira ainda tem muito o que caminhar nesse aspecto.

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Bolsa
Excelência na Bolsa de Valores: O Novo Mercado no Brasil
20 de outubro de 2016 at 16:49 0
card_sauls_20_10 Todos sabem que defendo a reforma do modelo de negócios brasileiro da Bolsa de Valores, por isso venho acompanhando atentamente as discussões sobre as mudanças no Novo Mercado. Ainda é cedo para formar uma opinião mais contundente, entretanto já é possível visualizar o impacto de alguns pontos que estão sendo debatidos. Para quem ainda não conhece, o Novo Mercado é uma importante classificação e que indica as empresas com melhores práticas de governança corporativa. Transparência na gestão, metodologia de redução de riscos aos investidores, prestação de contas e especialmente equidade com os minoritários são recorrentes neste segmento e vão além do que é exigido na legislação. Como consequência, as empresas que estão inseridas nesta listagem detêm mais credibilidade e uma maior percepção de confiança por parte dos investidores. É preciso lembrar que até chegar ao Novo Mercado as empresas devem atender os itens dos níveis I e II, todos relacionados com a construção de um mercado forte e confiável. Quando foi criado o Novo Mercado no ano 2000, alguns requisitos que eram diferenciais de alta qualificação hoje são obrigatórios. Essa evolução tem relação com o amadurecimento do mercado e é preciso registrar que a CVM vem fazendo um bom trabalho de ajustar a legislação e as normativas à nova realidade, tornando obsoletos alguns desses requisitos. Um dos pontos de maior contenção prevê a saída voluntária ou decorrente de reorganização societária. A proposta feita pela BM&FBovespa condiciona a saída das empresas do Novo Mercado à aceitação da OPA (oferta pública de aquisição de ações) e concordância expressa de mais de 50% dos acionistas titulares das ações em circulação, para combinarem o preço mínimo das ações. Essa é uma proposta ousada, pois dá voz aos minoritários, já que hoje a única condicionante é a OPA e a saída da listagem é muito mais fácil que a entrada, o que prejudica os pequenos investidores. A proteção dos minoritários é primordial para dar ao mercado a credibilidade necessária a aumentar o aporte de capitais no país, mas não podemos esquecer que estimular mecanismos de fiscalização e controle também é. Em tempos de operação Lava-Jato, ter um conselho administrativo que passe segurança de suas decisões é essencial para se alcançar um novo patamar de qualidade em administração. Já mencionei aqui sobre o Índice de Sustentabilidade e agora a responsabilidade socioambiental também deverá se tornar requisito para a excelência em governança para a Bolsa. Apesar de esperada há muito tempo, essas mudanças vêm causando debates intensos e colocando em aberto questões que estiveram adormecidas por anos. A própria CVM caminha na direção de criar um código de governança corporativa único para todas as empresas no mercado o que deve fazer com que o Novo Mercado tenha outra reviravolta.  Os próximos encontros sobre a questão devem ocorrer no início de novembro e em fevereiro de 2017. Sigo acompanhando e aspirando por uma mudança significativa que leve o mercado de capitais brasileiro ao patamar de excelência das maiores Bolsas do mundo.
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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Política
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos
14 de julho de 2016 at 15:59 0
A relação entre EUA, Europa e Brasil nos investimentos

Para quem não é do meio, fica muito difícil acompanhar os acontecimentos mundiais que impactam as moedas, os investimentos, a Bolsa. Então, decidi fazer um paralelo entre esses assuntos que acontecem ao mesmo tempo e que estão criando expectativas no mercado financeiro do mundo todo.

Nos EUA, se aguarda o resultado das eleições presidenciais que acontecem esse ano. A disputa tem sido cheia de polêmicas, inclusive com discursos extremistas. A cada notícia de força entre os adversários, o mercado reage. Há uma expectativa de que se a Hilary vencer, o mercado terá mais conforto. E se o mercado dos EUA estiver confortável, o resto do mundo é afetado positivamente.

Na Europa, o assunto é o Brexit, que causou uma tempestade de incertezas na zona do Euro. As consequências, com as quedas consecutivas da Bolsa, ainda são uma incógnita aos investidores. As incertezas e a volatilidade do mercado podem causar retração da economia europeia, o que causaria consequências negativas no mundo todo.

Já no Brasil, a expectativa é a consolidação do impeachment. O mercado tem reagido positivamente às posições do governo Temer e sua equipe econômica, com reais expectativas de recuperação, mesmo sabendo que é um processo lento e difícil. A incerteza que paralisa é a dúvida se a presidente afastada retorna ou não ao comando do país.

