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Saul Sabba

Bolsa
Libra: muito mais do que uma Criptomoeda. Direito de inclusão.
4 de julho de 2019 at 13:49 0

O anúncio da criptomoeda do Facebook em consórcio com grandes players de meios de pagamento como PayPall, Mastercard, Visa e algumas das principais companhias do mundo no segmento, gerou uma expectativa e uma explosão de interpretações das mais variadas correntes, tanto institucionais quanto técnicas, e de agentes financeiros como os Bancos Centrais de diversos países.

Todos sabemos que o sistema financeiro atual tem uma aparência de perfeito, porém a realidade está muito distante. Desde o evento das Torres World Trade Center, em 2000, o mundo mudou consideravelmente e não podemos dizer que foi para melhor. Assim, o mundo financeiro estruturou um fechamento de liberdade económica nunca visto anteriormente, pois seguido aos controles antiterroristas de fluxo de capitais, ainda tivemos a crise sistêmica dos bancos em 2008, proveniente da bolha dos chamados “ativos tóxicos” ou sub prime.

Em conjunto aos controles de compliance antiterrorismo, a normatização bancária imposta pelos órgão reguladores, que normatizavam e moderavam os capitais segundo o critério de que o capital deveria ser somente para os incluídos no conceito patrimonial correto, ou seja, capital versus garantias reais, sejam imobiliárias, recebíveis ou correlatos. Da mesma forma, criou-se uma barreira de entrada na economia ativa, isto é, transferências e outras movimentações bancárias somente para a massa comprovadamente empregada dentro do sistema regulado trabalhista.

Impedir a inclusão bancária a quem não possui comprovadamente uma relação formal de trabalho torna muito difícil a vida dos que estão na cidade ou no campo e possuem uma produção econômica. Somente considerando o Brasil, podemos dizer que 40% da população não se encontra dentro desta formalidade. A Libra está de olho neste público que não tem conta, mas têm celular e poderia se conectar financeiramente com o mundo por este meio de pagamento. Por incrível que pareça, traria de certa forma a inclusão econômica para milhões de pessoas que se conectam pela internet e pelos celulares.

Porque uma criptomoeda e não um ativo real, como muitos acostumados a regulação atual pensam? Onde está o lastro?

Atualmente, o lastro de todas as moedas é a credibilidade. Nesse sentido, a proposta do Facebook é abrangente e, com certeza, deverá ser utilizada por milhões de pessoas que se sentem desassistidas para mínimos movimentos financeiros em que se substitua o papel moeda em definitivo. Assim poderia existir a verdadeira inclusão financeira. Lembrem-se que hoje, para que se possua algum meio de pagamento, seja o cartão ou transferência, é necessário o Cadastro de Pessoa Física, CPF, ou o celular, que por sua vez deverá funcionar como uma wallet ou documento de identidade. É o novo mundo chegando.

Somente para corroborar o meu apoio a esta proposta, já venho me posicionando há algum tempo sobre a questão das criptomoedas e blockchain, este também uma revolução nos sistemas de tecnologia e desburocratização. Nós hoje já não somos donos do nosso dinheiro e nem da movimentação livre. Se você quiser pegar seu dinheiro declarado e simplesmente sacar ou movimentar por qualquer razão quantias que não são normalmente aceitas, já se torna uma pessoa suspeita pelo compliance. Atualmente o seu direito de movimentar já não esta mais na vertente principal do sistema bancário.

Como estamos hoje? Porque a proposta da Libra é amplamente favorável, no meu ponto de vista.
Sem dúvida, as regulamentações tem que vir a reboque, para que não tenhamos mecanismos sem nenhum critério de controle do mau uso da ferramenta. Os órgãos reguladores estão aí para isto mesmo, colocar ordem nos avanços da tecnologia, para que não vire mais um mecanismo de corrupção e desvio de impostos.

Em nossos dias, o domínio mundial de uma moeda é muito preocupante, principalmente para os países emergentes, que não produzem tanto dólar ou euros e precisam possuir uma reserva absurda em moeda estrangeira somente para se proteger da desvalorização cambial. Não é producente e levanta a questão do por quê não existir um comércio exterior entre países menores que não dependa, necessariamente, de euro ou dólar e sim nas suas moedas nacionais.

Sabemos que a resposta é a falta de credibilidade e podemos apontar como caso prático o Brasil e a Argentina.

