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Saul Sabba

Política
Putin x Trump: A segunda Guerra Fria da economia
4 de julho de 2017 at 15:29 0

O período da Guerra Fria marcou um capítulo interessante na história da humanidade. Estados Unidos de um lado, União Soviética do outro, mas não apenas em termos ideológicos. Apenas a título de curiosidade, algumas das maiores produções do cinema americano se basearam na rivalidade entre as duas grandes potências da época.

Hoje, entretanto, o assunto não é cinema, mas a delicada relação que os dois países mantem ao longo do tempo. De um lado a Rússia - considerada herdeira da extinta União Soviética e com todos os problemas decorrentes dos anos passados sob o manto do comunismo, e Estados Unidos - ainda considerado o país maior potência mundial, porém lutando para manter a posição com as economias com os olhos voltados cada vez mais para o Oriente. Noticiários e periódicos parecem estar replicando as manchetes dos anos 60, 70 e 80 com notícias de espionagem, posicionamentos opostos dos presidentes dos dois países sobre conflitos armados, apoio a ativistas e outras ações que levaram alguns especialistas a declarar que estamos vivendo um novo período de Guerra Fria. Faltou apenas mencionar que ambos os países concordam em algo essencial neste momento de globalização: os negócios. Segundo a Câmara de Comércio entre Rússia e Estados Unidos, cerca de 10.000 empresas de diversos segmentos geram mais de 3 milhões de empregos, totalizando aproximadamente US$ 25 bi em importações e exportações entre os dois países. Aqui no Brasil, a cooperação entre os dois países é prevista em US$ 10 bi ao ano tanto em cooperação técnica nas áreas de energia e agrícola, principalmente. Com tanto potencial econômico envolvido, não é de se estranhar que o empresário Donald Trump quisesse investir no país. Suas tentativas de estabelecer negócios na Rússia datam dos anos 80, quando afirmou que nunca ficou tão impressionado com o potencial de uma cidade quanto ficou com Moscou. Todos esses anos de “namoro” com a Rússia estão bem documentados pela imprensa, deste complexos hoteleiros que não vingaram a sócios russos acusados de lavagem de dinheiro, manipulação do mercados de ações e relações com a máfia. As investidas do então empresário ficaram sob um manto de suspeita que tomaram uma proporção ainda maior quando decidiu migrar para a carreira política e se tornou presidente. Há alguns meses a Casa Branca se pronunciou oficialmente sobre a questão, informando que o agora presidente Trump contratou um grupo de advogados para garantir que não existam suspeitas sobre suas conexões com a Russia – os críticos afirmam que isso não seria necessário caso o presidente liberasse o acesso ao seu imposto de renda. A teoria de que o momento atual é fruto do revanchismo russo tem seus adeptos. Há quem defenda a crença de Putin de que a Rússia não teve um tratamento justo durante a perestroika, agravando problemas econômicos e empobrecendo a população. A admissão pela OTAN de países historicamente contrários ao regime comunista imposto por Moscou anteriormente a admissão da Rússia parece ter agravado essa percepção e cada movimento da Otan em territórios e disputas regionais foi recebido como um insulto. Antecessor de Putin, Boris Iéltsin costumava afirmar que as dificuldades do país eram apenas momentâneas não apenas pelo armamento nuclear, mas principalmente pelo forte espírito russo. Putin parece ter carregado consigo esse aprendizado e colocado em prática durante seus dois mandatos. Por um lado, permanece a certeza de que o país não deve abrir mão de seus interesses e que sua opinião não deve ser ignorada. De outro, a convicção de que as revoluções levam o país a instabilidades que diminuem sua importância frente aos negócios mundiais. A única certeza é que, assim como na guerra fria, um confronto direto entre os dois países não irá produzir um vencedor. O medo, dessa vez, é menos uma bomba atômica e sim o colapso da economia e o reordenamento do cenário mundial  
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Política
CLT 2.0: governo mais perto da reforma trabalhista
14 de junho de 2017 at 16:19 0
Na última semana foi aprovado no Senado o texto da reforma trabalhista, que traz a discussão sobre o futuro do Brasil a um novo patamar. Não é a primeira vez que falo que as mudanças na legislação trabalhista e previdenciária tem o potencial de melhorar a economia e promover a confiança necessária para atrair investimentos, especialmente estrangeiros. Os críticos da reforma acreditam que ela tem o poder de retirar os direitos dos trabalhadores sem necessariamente gerar empregos, porém acredito que o crescimento econômico obtido com a flexibilização das regras pode facilitar e acelerar a criação de novos postos de trabalho. Segundo o IBGE, temos hoje 14 milhões de desempregados e se a experiência nos ensina algo é que o aumento da demanda de consumo é o principal gerador de empregos. Com regras rígidas como a atual, mesmo que o ambiente econômico melhore, os empresários ainda receiam contratar. A legislação deve acompanhar a mudança dos tempos. Com a evolução da tecnologia algumas profissões se modificaram totalmente e não é uma lei, criada quando computadores eram ainda peças de ficção científica, que irá mudar isso. Os países desenvolvidos trabalham todos esses fatores para garantir empregabilidade, desde que haja acordo entre as partes. Durante as mais de oito horas de debate na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado foram discutidos todos os itens do texto. O texto foi aprovado integralmente, com quatro sugestões de alteração referentes à regulamentação de trabalho intermitente, decisões por acordo coletivo em relação à jornada de trabalho e veto nos itens que tratam de período de descanso antes da hora extra e trabalho insalubre executado por gestantes. O texto ainda passa pelas comissões de Assuntos Sociais (CAS) e Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir a Plenário. Na quarta-feira a Ibovespa fechou em alta de 0,81% e o dólar a R$ 3,27. Ainda não é a reação que todos esperam, mas já demonstra que o mercado tende a reagir positivamente conforme o assunto avança. Sair de uma crise econômica demanda esforços contínuos e a geração de empregos é uma parte importante, pois no momento o consumo e o crédito estão em baixa. Talvez o resultado não seja o esperado no curto prazo, já que a crise que atravessamos tem forte componente político e neste caso o cenário não é previsível e nem favorável. O governo de Temer mostra que ainda consegue respirar, mesmo diante dos problemas das últimas semanas. A votação da Reforma Trabalhista mostra que ainda consegue articular as medidas que garantem a volta dos investidores. Isso é um ponto positivo para as expectativas de melhora dos brasileiros e mais trabalho do que mostrou a última pessoa que ocupou o Planalto antes dele.
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Investimentos, Outros assuntos, Tecnologia
Bitcoin: futuro da economia ou moda passageira?
1 de junho de 2017 at 10:25 0
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O Bitcoin está na moda.