Como podemos observar, a política afeta a economia em todos esses cenários. E, em qualquer dos ambientes, o que precisamos para que voltem os investimentos é de solução, conclusão, definição. A partir da definição de todos esses assuntos é que começaremos a ver os resultados.

Ao Brasil interessa tanto a estabilidade interna quanto externa, pois isso tem reflexo direto nas exportações. Em um país com câmbio elevado como agora, a exportação é uma ferramenta importantíssima para captação de recursos e equilíbrio da balança comercial.

Para se ter ideia, só nas duas primeiras semanas de julho, a balança comercial teve um superávit de US$ 1,48 bilhões (fonte: MDIC). As exportações têm tido uma média diária de mais de 800 milhões de dólares, o que significa aumento de 2,9% em relação a 2015. Já as importações tiveram um recuo de 17,2%.

Hoje tivemos a notícia de que o PIB de maio teve um tombo em relação ao mês anterior. A queda do PIB em relação ao ano passado é de 3,8%, caracterizando a forte recessão: desemprego, inadimplência, queda de consumo e produção. E, como nosso mercado interno não está aquecido, nossas indústrias têm se mobilizado para atender o mercado externo. A estabilidade americana e europeia são essenciais para continuarmos vendendo e, consequentemente, administrando a crise e trabalhando para reconstruir a nação.

Como podemos ver, no mercado de investimentos não há independência. Os três assuntos são relevantes para a relação de fluxo de capitais no Brasil.

Resumindo, a eleição de Donald Trump significa para os EUA o mesmo impacto que o Brexit tem para os europeus e a volta de Dilma para o Brasil. Espero que não tenhamos uma pororoca tríplice, seria uma catástrofe. Que Deus nos abençoe. Amém!

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Juros, Política
O país parado à espera do rito do impeachment
13 de junho de 2016 at 13:43 0
rito do impeachment

A situação política e econômica parecia estar definida, aparentemente. Mas uma série de acontecimentos mantém o governo interino como refém do rito do impeachment. As novas gravações e delações, agora contra o PMDB e o PSDB, colocam as definições e decisões em um campo minado a fim de não contrariar a base, pois o placar está apertado no Senado.

Imaginamos que enquanto enquanto persistir a dúvida do rito se efetivar, o balcão de barganhas no Senado vai ganhando corpo e impactando a confiança das pessoas, principalmente investidores.

Apesar da baixa probabilidade, caso ocorra a não definição do governo Temer e volta da Dilma, fica a dúvida de como seria um "day after" da governabilidade neste cenário. Seria impactante para todos, com as cenas política e econômica totalmente imprevisíveis. Haveria uma grande possibilidade de nova eleição. Mas será que o país aguentaria trocas de ministérios novamente? Um grande caos.

A crise econômica chegou e formou consistência. Nas ruas basta observar os shoppings, restaurantes, bares, estradas e o medo do desemprego que começa a rondar todas atividades afetadas pelo baixo consumo. Não é sem razão que o governo já percebeu que precisa fechar este assunto do impeachment, pois as medidas econômicas mais duras acabam sendo adiadas em função da fragilidade política e da vulnerabilidade do atual governo em ter de agradar a todos partidos de apoio.

Do outro lado, persiste uma expectativa de apoio relativo da população que gritou "fora PT" mas não deu carta branca ao novo governo, pois a bandeira principal foi o "chega de corrupção”. Quanto mais o atual presidente cede aos partidos, mais frágil fica a governabilidade perante o povo brasileiro.

Após a última reunião do Copom mantendo a taxa de juros nos patamares atuais e a inflação ainda resiliente, mesmo com a brutal queda de consumo, a indexação se mantém viva e pode adiar a queda dos juros tão aguardada. Mas a curva futura, que é um eixo principal de um BC com credibilidade junto ao mercado, já poderá dar ao  governo Temer um cenário de maior expectativa otimista - muito mais pela escolha da equipe econômica, com a liderança do Meirelles.  As expectativas inflacionárias futuras advirão com fortalecimento da confiança e credibilidade delegada à condução da política monetária sem interferências de viés partidário na economia.

Isto é o que o mercado entendeu e é o voto que o presidente atual recebeu com as taxas futuras vindo para patamares mais aceitáveis. O  primeiro speech do novo presidente do BC mostrou que o dólar reagiu para baixo, com a sinalização da volta da flutuação cambial. Com menos intervenção por parte do BC, sem dúvida o dólar poderá ser um aliado em ajudar a trazer a inflação a patamares aceitáveis.