Assim, para concluir o meu raciocínio, um facilitador de meio de pagamento ajudaria bastante o mundo pois, contrariamente aos que pensam que o Facebook deteria controle, não é minha interpretação. Em um consórcio, a empresa teria um voto exatamente como os demais. Outro nível de segurança é o próprio sistema inviolável do blockchain, um dos inúmeros benefícios dessa ferramenta. Compreendo o receio de algumas autoridades e respeito a opinião dos argumentos divergentes sobre este tema tão polêmico. O que o Facebook está propondo, entretanto, é uma opção ao sistema do Bitcoin, uma melhoria que dá mais organização, uma vez que a utilização do bitcoin ainda é baseada na especulação, com alta volatilidade e assim não cumpre o papel de uma moeda de usabilidade.

Enfim, vale a pena pensar neste novo mundo.

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Finanças, Sustentabilidade
Quanto custa o risco reputacional ao nosso patrimônio
20 de fevereiro de 2019 at 12:39 0

A vida nos prega peças inesperadas e o desastre de Brumadinho nos lembra que não existe segurança total nos mundos dos negócios. 

À parte o aspecto moral das vidas perdidas e de quem é a culpa do desastre ambiental, fica mais uma vez claro de que o risco patrimonial dos investidores sempre estará presente, mesmo apostando em empresas gigantes e de aparente solidez e a principal razão é nossa capacidade de avaliarmos o risco implícito do negócio na sua amplitude maior.

Mal acabamos de sair da grande crise corporativa da Petrobras, em que a empresa foi usada para fins políticos e foi palco de um esquema de bilhões de reais em corrupção para alguns privilegiados e apenas agora voltou aos preços históricos de 5 anos atrás.

A Petrobras passou por uma faxina nas áreas de governança e compliance– procedimento necessário após o escândalo. A nova diretoria tem muitos anos de explicação em inúmeros processos que mancharam a reputação da empresa e acumula a função de limpar toda a sujeira exposta e apagar da nossa memória o fato de ser a campeã do vexame nacional.

Outra grande companhia que foi durante muitos anos um orgulho nacional, possui atualmente o capital misto e ainda recebe influência governamental (via BNDES e PREVI) é a Vale S.A. 

A companhia não sairá ilesa desse desastre ambiental e estrutural dos projetos das barragens, principalmente pela reincidência. Está comprovado que o controle preventivo falhou e a falta de sistemas funcionais e alarme e evacuação de pessoas comprometeu inúmeras vidas. Empresas do porte da Vale tem recursos necessários e capacidade tecnológica para, no mínimo, não deixar acontecer a pane no alarme.

Em casos semelhantes, o risco de imagem é incalculável. Os prejuízos financeiros e jurídicos para os acionistas tornam-se gigantes e comprometem a reputação de uma das maiores empresas da Bolsa de Valores, inclusive em razão do incomensurável prejuízo ambiental. 

A grande questão é: como os investidores no futuro poderão mitigar este tipo de risco e perdas bilionárias?

Antes de 2014, alguém poderia prever que seria exposto um sistema de corrução na Petrobras nos níveis em que foram descobertos? Acredito que não. Talvez alguns mais próximos imaginariam, mas o mercado não é formado de poucos. A grande maioria, como eu, apostaria muito na solidez da empresa. Alguém poderia imaginar que poderíamos ter outro desastre como o de Mariana? Também acredito que não. A percepção coletiva natural é que depois de um grande erro ou catástrofe, as empresas teriam agido para evitar tais desastres e prejuízos.

Cada vez mais tenho a percepção que vamos conviver mais próximos aos novos perigos de investimento de capital, e que deixam marcas que vão muito além dos prejuízos financeiros, jurídicos e reputacionais para todos envolvidos e não envolvidos: os prejuízos para humanidade. 

Essa é uma discussão interminável e antiga. A grande novidade é a importância e o peso do chamado “risco reputacional” em qualquer situação ou contexto de crise. Esse risco aumentou consideravelmente o poder de destruição e impacto nas companhias.  

Reputação Monitorada: nos dias de hoje, a reputação das pessoas e das corporações passa a ser o grande diferencial nos mundos dos negócios.