Depois do Japão anunciar mudança no regulamento para aceitar oficialmente o bitcoin (BTC) como método de pagamento, a moeda atingiu preços que deixaram surpresos até mesmo os investidores mais entusiasmados. A criptomoeda é apenas mais uma das várias que existem e foi apresentada pela primeira vez em 2008 como um sistema de código aberto, baseada em uma rede peer-to-peer, autorregulada e criada para ser livre, sem interferência de governos e outros agentes bancários.

Dentre as principais maneiras de se conseguir os bitcoins está a mineração, processo de validação das transações pela resolução de problemas criptográficos, gerando blocos que são posteriormente inseridos na blockchain - banco de dados que armazena as informações de saldo e as transações efetuadas utilizando a moeda digital. Essa é a primeira vez que se tem conhecimento que os dados contábeis de transações monetárias são públicos e descentralizados.

Um dos grandes problemas que o mercado vê em moedas digitais é que elas não tem lastro. As moedas dos países possuem o lastro em dólar, que por sua vez é lastreado em ouro. Com o BTC o lastro é a confiança que o sistema seja autossustentável e isso o torna bastante volátil para se investir. Atualmente o preço está em alta e já ultrapassa os US$ 2.700, ambiente perfeito para a criação de uma bolha.

Até há poucas semanas a moeda não possuía nenhum valor inerente, sendo utilizado basicamente em trocas na internet, muitas delas em mercados ilegais de tráfico, drogas e outros crimes. O reconhecimento formal do Japão de que a moeda é um meio de pagamento válido no país fez com que o valor de mercado do Bitcoin aumentasse cerca de US$ 1 bi, e parte disso é porque os japoneses, e por consequência o restante do mundo, passam a reconhecer seu valor fora das telas do computador.