Apesar desta seleção de quadros altamente qualificados na área econômica, vamos ter de conviver com uma grande incerteza até a finalização do rito do impeachment. O andamento e os últimos acontecimentos da Lava Jato, nos deram mostras de que vem muito mais por aí, pois ainda faltam delações importantes como a do próprio Marcelo Odebrecht e do tesoureiro do PT.

Só se ganha a guerra quando esta termina, sempre foi assim e o Presidente atual Michel Temer sabe disso.

Acredito assim que, apesar da complexidade atual do cenário econômico e político, devemos trabalhar com um viés otimista e nos mantermos atentos aos eventos que poderão influir na consolidação do rito ou não. Não podemos perder a confiança na nossa capacidade de reagir, tanto nos negócios como na nossa vida pessoal. Como diz a velha sabedoria, caminhar em tempos difíceis fortalece a alma, e devemos sempre estar caminhando. É isso que aconteceu nas grandes crises mundiais: sobreviver para poder prosperar.

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Bolsa, Finanças, Investimentos
Procura-se uma bolsa de startups
31 de maio de 2016 at 12:04 0

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Apesar dos noticiários estarem com a atenção voltada para os acontecimentos políticos e econômicos, o que temos de certeza é que viver e empreender, a vida pessoal e corporativa, continuam a ser o nosso grande desafio. Seja qual for a sociedade, a questão central passa pelo capital, pela renda, pelo emprego e consequentemente pelas grandes corporações e por milhares de pequenos empreendedores de todos segmentos. Se analisarmos o impacto da atuação dos pequenos empresários e startups podemos ver que, sem dúvida, são eles que mais geram emprego, fomentam a competitividade e oxigenam saudavelmente a economia por meio da descentralização de investimentos.

Grandes cartéis deixam a sociedade estruturalmente na mão de poucos. Podemos afirmar que vários segmentos mantém a concentração econômica bastante elevada. A tendência é aumentar cada vez mais essa predisposição, caso não sejamos capazes de revitalizar ou gerar oportunidade para o pequeno empreendedor e o capital de risco, por meio dos venture capital.

Atualmente, apenas pela via de fundos especializados as pequenas e médias empresas, PME, e startups tem acesso ao capital. Esse único sistema de acesso é muito pouco  em relação à demanda de capital por parte de empresários de negócios, principalmente tecnológicos. A política do último governo foi bastante incentivadora para grandes grupos e despejou bilhões de reais nas mãos de poucos, por intermédio de bancos governamentais. Esta má-formação do capital vem desconstruindo uma melhor distribuição de resultados corporativos.

Por mais de 10 anos a Bovespa tenta implementar sem sucesso o mercado de ações para este grupo, o de startups e PME. Apesar de possuir praticamente o monopólio deste mercado, não consegue atrair nem o capital e nem o empresário, devido a complexidade do sistema desejado e entendido como o justo e o correto para os participantes.

Reepensar no SOMA, com algumas pequenas alterações de uma forma a modernizá-lo para que seja um ambiente que facilite a vida dos empreendedores e investidores, com regras simples e sem grandes burocracias, é uma opção para a Bovespa. Empresas de menor porte teriam um mercado em que possam acessar capital de uma forma mais moderna. O Fintech é um dos exemplos de que a desintermediação  bancária já começou, com empréstimos pessoais em cartões de débitos. Outros sites estão começando a simular levantamento de capital por vias diversas como crowdfunding, por exemplo. Sem dúvida que estes modelos serão mais difundidos, pois a demanda de pequenas empresas e principalmente startups de área tecnológica de aplicativos são a nova tendência.

O brasileiro é um povo muito criativo, ele não pode ter somente um sistema bancário de 5 bancos que detenham 80% e só sabe falar a linguagem do juros. Um artigo no Estadão, demonstra que esses mesmos cinco bancos dominam as OPAs no país. Segundo a reportagem, uma das consequências dessa concentração é a elevação do tíquete médio, inviabilizando a entrada de pequenas e médias empresas no mercado financeiro.

A Bovespa poderia fazer bem mais, nesse aspecto. O “I do my best” não parece ser a sua principal preocupação pois, além de não sair dos mesmo 500 mil investidores, ainda se tornou a campeã em fechamento de empresas. A meta de 5 milhões de investidores alardeada no passado ficou para trás. Esses dados demonstram que o fracasso da Bovespa em abrir o mercado de ações para pequenas e médias empresas é incontestável e deveria ser uma lição para quem trabalha com mercado financeiro. Regras complexas afastam os investidores e mantém o mercado congelado.