Alguns casos recentes no Brasil e no mundo mostraram claramente o potencial e o efeito devastador para os investidores: Petrobras, Facebook , Carrefour (em razão da ação de um segurança que levou a morte um animal de ruas), Extra (onde um segurança matou um rapaz nas dependências de uma unidade), BTG Pactual (quando da prisão do CEO), JBS,  Odebrecht e agora Vale. Esses são apenas um exemplo de como muitas companhias perderam valores do seu market capitalem um piscar de olhos. É espantosa a velocidade da destruição de riqueza em função dos gigantismos dos fatores associados a reputação. 

No campo da carreira pessoal e corporativa, a destruição de imagem também está presente em razão da construção do tribunal nas redes sociais, de culpabilidade imediata e execução sumária. Dois casos recentes confirmam essa teoria, do jornalista William Waack e agora Donata Meireles. 

O risco reputacional irá interferir cada vez mais na vida de pessoas públicas e poucas tem habilidade ou estão preparadas para ter uma atuação perto do ideal, com objetivo de conter a disseminação de notícias fora do contexto.

As redes sociais já se tornaram um dos grandes desafios do presente e a velocidade da informação é enorme. Na falta de administração adequada, o que tende a aumentar o risco que envolve a imagem, é preciso ter bastante sangue frio. O atual governador de São Paulo, João Doria, conseguiu reverter o quadro de uma fakenewsàs vésperas da eleição. Donata e Waack não tiveram apoio institucional das suas organizações para assumir uma situação de divulgação de imagens deturpadas de seu verdadeiro sentido.

Basta uma frase fora do contexto, uma foto ou um documento para destruir sumariamente vidas e empresas. Não existe lógica para esses eventos, classe social, sexo ou religião, mas sempre é possível encontrar a motivação, quando investigados. Quem se lembra do caso da mulher assassinada quando a esposa de seu amante, ao descobrir o caso, decidiu atacar sua reputação acusando-a de pedofilia nas redes sociais? Ela foi morta por linchamento, na rua de sua casa e por seus vizinhos, ao terem acesso a fotos montadas e fora do contexto. Essas fotos foram criadas exatamente com esse objetivo: incitar o ódio e o julgamento coletivo.  

E como evitar fakenewsou lidar com uma situação de risco reputacional?  Além de prevenir, a resposta é principalmente a forma e a rapidez na ação, segundo as especialistas Claudia Martinez e Sheila Lustoza da SISAK Gestão de Risco Reputacional. É necessário agir com precisão e administrar situações de crise, sejam elas mentirosas e difamatórias (Donata, João Doria e outros), bem como oriundas de fatos reais.

“Não existe uma receita única, sempre é possível evitar e sempre é possível conter ou diminuir os efeitos de uma crise - o importante é estar preparado” Claudia Martinez 

Com a entrada da Lei de Proteção de Dados, o risco corporativo tenderá a aumentar substancialmente. As redes sociais e grandes corporações que guardam registros pessoais serão passíveis de processos em caso de divulgação de dados não autorizados ou mesmo negligenciados. As multas são grandes e este processo inicia também de uma nova era corporativa. Empresas ou operações digitais, como aplicativos e outros, terão que se adaptar à nova legislação que deverá começar a valer em breve. 

Enfim o mundo mudou e está mudando cada vez mais rápido. Com certeza o risco reputacional corporativo pessoal terá cada vez mais peso em relação às suas consequências, uma vez que seus dirigentes e conselheiros deverão ficar cada vez mais expostos perante a lei e redes sociais.

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Política
Welcome to 2019
2 de janeiro de 2019 at 12:15 0

Seja bem vindo a 2019.


Acredito que todos nós brasileiros que realmente elegeram o candidato da mudança, Jair Bolsonaro - tanto por motivações ideológicas ou também através do voto útil como foi meu caso - estão mais alinhados ao estilo de vida do povo brasileiro do que veio sendo proposto pelos partidos de esquerda em geral aos longo destes 12 anos de poder.

Já esta muito claro que estas mudanças deverão acontecer em uma forma mais ampla que o esperado.

A começar pela revitalização do Itamarati que ao longo deste governo foi posto como um coadjuvante na questão de politica externa, tendo que passar por vários vexames internacionais principalmente no governo Dilma Rousseff. Esta, especialista em gafes externas.

Acordos estranhos com países duvidosos e oportunistas, sem uma mínima governança, como no caso de Cuba através do convênio “mais médicos” - em que se utilizou de um momento de crise de saúde para se importar médicos cubanos que serviram simplesmente aos interesses tanto do PT, como de um governo que respeita zero os direitos humanos como Cuba. O processo de remuneração dos mais médicos nunca foi explicado porque dois terços dos recursos do governo brasileiro ficava retido em Cuba, sabe se lá por quê. De 3 mil dólares , os médicos só recebiam 1 mil US. Totalmente descabido.