A Ásia tem sido protagonista na transição do BTC para uma moeda “real”. Além do Japão, a Coréia do Sul também admite que as criptomoedas vieram para ficar, tanto que o Bank of Korea (BOK) divulgou recentemente um documento em que diz acreditar em um sistema que moedas fiduciárias e digitais possam coexistir, e ainda expandiu o modelo para um regime triplo, em que moedas digitais também possam ser emitidas por bancos centrais e não apenas por particulares.

Acredito, entretanto, que a China tem o papel de destaque neste cenário. O país foi capaz de criar toda uma cadeia produtiva dentro deste mercado, que vai desde o maior pool de mineradores – responsáveis por quase metade de todos os BTC emitidos diariamente no mundo – à produção de equipamentos específicos para a realização dessa tarefa. A movimentação alertou o governo para a quantidade de dinheiro envolvido e agora as três maiores bolsas de bitcoin da China vão cobrar 0,2% de cada operação.

É certo que a preponderância asiática no mercado de BTC pode afetar uma de suas características principais, que é a descentralização. Alemanha, Rússia e Estados Unidos já o reconhecem como moeda digital e estudam medidas para regulamentar sua utilização, porém ainda tem um longo caminho a trilhar.

A grande pergunta é se os ideais revolucionários de autonomia, independência e descentralização sobrevivem após o último bitcoin ter sido minerado.

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Política
Economia reage, inflação cai e PIB cresce. Fim da crise à vista?
16 de maio de 2017 at 17:58 0

Economia reage, inflação cai e PIB cresce. Fim da crise à vista?

O anúncio de que o IBC-Br teve uma alta de 1,12% nos três primeiros meses do ano foi motivo de comemoração para economistas. Esse indicador é construído pelo Banco Central e funciona como uma tentativa do Governo de antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, já adiantando algumas decisões, especialmente em relação às taxas de juros. Confirma o que falei há algum tempo sobre a importância dos indicadores tanto na tomada de decisões quanto para acompanhar a saúde econômica brasileira.

A grande estrela do resultado positivo do IBC-Br é a safra recorde de grãos já que o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), prevê que a safra 2016/2017 deve chegar a 230 milhões de toneladas. É um crescimento de 24,3% em relação ao período anterior e significa uma incrível movimentação econômica com geração de empregos diretos e indiretos e movimentação de várias cadeias produtivas.

Embora o resultado seja positivo, afinal significa que o país está no rumo certo, não é realista esperar um crescimento expressivo diante de tantos meses de crise. Nos últimos anos o Brasil sofreu perdas consideráveis de credibilidade: um longo processo de impeachment, a queda do grau de investimento e consequente fuga de capital.

Michel Temer e sua equipe fizeram um esforço considerável no sentido de aprovar medidas percebidas como impopulares, porém muito necessárias para a recuperação do país. A aprovação da PEC do Teto provou aos investidores que o Brasil tem a intenção em conter seus gastos públicos e, como resultado, a Moody’s alterou o rating brasileiro de negativo para estável. A própria agência afirma que a continuidade e implementação consistente dessas políticas pode afetar positivamente futuras classificações.

Uma das grandes vitórias é o controle da inflação, grande trauma para os brasileiros. Isso significa que um governo que mantém os preços sob controle e garante renda e poder de compra consegue a confiança da população. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril ficou em 4,08%, o menor para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. As categorias que puxaram esse número para baixo, dessa vez, foram os combustíveis, energia elétrica e habitação.

Estamos apenas no começo de um longo caminho na retomada do crescimento. As reformas Previdenciária e Trabalhista estão a poucos meses de serem aprovadas e estamos a pouco mais de um ano de um processo eleitoral que não apenas promete ser um dos mais acirrados das últimas décadas, mas irá garantir a continuidade dos ganhos dos últimos meses ou colocar tudo a perder.

Como diz o ditado, esforço e trabalho duro oferecem suas recompensas. A economia brasileira agradece.

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Política
Macron vs Le Pen: uma eleição sobre o futuro do Euro
25 de abril de 2017 at 15:12 0

No próximo dia 7 de maio acontece o segundo turno da eleição da França e pela primeira vez em quase 60 anos os partidos Republicano e Socialista estão fora da disputa. A ausência destes dois grandes protagonistas da política francesa deixa o país, e por consequência toda a Europa, em estado de incerteza, mas alegra os mercados. Nesta segunda, com a ligeira vitória de Emmanuel Macron, a Bolsa francesa abriu em alta de 4,1% e todas outras Bolsas europeias seguiram a tendência. As Bolsas asiáticas fecharam em alta e a cotação do euro registrou valorização.