Acredito que poderíamos ser bem mais do que somos em mercado de ações. Aproveitando o squeeze de crédito que temos e a alta demanda pelas empresas startups de tecnologia, deveríamos reunir investidores de capital de risco em torno da mesa para entender e tentar usar este momento como o começo de uma nova bolsa que está incubada e adormecida dentro da própria  Bovespa. O SOMA um sistema descomplicado e rapidamente teremos as Fintechs da Bolsa, em que a relação de interesse predomina sobre o monopólio de mercado.

Em tempo de crise, o capital também está a procura de oportunidade que devem ser aproveitadas sem grandes burocracias. Um bom começo é dar chance a milhares de empreendedores de ter um centro de negociação com uma instituição de respeito e competente na implantação das negociações. Uma boa semente a ser plantada é usar o clearing da Bovespa e a revitalização do Mercado de Balcão organizado, deixando a semente plantada crescer com a mesma simplicidade dos aplicativos atuais e a predominância tecnológica.

Aí sim poderemos dizer: I do my best!

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Bolsa, Câmbio, Finanças, Investimentos, Política
Day after econômico
12 de abril de 2016 at 14:37 0
impeachment

Cada dia que passa os cenários ficam mais confusos, pelas apostas em ambiente político e econômico. O desemprego aumentando a passos largos, inadimplência da cadeia organizada de fornecedores e dívidas bancárias, assim como a inadimplência em todos segmentos estão se acentuando com o passar dos dias. Desta forma, onde iremos ancorar as nossas expectativas de uma solução econômica que está a reboque da solução política sobre quem governa o país? Cada vez mais se acumula um grau maior de incerteza causada pela falta de ação governamental, o que está temporariamente paralisado pela disputa de poder.

Para o mercado em geral, a esta altura não interessa a questão da discussão sobre o contexto Jurídico e sim o que pode vir a impactar a vida de modo geral, pois alguns consensos já estão formados em relação ao que precisa mudar para que a economia volte a sinalizar confiança e que possamos voltar a rodar com perspectiva futura e os investimentos voltem a se normalizar.

A única certeza que temos é que para qualquer projeto econômico que dê perspectiva econômica para o país mudar sua rota de colisão, teremos de passar por reformas estruturais no Congresso, como a questão da previdência e até cortes nos benefícios sociais, além de outras que estão travadas. Essas medidas têm custo político de implementação pela impopularidade.

O embate do governo se cristalizou neste momento entre Dilma e Temer, juntamente com ala do PMDB que saiu da base aliada. O seu programa econômico batizado Plano Brasil, sem dúvida não apresenta grandes novidades, mas é um plano bem coerente e cola mais com o mercado embora também precise de apoio político, pois só será factível com medidas de aprovação junto ao Congresso. E é neste fato que o mercado enxerga maior probabilidade de reorganização econômica, dada a maior capacidade do partido em trazer o PSDB para apoiar o projeto junto ao Congresso.

A expectativa política e econômica, principalmente câmbio e bolsa estarão ancoradas nas votações da Câmara sobre o impeachment em todos os estágios, primeiro sobre a aprovação do encaminhamento do voto do relator que ontem foi aprovado, tendo agora o embate final no domingo próximo pelo Congresso. Mas acredito que o mercado já precificou grande parte do rito do impeachment dentro da velha máxima de mercado, que é: "sobe no boato e cai no fato".

Em um cenário onde o atual governo vença a disputa no Congresso, sem dúvida o novo governo Dilma deverá tentar reorganizar as suas bases políticas com partidos de menor expressão, como PCdoB, PSOL, PP e outros partidos menores de um governo mais à esquerda, além dos movimentos sociais como CUT, MST e outros que ganharão peso e tenderão a exigir um plano econômico que atenda ainda mais as demandas sociais deles em seu governo. Eles se fortalecerão e cobrarão a conta da salvação do seu governo. Sem dúvida será uma grande dor de cabeça para o novo governo Dilma/Lula.

Lula tem dito que a prioridade será novamente o emprego e crescimento e é deste discurso dissonante da realidade fiscal que o mercado não gosta, apesar de saber que normalmente o discurso de rua é repactuado com a realidade econômica. E Lula sabe bem como a economia funciona e também sabe que precisará acalmar os mercados novamente, como foi o caso quando se elegeu pela primeira vez. Assim, possivelmente tentará a mesma fórmula que deu certo em outros tempos e apresentará o nome de um Ministro da Economia que gere uma expectativa positiva, tentando induzir o mercado e a economia a superar este momento de crise aguda econômica.