Para mim ficou claro de como as coisas poderão mudar agora. O Presidente de toda nação, sem esquerda ou direita, que já demonstra a sua capacidade e vontade de fazer mudanças efetivas, mostrando que dará uma guinada de 180 graus em relação a nova política externa, se alinhando a principais países que historicamente tem convergência de política e de estilo de vida. Por que? Cuba, Venezuela, Equador, Irã e outras aproximações sem nenhuma assemelhações ideológica com o povo Brasileiro.

Basta ver que agora no êxodo de imigrantes venezuelanos, a solidariedade não foi de nenhuma identificação, e sim os expulsaram porta a fora do país. Por que os ditos partidos de esquerda não cuidaram ou assistiram de alguma forma esta população de imigrantes carentes e famintos de solidariedade? Possivelmente para não chamar atenção para a forma como são tratados os milhões de Venezuelanos por um regime que foi amplamente reconhecido pelo governo petista.

Em relação à escolha de países com maiores convergências ideológicas - como Estados Unidos e Israel, assim como tantos outros alinhados com o pensamento democrático - Bolsonaro tem dado sinalizações claras de “Welcome”.

Diferentemente do que foi amplamente publicado pela mídia - em que mostrava um Bolsonaro alinhado com um regime militar - e que se publicou muita informação duvidosa de uma possível volta à um regime não democrático, a ideia foi, sem duvida, se esvaziando pelas ações e sinalizações do novo presidente.

O BNDES foi usado inúmeras vezes para demostrar seu apreço e apoio a todos aqueles países com cunho ideológico de esquerda e marcado pela opressão. Com apoio financeiro a estes países, nunca entendemos a razão objetiva e politica de porquê se fazia tanta questão de dar dinheiro a eles, já que são tão diferentes da nossa verdadeira vocação democrática. Agora, depois dos escândalos da Lava-Jato, compreendemos a verdadeira razão destes empenhos.

Muitos artistas e músicos famosos se apoiam na ideia de que você pode ser democrático e de partido de esquerda, de partidos políticos que vendem este conceito social e comunista. Eu pessoalmente não consigo entender como o comunismo seria “democrático”, até porque não é e nunca foi. As pessoas precisam ler mais a história sobre os lideres do sistema partidário comunista, ou mesmo ver filmes de história biografica dos fundadores do partido comunista.

Sempre tiveram como âncora a revolução, não necessariamente pacífica, como mostra a história da Rússia e China que foram os grandes fundadores do partido comunista no mundo.

Não se tem na história da humanidade o tamanho do morticínio que estes dois países comunistas causaram à sua população. Trotskistas, Lenin, Stálin e Mao Tstung dizimaram milhões da população de seus países em nome de suas ideologias partidárias. Basta ler a biografia dos três.

Mas o que isto tem a ver com a gente aqui no Brasil? Na realidade, há um simbolismo maior do que imaginamos.

O conceito vulgarmente de direita ou esquerda usado na eleição recente trouxe de volta esta termologia que talvez estivesse relativamente esquecida por nós, e principalmente por uma nova geração que não tem dado muita atenção o que significa de fato, mas que, ao final, foi o que fez a diferença entre os candidatos. A esquerda chamada light, pão com cocada, são normalmente usadas de uma forma enganosa e que de certa forma confunde o cidadão de boa fé. Em um exemplo muito claro, podemos ver que as demandas sociais dos chamados “sem terra” sempre foram estimuladas e amplamente amparadas pelos mesmos partidos de esquerda e usadas como um instrumento de barganha. O MST é um movimento apoiado pela esquerda e com ocupações não democráticas, inspirado nos conceitos Marxistas. “O povo é o poder”, diferente do viés democrático de que o povo elegeo poder.

Mas esta eleição reacendeu o conceito, pois o candidato Bolsonaro levantou a bandeira da direita e nos fez lembrar de onde vem a esquerda.