Macron venceu o 1º turno com 23,75% dos votos e desde o primeiro momento foi apontado como o candidato a derrotar Le Pen. Centrista e com experiência no mercado econômico, ainda não tinha disputado cargos públicos e se aproveitou do vazio deixado pela esquerda e direita tradicionais, se apresentando como uma figura moderada e conciliadora no meio de tantos discursos radicais. Com a proposta de deixar a economia francesa mais competitiva no cenário mundial, ele propõe reduzir o imposto sobre as empresas, diminuir os gastos públicos, exonerar 80% das famílias francesas do imposto de moradia e alterar a tributação das grandes fortunas. Sobre a crise mundial de refugiados, Macron propõe maior controle das fronteiras, porém defende que o país e a União Europeia reformulem as condições dos pedidos de asilo.

É exatamente o contrário do que propõe Marine Le Pen. Com um discurso nacionalista e populista de direita, muito parecido com o do presidente americano Donald Trump. Ela é abertamente contra a União Europeia e a favor de fechar as fronteiras para refugiados e imigrantes. Le Pen tem no discurso o panorama de uma França mais protecionista, com possibilidade real de colocar em pauta a saída do país da UE, ou FREXIT, como já é apelidado pela imprensa internacional o possível referendo.

O discurso anti-imigração e contra a União Europeia foi a aposta de Marine em tentar angariar o apoio dos descontentes do governo Hollande, porém apresenta um enorme problema para os franceses, bem maior do que no caso do BREXIT. Para começar, a França usa o Euro como moeda corrente e mudar todo o sistema monetário de um país pode ser mais traumático para sua economia do que aceitar algumas concessões humanitárias que o estado de guerra atual exige dos países.

Le Pen obteve 21,53% dos votos e tenta manter a imagem de renovação da direita e não aquela dos ativistas mais radicais, antissemitas e homofóbicos do seu partido. Membro do Parlamento Europeu, e filha de Jean-Marie Le Pen, a vida pública não é estranha à ela.

O que nenhuma dos dois candidatos podia prever, nem mesmo Macron, é que a população francesa fosse às ruas para manifestar contra o sistema político e as propostas dos candidatos. No dia 3 de maio é o primeiro debate ao vivo entre os dois e, se a história francesa nos ensina alguma coisa, podemos esperar uma grande revolução com essa eleição.

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Política
Reforma da Previdência: gatilho para a volta do crescimento?
18 de abril de 2017 at 09:26 0

Reforma da Previdência: gatilho para a volta do crescimento?

A reforma da previdência vai ser a mais controversa do que se esperava, principalmente com um calendário político bastante complicado, já que todos sabem da necessidade de um orçamento fiscal enxuto e que mude a rota de colisão do atual déficit das contas públicas. Como falei em outro artigo, tecnicamente esta reforma não estaria em pauta e muito menos seria aprovada se não fosse a crise econômica, pois é mais fácil deixar tudo como está do que mexer nos chamados “direitos imutáveis”.

É um problema para o atual governo a reestruturação da Previdência, pois esta é a mãe de todas as mudanças necessárias para se ter orçamento que feche com as despesas e passe uma maior confiança aos investidores internos e externos. Ao contrário de algumas previsões, uma possível estagnação ainda não é uma situação provável em que a baixa inflação vem acompanhada do baixo crescimento, como vem acontecendo em outras economias do continente europeu e o Japão.

O governo Temer trabalha com a possibilidade crescimento, mesmo que pequeno, e isto faria a diferença já que o PIB - Produto Interno Bruto dos dois últimos anos teve queda acumulada de aproximadamente de 8%. É preciso remodelar a Previdência com um mínimo de qualidade e não toda desfigurada para isto aconteça. É necessário, porém, algum apoio da sociedade: não se deve permitir que o governo fique somente na defensiva e deixe a decisão nas mãos dos políticos que se movem conforme interesses pessoais.