Sem dúvida a tarefa do atual governo em caso de vitória será mais árdua do que a do Vice-presidente, pois o cacife de credibilidade está muito pequeno para dar a volta por cima de todos os problemas que não são apenas políticos, como os outros escândalos que vêm assolando o partido do PT.

Assim, para contextualizar os dois cenários: o atual governo deverá  gerar maiores expectativas econômicas, dadas as dificuldades em recompor a sua base política, além de o próprio PT não conseguir acomodar todos interesses suprapartidários e próprios em relação à ocupação de cargos deixados pelo PMDB. Neste ponto, tanto dólar como a bolsa deverão sentir o impacto negativamente.

Já um novo governo assumido pelo Vice-presidente Temer, que será mais previsível e menos compromissado com qualquer ala, poderá gerar acordos mais "easy way" no mundo político, necessários para implementar reformas no Congresso.

Não adicionei mais pontos de imprevisibilidade de cenário alternativo, pelas variáveis como a Lava Jato e o TSE. Isso nos faria perder o foco no curto prazo.

Assim, a melhor parte do "day after" é termos alguma definição de para onde o país irá se dirigir, sem desconsiderar as dificuldades e desafios de ambos os lados, o que será sinalizado nesses próximos dias de definição, pois o país não aguentará por mais tanto tempo a disputa de poder.

 
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Bolsa, Investimentos, Tecnologia
Novidade: crowdfunding para projetos imobiliários
7 de março de 2016 at 14:51 0
crowdfunding

Vejam que interessante a matéria da BBC que li hoje sobre as novas oportunidades que surgem com o avanço da tecnologia. O Synapse Development Group (SDG) decidiu investir em um novo projeto de hotel – uma nova filial do high tech Yotel em San Francisco (EUA) – através de um site de financiamento coletivo. Com a promessa de descontos em diárias e outras diversões, mais retorno anual de 18% a 20%, foram atraídos investidores do mundo inteiro, que na primeira etapa investiram em média US$ 50 mil.

De acordo com o diretor executivo do SDG, “Hotéis frequentemente são mais rentáveis que outros ativos no mercado de imóveis. Sendo assim, sob uma perspectiva de investimento, atraem bastante a atenção especialmente em mercados maiores.”.

Uma empresa especializada em financiamentos coletivos, a Massolution, estima que os investimentos para negócios imobiliários através do crowdfunding movimentaram US$ 1 bilhão em 2014 e evoluíram em 2015 para cerca de US$ 2,5 bilhões.

Vários lugares do mundo têm divulgado seus projetos imobiliários, especialmente para construção de hotéis, em sites de financiamento coletivo. Tudo começou nos Estados Unidos e expandiu para outras regiões como Emirados Árabes e Tailândia, por exemplo, variando as regras, de acordo com cada local, sobre quem pode investir.

Normalmente, a oferta é a venda de ações, podendo o investidor se tornar dono de uma pequena parte do negócio ou da companhia.

Com US$ 10 mil, em geral, você já pode fazer um investimento mínimo ou diversificar as compras dentro de vários projetos.

Mas a prudência, como em todo investimento, deve ser bem observada. Há riscos, é claro. Como no financiamento coletivo praticamente não se interage com o dono do negócio, é imprescindível a cautela de verificar como outros projetos foram geridos. A ingerência do negócio costuma ser a principal causa de perda.

Porém, ainda de acordo com a matéria, o sucesso tem sido garantido em 80% dos casos. Bacana, não acham?

Leia a matéria completa com mais detalhes e informações, que eu quis compartilhar hoje com meus amigos e leitores.

Infelizmente no Brasil ainda não temos essa modalidade de investimento imobiliário, porém estamos num momento em que podemos aproveitar o segmento. A MP 694, que tributava os lucros sobre os investimentos imobiliários, espantou investidores e derrubou preços das cotas. Muita gente saiu perdendo, mas a proposta foi retirada neste ano e tivemos uma pequena melhora no mercado. Por conta da crise e da dificuldade em repassar a inflação para os preços, ainda é um investimento arriscado. Além disso, a taxa de vacância está muito alta. Porém, para alguns especialistas o risco esse ano é menor do que no ano passado. Precisamos sempre observar a diversificação e a gestão ativa dos negócios, para correr menos riscos.

Com a maturidade do mercado de crowdfunding no Brasil, oportunidades como esta aparecerão e poderiam ajudar no crescimento do país, pois o turismo é uma ótima maneira de atração de capital. Acompanhar a tecnologia da informação e diversificar modalidades é abrir muitas novas oportunidades; e a inovação no mercado financeiro é fundamental para o sucesso de muitos.

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