Muitas pessoas me perguntam como eu acho que vai ser o governo do nosso próximo presidente. Eu simplesmente nunca me prendi a promessas de campanha de nenhum candidato, e sim aos sinais que me são dados - tanto pela própria mídia ou por informações de redes sociais. E, sinceramente, estou surpreso positivamente, até porque, como muitos, nunca fui Bolsonarista mas acabei admirando sua forma de lidar com o controverso, e com um racional bastante diferente do que a mídia vinha caracterizando em varias situações  que geraram muita controvérsia e confusão de opiniões, além de deixarem muitas dúvidas do real posicionamento do novo presidente - como casos envolvendo xenofobia, se posicionar contra os índios, pobres e outros casos polêmicos, até mesmo a respeito de ser a favor da ditadura militar.

Ninguém trilha um caminho de governo ditatorial fazendo convite para países democráticos e desconvidando países como Venezuela e Cuba, que não se alinham na democracia. São os mesmo sinais que a posse do governo Dilma deu no sentido inverso, basta ver a fotografia da posse. Assim, confesso que reavaliei o meu posicionamento em relação ao novo governo e considero que podemos, sim, ter um ciclo econômico bastante favorável ainda que o governo tenha grandes dificuldades em relação ao legislativo. Mas como dizemos: isto faz parte do pacote.
Alguns pontos que observei que considerei bastante positivos e me deixam mais otimista:

- Posicionamento bastante claro em relação à aproximação com países com amplo histórico democrático, que são por natureza de livre comércio e de maior liberdade à iniciativa privada. A tecnologia hoje deverá ser cada vez mais proxima do comércio mundial, sem necessariamente precisarem estar em blocos. Já é possível visitar feiras no mundo inteiro virtualmente e essa tendência irá aumentar cada vez mais, assim como outras ferramentas institucionais.

- Acordos bilaterais de comércio são uma realidade pois as negociações em blocos regionais, especificamente do Mercosul, em que não se consegue atender aos interesses de uma região como um todo pelas diferenças e momentos econômico de cada país como Brasil e Argentina.

- Politica de defesa de todo cidadão de bem para ter o direito de se defender poderá inibir um pouco mais a criminalidade que assola o país e hoje se tornou um dos maiores e principais problemas nacionais.

- Direitos iguais a todos os cidadãos, independente de quotas de raça, cor, origem indígena (ou não), sexo ou orientação sexual, só gera distorções em relação a outros que também consideram injustiçados por não ter os mesmos privilégios.

Assim, com certeza, teremos um início marcante e diferente por posições ideológicas bem distintas do que convivemos ao longo da última década.

E diferentemente de que alguns pensam, as diferenças e valores são relevantes, tão grandes quanto o tamanho do estado que cada um sonha. À direita um estado de menor influência na nossa vida, e à esquerda com maior influência do estado a começar pelo tamanho e relevância do poder público.

Enfim, somos agora de direita e espero que continuemos a ser um país mais democrático, votado democraticamente pela maioria.

Welcome to 2019.

Vamos comemorar a entrada de ano com bastante otimismo e apostando em um futuro melhor. É o que desejo a todos os brasileiros.

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Finanças, Tecnologia
Blockchain – A quebra de paradigma dos meios de pagamentos
4 de dezembro de 2018 at 18:42 0

Já passados quase 10 anos desde a criação da criptomoeda bitcoin, o mercado de moedas digitais começa a amadurecer sua percepção de como o sistema poderá se beneficiar desta inovação tecnológica chamada blockchain 

Já́ foram lançadas muitas centenas de projetos aos longos destes anos, chamados White Papers, que descrevem qual o objetivo da captação e qual seu propósito estratégico. Assim como através dos ICOs - sigla que define a oferta de tokens para o mercado de consumidores, que na sua grande maioria é formada por um público de jovens visionários sem tanto questionamento sobre eventual lastro de uma criptomoeda. Este normalmente é o questionamento mais frequente de quem se depara com o assunto dado a falta de um paralelo para o novo contexto.

A realidade é que não há lastro e sim uma estrutura tecnológica inovadora que depende de credibilidade dada busca e interesse de todos por meios de transação com maior agilidade, acessibilidade, aceitação e segurança. 

Esta nova tecnologia se baseia em criptografia e foi assim que se derivou e criou novas oportunidades para muitas startups. Muitas delas aventureiras atraídas pelo lucro fácil, porém outras com projetos estruturados mais consistentes e que vêm trabalhando no longo prazo para consolidar seu projeto e benefícios econômicos. 

Cada vez mais, o conceito dos projetos versus investimentos em criptomoeda deverão ter sinais mais claros de fundamentos econômicos e, consequentemente, gerar maior credibilidade para o setor.