Acredito que um dos problemas é o fato da reforma ser mais percebida por um setor da sociedade que já se sente prejudicado, enquanto outros podem até mesmo se beneficiar com a reforma. É preciso uma campanha mais bem elaborada, mostrando como as pessoas ficam mais perto de garantir a manutenção da aposentadoria, além de desenvolver uma publicidade continuada, através de palestras, por exemplo, como as que vem fazendo o ministro Henrique Meirelles. É interessante notar como outros ministros ficam na plateia, somente como espectadores mais antenados, pois não precisam ser convencidos da necessidade e seriedade do assunto.

Manter a visão crítica sem cair na rejeição aos fatos apenas por questões políticas é o grande desafio dos jovens de hoje e existe muita incompreensão sobre o funcionamento da Previdência pública. Um dos pontos que não é claro para a maioria é que as contribuições de hoje não formam uma poupança para o futuro trabalhador aposentado, mas sim financia os de hoje. O impasse está em que nossa população envelhece duas vezes mais rápido do que a média mundial, ao mesmo tempo em que as famílias brasileiras vem diminuindo, cenário já visto em países europeus e asiáticos que está acontecendo, duas vezes mais rápido, aqui no Brasil.

Precisamos aprender com as experiências de outros países. O Japão tem uma das populações mais idosas do mundo e todos os maiores de 20 anos, empregados ou não, contribuem para o sistema previdenciário. A partir de 2016 o país reduziu o tempo de contribuição para 10 anos com o objetivo de beneficiar mais segurados que não conseguiram cumprir os 25 anos anteriormente necessários, porém não mexeu na idade mínima de 65 anos. É preciso lembrar, também, que naquele país é forte a cultura da poupança e essa medida beneficia especialmente pessoas muito pobres que receberão o equivalente a R$ 500,00, em média.

Também é importante debater a questão da idade mínima especialmente quando falamos de expectativa de vida da população. Na Grécia, por exemplo, os benefícios previdenciários carregam parte da responsabilidade pela evolução crise, já que lá não existia idade mínima e os trabalhadores se aposentavam em média aos 58 anos ou com 35 anos de contribuição. Os Estados Unidos, França e Alemanha querem aumentar a idade mínima para 67 anos gradativamente e todos esses país possuem altas expectativas de vida.

Disseminar esse conhecimento e permitir que nossos jovens tenham uma melhor percepção do que significa o envelhecimento do país é essencial para que eles se posicionem já que eles deverão pagar a conta dos aposentados. Basta ver que a perspectiva de uma maior longevidade da população inviabiliza a conta dos que produzem contra os que não estão mais na atividade produtiva. Acredito que um programa de conscientização nesta camada da população poderia atrair para o governo um grande aliado para este projeto de passar a Reforma da Previdência.

Bradar um discurso populista para fazer barganha política é algo que temos visto com muita frequência, entretanto a ampliação de estratégias de comunicação inteligentes e focadas no público certo, com informações claras e baseada em evidências, desfaz os mitos e diminui a resistência da sociedade.

A conta é simples: um paga e o outro recebe. Falar a língua de quem vai pagar a conta talvez ajude o governo na tarefa hercúlea que é arrumar essa casa tão grande.

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Outros assuntos, Política
Brasil e Estados Unidos: o desafio da governabilidade
8 de abril de 2017 at 18:40 0
2017-04-08

Trump e Temer passam por momentos políticos conturbados, criados principalmente pela agressividade do processo eleitoral que envolveu a chegada de ambos ao poder. Por aqui tivemos um penoso e demorado processo de impeachment, agravado por denúncias e investigações que escancaram a corrupção estrutural em nosso país. O impeachment foi necessário para que se desentravassem as pautas e trouxesse de volta a confiança dos mercados, entretanto deixou sua marca. A reputação de nossas instituições está enfraquecida diante da opinião pública e, apesar dos investidores verem com bons olhos as mudanças que estão sendo implementadas, a insegurança da população em relação à parcela política brasileira é real e comentada diariamente nas ruas, e isso respinga no governo Temer.