Com a maturidade do bitcoin, no ano de 2017 a moeda começou a ser reconhecida nos mercados com a entrada nos Futuros da Bolsa de Chicago e, consequentemente, como uma nova realidade.

Os preços do ativo, que teria ao longo de praticamente 8 anos sendo controlado e manipulado por alguns grandes investidores, passaram a conviver com esta nova realidade através dos Futuros. Abriu-se as portas para os Hedge Funds, que através destes mercados passaram a poder operar em fundos especializados e agressivos, que até então estavam controlados por alguns poucos players, agora muito mais vulneráveis aos fluxos de capitais e de arbitragens gerados por mercados mais organizados e com players mais preparados. 

 Após a abertura dos mercados futuros na bolsa de Chicago, passou-se dos exacerbados lucros para os fortes e prejuízo para os mais fracos, pois os tubarões de mercado quando encontraram  uma brecha para fundamentar a queda, desestabilizaram o mercado que se encontrava nesta ocasião beirando os U$20 mil e empurraram o mercado para uma tendência baixista levando o bitcoin abaixo de 6 mil dólares. 

Portanto, houve também uma possível mudança de  mãos das criptomoedas, para algumas grandes instituições  que controlam o mercado futuro  através das arbitragens e futuros

A partir deste evento da entrada do bitcoin no mercado futuro, diria que o mercado de criptomoedas alcançou uma nova dimensão, esse foi o começo da institucionalização destes  ativos.

Assim o movimento de regulamentação também começa a tomar corpo. Mas a ausência ainda dos órgãos reguladores em diferentes países, fazem com que a autorregulação acabe predominando no momento presente.

 O blockchain vem se desenvolvendo como uma ferramenta de usabilidade poderosa para diversas áreas, inclusive governamental que está bem atenta a estes movimentos, não só preocupado com a lavagem de dinheiro, como também estudam a regulamentação e viabilidade para uma maior utilização do blockchain e da própria criptomoeda.

Fazendo um paradoxo com o Uber que quebrou paradigma de meio de transporte, as criptomoedas e a utilização da tecnologia do blockchain são nova realidade que existirá de uma forma ou de outra.

Como regular este mercado, será o maior desafio para todos. Cada país está fazendo à sua maneira. Alguns já entenderam os inúmeros benefícios do potencial descentralizados de ter uma segunda opção e trabalham para mitigar os riscos, como em qualquer mercado.

Mas como regular ou mesmo proibir este novo contexto?

 Acredito que muitos países irão caminhar pela regulação controlada pela via indireta através das Exchanges ou OTCs que fazem o ambiente de conversão das criptomoedas  em outras criptomoedas   como também nas moedas fiduciárias.

O lado bom e saudável da história é a possibilidade de termos uma outra via de meio de pagamento. Hoje a realidade do mundo atual é simplesmente o predomínio de uma principal moeda, que é o dólar, pois o EURO  volta e meia tem controvérsias sobre a sua sobrevivência que é questionada dentro dos próprios países Europeus que participam e abriram mão da sua moeda e agora têm que conviver com o dilema de seguir uma política monetária única, mas com tantas diferenças étnicas.

O mundo caminha para acabar com o papel moeda e já é uma realidade que a moeda fiduciária na sua maior parte seja fungível através de transferências eletrônicas (TEDs e sistemas de compensação), assim como, cada vez mais, através dos meios de pagamento de cartões de crédito, que em breve também deixarão de existir sendo substituídos por sistemas similares a Apple Pay , Paypal , QR Code e muitos outros.

A criptomoeda será a terceira via de pagamento e cada vez mais tenderá a se popularizar principalmente no público jovem, que pensa de forma mais sofisticada e contestadora entre os meios de pagamentos tradicionais em relação aos inúmeros custos (taxas,  fee’s) cobrados nos processos de intermediação bancaria.

É através do blockchain que se constroem a estrutura de uma criptomoeda, cujos blocos possibilitam consequentemente a mineração, que nada mais é que uma forma simplista de remuneração financeira do sistema e de ampliação da rede em que o minerador recebe um pequeno pedaço da cripto. De fato, tudo isso é bem sofisticado, mas de transparente e segura transação e essa é a principal atração para esse mercado.  

Por que podemos acreditar que este mercado fala com o futuro dos meios de pagamentos? As moedas fiduciárias como EURO, Dólar e Reais tenderiam a ser substituídas?

A primeira resposta seria: não!

-  As criptomoedas chegam como meio alternativo, mas não substitutivo. Elas podem gerar eficiência de pagamento, sim. Incluindo, democratizando acesso, inclusive para pessoas não bancarizadas. 

A segunda resposta seria:  também, não!

 As criptomoedas tem o papel de estimular o meio circulante de pagamento diretos como já́ é através do peer to peer, sem inflacionar, pois a sua grande maioria tem emissão preestabelecido e com menor custos do que meios de pagamento tradicional.

Diria que a tecnologia do blockchain e das criptomoedas irão passar por inúmeros desafios   ainda, mas não podemos negar que essa já é uma realidade contemporânea,  assim como a inteligência artificial e robótica.

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Política
Putin x Trump: A segunda Guerra Fria da economia
4 de julho de 2017 at 15:29 0

O período da Guerra Fria marcou um capítulo interessante na história da humanidade. Estados Unidos de um lado, União Soviética do outro, mas não apenas em termos ideológicos. Apenas a título de curiosidade, algumas das maiores produções do cinema americano se basearam na rivalidade entre as duas grandes potências da época.

Hoje, entretanto, o assunto não é cinema, mas a delicada relação que os dois países mantem ao longo do tempo. De um lado a Rússia - considerada herdeira da extinta União Soviética e com todos os problemas decorrentes dos anos passados sob o manto do comunismo, e Estados Unidos - ainda considerado o país maior potência mundial, porém lutando para manter a posição com as economias com os olhos voltados cada vez mais para o Oriente. Noticiários e periódicos parecem estar replicando as manchetes dos anos 60, 70 e 80 com notícias de espionagem, posicionamentos opostos dos presidentes dos dois países sobre conflitos armados, apoio a ativistas e outras ações que levaram alguns especialistas a declarar que estamos vivendo um novo período de Guerra Fria. Faltou apenas mencionar que ambos os países concordam em algo essencial neste momento de globalização: os negócios. Segundo a Câmara de Comércio entre Rússia e Estados Unidos, cerca de 10.000 empresas de diversos segmentos geram mais de 3 milhões de empregos, totalizando aproximadamente US$ 25 bi em importações e exportações entre os dois países. Aqui no Brasil, a cooperação entre os dois países é prevista em US$ 10 bi ao ano tanto em cooperação técnica nas áreas de energia e agrícola, principalmente. Com tanto potencial econômico envolvido, não é de se estranhar que o empresário Donald Trump quisesse investir no país. Suas tentativas de estabelecer negócios na Rússia datam dos anos 80, quando afirmou que nunca ficou tão impressionado com o potencial de uma cidade quanto ficou com Moscou. Todos esses anos de “namoro” com a Rússia estão bem documentados pela imprensa, deste complexos hoteleiros que não vingaram a sócios russos acusados de lavagem de dinheiro, manipulação do mercados de ações e relações com a máfia. As investidas do então empresário ficaram sob um manto de suspeita que tomaram uma proporção ainda maior quando decidiu migrar para a carreira política e se tornou presidente. Há alguns meses a Casa Branca se pronunciou oficialmente sobre a questão, informando que o agora presidente Trump contratou um grupo de advogados para garantir que não existam suspeitas sobre suas conexões com a Russia – os críticos afirmam que isso não seria necessário caso o presidente liberasse o acesso ao seu imposto de renda. A teoria de que o momento atual é fruto do revanchismo russo tem seus adeptos. Há quem defenda a crença de Putin de que a Rússia não teve um tratamento justo durante a perestroika, agravando problemas econômicos e empobrecendo a população. A admissão pela OTAN de países historicamente contrários ao regime comunista imposto por Moscou anteriormente a admissão da Rússia parece ter agravado essa percepção e cada movimento da Otan em territórios e disputas regionais foi recebido como um insulto. Antecessor de Putin, Boris Iéltsin costumava afirmar que as dificuldades do país eram apenas momentâneas não apenas pelo armamento nuclear, mas principalmente pelo forte espírito russo. Putin parece ter carregado consigo esse aprendizado e colocado em prática durante seus dois mandatos. Por um lado, permanece a certeza de que o país não deve abrir mão de seus interesses e que sua opinião não deve ser ignorada. De outro, a convicção de que as revoluções levam o país a instabilidades que diminuem sua importância frente aos negócios mundiais. A única certeza é que, assim como na guerra fria, um confronto direto entre os dois países não irá produzir um vencedor. O medo, dessa vez, é menos uma bomba atômica e sim o colapso da economia e o reordenamento do cenário mundial  
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Política
CLT 2.0: governo mais perto da reforma trabalhista
14 de junho de 2017 at 16:19 0
Na última semana foi aprovado no Senado o texto da reforma trabalhista, que traz a discussão sobre o futuro do Brasil a um novo patamar. Não é a primeira vez que falo que as mudanças na legislação trabalhista e previdenciária tem o potencial de melhorar a economia e promover a confiança necessária para atrair investimentos, especialmente estrangeiros. Os críticos da reforma acreditam que ela tem o poder de retirar os direitos dos trabalhadores sem necessariamente gerar empregos, porém acredito que o crescimento econômico obtido com a flexibilização das regras pode facilitar e acelerar a criação de novos postos de trabalho. Segundo o IBGE, temos hoje 14 milhões de desempregados e se a experiência nos ensina algo é que o aumento da demanda de consumo é o principal gerador de empregos. Com regras rígidas como a atual, mesmo que o ambiente econômico melhore, os empresários ainda receiam contratar. A legislação deve acompanhar a mudança dos tempos. Com a evolução da tecnologia algumas profissões se modificaram totalmente e não é uma lei, criada quando computadores eram ainda peças de ficção científica, que irá mudar isso. Os países desenvolvidos trabalham todos esses fatores para garantir empregabilidade, desde que haja acordo entre as partes. Durante as mais de oito horas de debate na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado foram discutidos todos os itens do texto. O texto foi aprovado integralmente, com quatro sugestões de alteração referentes à regulamentação de trabalho intermitente, decisões por acordo coletivo em relação à jornada de trabalho e veto nos itens que tratam de período de descanso antes da hora extra e trabalho insalubre executado por gestantes. O texto ainda passa pelas comissões de Assuntos Sociais (CAS) e Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir a Plenário. Na quarta-feira a Ibovespa fechou em alta de 0,81% e o dólar a R$ 3,27. Ainda não é a reação que todos esperam, mas já demonstra que o mercado tende a reagir positivamente conforme o assunto avança. Sair de uma crise econômica demanda esforços contínuos e a geração de empregos é uma parte importante, pois no momento o consumo e o crédito estão em baixa. Talvez o resultado não seja o esperado no curto prazo, já que a crise que atravessamos tem forte componente político e neste caso o cenário não é previsível e nem favorável. O governo de Temer mostra que ainda consegue respirar, mesmo diante dos problemas das últimas semanas. A votação da Reforma Trabalhista mostra que ainda consegue articular as medidas que garantem a volta dos investidores. Isso é um ponto positivo para as expectativas de melhora dos brasileiros e mais trabalho do que mostrou a última pessoa que ocupou o Planalto antes dele.
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Investimentos, Outros assuntos, Tecnologia
Bitcoin: futuro da economia ou moda passageira?
1 de junho de 2017 at 10:25 0
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O Bitcoin está na moda.