Já ao norte do Equador, os Estados Unidos passaram por uma das eleições mais controversas dos últimos tempos. Além das prévias agitadas, com acusações de espionagem russa e sabotagem eleitoral, a ida às urnas também deixou o país com os nervos à flor da pele. Com a economia oscilando, ainda resquício da crise de 2007, os americanos apostaram na figura polêmica de Donald Trump em detrimento de Hillary Clinton. Em uma eleição disputada e vendida como uma luta do novo contra o velho, a promessa do empresário em “Make America Great Again!” conquistou os votos e garantiu a vitória em um dos sistemas eleitorais mais complexos do mundo. Com esses contextos em mente, era de se esperar que a governabilidade de Temer, acusado de golpe, fosse pior que a de Trump, que se tornou o presidente com a vitória nas urnas. Entretanto, como todos bem sabemos, as águas da política nunca são tão claras, e as marés nunca se repetem a ponto de permitir previsões com alguma precisão. Virtual desconhecido da população em geral, Michel Temer é renomado na política pelo perfil articulador e conciliador. A prova disso foi o fato de ter bem-sucedido na tarefa de unificar o PMDB, algo que nem mesmo FHC e Lula conseguiram. Além deste feito, Temer trouxe os demais partidos para sua base, obtendo assim vitórias desde que assumiu a Presidência da República ano passado. Aprovou a PEC dos Gastos e avançou as discussões sobre a Reforma da Previdência e Política. Também montou uma equipe econômica que conseguiu domar a inflação, aliviando o bolso da população, o que é sempre bem recebido pelo mercado. Nem todas essas vitórias, entretanto, são capazes de domar as ruas que, em sua maioria, rejeita o seu governo. A situação é exatamente inversa no hemisfério norte. Fossem palavras, Trump seria o antônimo de Temer. O presidente americano é adepto de um estilo polêmico, já conhecido através do reality show O Aprendiz, algo que seduziu boa parte do eleitorado, mas que faz com que o presidente colecione desafetos até mesmo dentro do próprio grupo político. Em um governo composto basicamente por dois partidos, o Republicano e o Democrata, ter domínio do próprio quintal é requisito obrigatório para governabilidade. Faltaram a Trump votos republicanos suficientes até para aprovar o nome de um Secretário e, ao invés de conciliar, Trump manteve o estilo. Sua última derrota foi a retirada de pauta do projeto que visava substituir o Obamacare pelo chamado Trumpcare. Mais uma vez faltavam votos dentro do próprio Partido Republicano, o que levou o governo a retirar o texto de votação. A implosão da pauta coloca em cheque a imagem projetada pelo presidente americano durante a campanha, de que sua experiência empresarial seria uma vantagem quando em mesas de negociação política. Sua próxima incursão é a reforma tributária e, a julgar pela experiência até agora, Trump pode não alcançar o resultado desejado. É importante lembrar que Barack Obama governou sem ter maioria no Congresso, e mesmo assim aprovou o Obamacare. Governabilidade é uma conquista diária, onde Brasil e Estados Unidos tem muito a aprender um com o outro. É importante lembrar sempre que um governo que não conta com apoio das ruas, não persiste, e um presidente que é apoiado pelas ruas mas não tem os votos necessários para fazer valer sua vontade, não existe. Negociação é um jogo de ganha-ganha e, em política, faz bem a todos lembrar que, não importa o modelo e o estilo de governo, quem tem que ganhar é sempre a população. Só assim um governo pode não só existir, mas também persistir.
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Outros assuntos, Política
Modernizar para sobreviver: o dilema do Brasil
27 de março de 2017 at 15:35 0

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O momento econômico é bastante favorável ao Brasil até porque todas as previsões econômicas continuam sendo otimistas principalmente quanto ao aspecto da inflação que teve como principal vitória a quebra da inércia dos preços administrados, o que mostrava o acerto na persistência em romper este ciclo, tornando factíveis as previsões de queda de juros. Apesar disto, não podemos simplesmente creditar todos os bonos à equipe econômica do governo, pois a retração causada pelo mal gerenciamento das contas públicas deixou o consumidor com uma baixa capacidade de pagamento de suas suas próprias contas, o que faz com que a economia real se torne anêmica e aumente ainda mais o índice de desemprego.

Realmente a confiança esta voltando e uma das causas, sem dúvida é a queda da inflação e a queda anunciada de juros que vai ajudar na retomada da economia. As reformas que estão em pauta como a da Previdência e a Trabalhista, além das discussões sobre a desburocratização e muitas outras. Estas reformas tem tido uma atenção especial das duas casas, tanto do Senado quanto da Câmara do Deputados. Por que agora as reformas passaram a ser tão importantes?

As reformas são o principal fator de melhora de ambiente macroeconômico e, consequentemente, de melhora de expectativas futuras, o que gera um ambiente bastante benigno para os investimentos, tanto locais como estrangeiros. A equação para retomada da economia real passa pela necessidade de voltar a um patamar mínimo de investimentos para que se quebre a inércia gerada pela crise nos vários setores da economia.

Essa agenda agora passou a ser tão importante para os políticos em geral porque a melhora da economia vai influenciar o momento político de 2018. Sem dúvida a maioria dos futuros candidatos à reeleição veem na melhoria da atividade econômica e diminuição do desemprego a boia de salvação do atual governo e de seus mandatos. As pessoas tendem a ser mais tolerantes em um ambiente econômico mais favorável e nossos políticos sabem disso.

Acho que estamos diante de um momento altamente propício a ter efetivos ganhos institucionais com as reformas e gerar uma visibilidade externa positiva em face das reformas propostas. O grande unificador dos maiores partidos em torno de reformas será a continuidade da "Lava a Jato" que joga uma pressão maior na classe como um todo. Fazer essas reformas não deve ser uma medida para retirar o foco de atenção dos escândalos, porém a pressão sobre nossa economia diminui e poderemos entrar mais rápido em um ciclo de melhora. A tendência é que a aprovação do modelo adotado pelo governo Temer aumente e gere bônus para a eleição de 2018, até porque desmonta definitivamente os argumentos petistas de golpe e além disso, tanto PMDB como o PSDB voltariam a ganhar algum fôlego eleitoral para o próximo ano. Sem duvida nenhuma as reformas nunca sairiam por vontade espontânea política, principalmente em um ano que antecede as eleições presidenciais e estaduais.

Reformar leis consolidadas já há mais de meio século é um grande passo, porém o nome já contextualiza a questão, uma vez que tudo na vida precisa de ajustes com o passar do tempo. Nossa casa, empresas e até mesmo os nossos hábitos também demandam mudanças de tempos em tempos, pois sem isto tendemos a ficar literalmente velhos e obsoletos. Em um país como o nosso, em que muitas das legislações – especialmente a previdenciária e a trabalhista -  foram estabelecidas há muito tempo, é preciso se readaptar dentro de uma nova realidade moderna e contemporânea.

No caso da Previdência, o ponto central é a idade mínima de 65 anos. Se compararmos quando foi elaborada a Lei da Aposentadoria, a expectativa de vida da população era outra, talvez uns 20 anos a menos. A contestação de direito adquirido e intocável não faz nenhum sentido sob este ponto de vista. Fazer reformas de verdade, no entanto, mexe com direitos que as pessoas consideram imutáveis e é assim que é apresentada questão por aqueles que são contra a reforma.

É preciso contextualizar o assunto e lutar por uma reforma que possa reconstituir um sistema que seja compatível com dias de hoje, até porque, se não o fizermos, as instituições não serão capazes de suportar as despesas recorrentes causadas pelo envelhecimento da população. Os investimentos serão diretamente proporcionais às reformas que fizermos e são ponto fundamental para que os recursos retornem e comecem a gerar novos empregos, para que nao tenhamos uma geração de filhos pobres com avós e pais ricos - que é o que hoje começa a se desenhar no seio familiar, em que muitas vezes a renda do filho classe media é pior que a dos pais aposentados.

Por fim, o Brasil tem agora uma oportunidade ímpar de se reorganizar com estas reformas e caminhar para termos uma possibilidade real de uma nova década virtuosa.

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Finanças, Juros, Política
Inflação e Deflação – Impactos na economia do país
15 de março de 2017 at 12:43 0
O desejo de todos os brasileiros de que a inflação diminuísse veio melhor que o esperado, com o anúncio de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) de fevereiro ficou em 0,33%, a menor taxa em 17 anos, e trouxe o acumulado dos últimos 12 meses para 4,76%, ou seja, a inflação está a caminho da meta. Os dados foram divulgados pelo IBGE na semana passada. O consumidor aos poucos sente a melhora nos preços e o impacto no custo de vida. A alta nos gastos com educação, apesar de corresponderem a cerca de 70% da taxa geral do mês, são os menores desde 2010. A alimentação teve deflação de 0,45%, bem como transporte aéreo (12,29%) e vestuário (0,13%). O último Boletim Focus reduziu ainda mais a estimativa da inflação para 2017, agora na faixa dos 4,19%. Talvez esse seja o empurrão que falta para que o Comitê de Política Monetária – COPOM, baixe os juros de maneira mais agressiva para influenciar mais significativamente a economia, barateando o crédito e incentivando a produção e o consumo. A expectativa para o ano é que a SELIC fique em 9,52%, mesmo com a última reunião não tendo o corte esperado, mantendo a taxa em 12,25%. É preciso aguardar, pois sabemos que em economia nada é gravado em pedra. Se analisados individualmente, esses indicadores podem não fazer sentido para grande parte da população, porém nos ajudam a formar uma visão mais ampla do cenário. Por exemplo, no final de fevereiro o IBGE divulgou que a taxa de desemprego é de 12,6%, a maior desde 2012, e todos sabemos que sem dinheiro, as pessoas consomem menos, fazem menos compras no crediário e colocam pé no freio dos financiamentos. É um ciclo vicioso: o custo de vida ainda está alto, com juros exorbitantes, desemprego e muita dificuldade de recolocação profissional. Tudo isso gera a falta de consumo de produtos e serviços e fazem com que empresas demitam os funcionários que, por sua vez, também deixarão de consumir, mesmo com preços baixos e promoções – que são os valores em queda registrados pelo IPCA. É deflação. A tão esperada deflação é algo que, se não acontecer, tende a causar problemas tão ou mais graves que a inflação altíssima que estamos enfrentando. Parece estranho afirmar isso, mas a oscilação nos preços é apenas a ponta de um sistema que produz bens, oferece serviços e depende do consumo para sobreviver. Ainda há muito trabalho a ser feito, as variáveis para contenção da crise mudam diariamente e garantir emprego e renda para uma população do tamanho da nossa não é tarefa simples. Mais uma vez a bola está na arena política, com as discussões sobre a Reforma da Previdência e a contenção dos gastos do governo. Seguimos observando.
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Bolsa
Brasil pós-carnaval: perspectivas boas para economia
8 de março de 2017 at 11:04 0

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Março começou cheio de notícias com potencial de modificar o panorama econômico mais uma vez. A semana curta e meio morta depois do Carnaval ficou bem agitada para o observador econômico, como notícias do Banco Central, Mercado Financeiro, FED e Balança Comercial.

Certamente a mais importante é a projeção da redução da taxa SELIC para a faixa de 9,25% ao final de 2017 por analistas do mercado financeiro, resultado da estabilidade de 4 semanas da taxa. Já o Comitê de Política Monetária – COPOM, avalia que o cenário é favorável e que há possibilidade de desinflação, com meta do IPCA em 4,5% para 2017 e 2018.

Esses números são estimativas e sempre baseados no comportamento das economias em época de crise. Por exemplo, se os preços não aumentam, a inflação tende a diminuir e o consumo a aumentar. Os analistas já estimam que o crescimento da economia fica 2,37% para 2018 e o dólar cai de R$ 3,40 para R$ 3,37.

Parece cedo para apresentar essas estimativas para 2018 e até 2019 em alguns casos, mas essas previsões são fundamentais nas tomadas de decisões. De forma prática, as informações são essenciais na escolha de um investimento pré ou pós-fixado, por exemplo.

Nos Estados Unidos os anúncios do FED também são importantes pois divulgam dados da atividade econômica americana e como isso pode afetar o restante da economia mundial. A expectativa é de alta de juros, especialmente se o presidente Trump implementar algumas medidas anunciadas no discurso ao Congresso americano no último dia 28.

O superávit da balança comercial brasileira de US$ 4,56 bi em fevereiro é recorde para o mês, desde 1989, e resultado do aumento das exportações de semimanufaturados e manufaturados. A projeção de queda do dólar tende a aumentar a demanda por produtos brasileiros, aumentando também os postos de trabalho e fazendo girar a economia. Talvez não seja ainda resultado direto dos dados a serem anunciados pelo FED, mas com as exportações brasileira já estão aumentando.

As notícias mostram que os caminhos estão se alinhando para nós, brasileiros. Que nós saibamos caminhar na direção certa e tomar as melhores decisões, aproveitando o momento que, se não é totalmente favorável, com certeza pode é bem melhor que neste mesmo período do ano passado.

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