Depois do Japão anunciar mudança no regulamento para aceitar oficialmente o bitcoin (BTC) como método de pagamento, a moeda atingiu preços que deixaram surpresos até mesmo os investidores mais entusiasmados. A criptomoeda é apenas mais uma das várias que existem e foi apresentada pela primeira vez em 2008 como um sistema de código aberto, baseada em uma rede peer-to-peer, autorregulada e criada para ser livre, sem interferência de governos e outros agentes bancários.

Dentre as principais maneiras de se conseguir os bitcoins está a mineração, processo de validação das transações pela resolução de problemas criptográficos, gerando blocos que são posteriormente inseridos na blockchain - banco de dados que armazena as informações de saldo e as transações efetuadas utilizando a moeda digital. Essa é a primeira vez que se tem conhecimento que os dados contábeis de transações monetárias são públicos e descentralizados.

Um dos grandes problemas que o mercado vê em moedas digitais é que elas não tem lastro. As moedas dos países possuem o lastro em dólar. Com o BTC o lastro é a confiança que o sistema seja autossustentável e isso o torna bastante volátil para se investir. Atualmente o preço está em alta e já ultrapassa os US$ 2.700, ambiente perfeito para a criação de uma bolha.

Até há poucas semanas a moeda não possuía nenhum valor inerente, sendo utilizado basicamente em trocas na internet, muitas delas em mercados ilegais de tráfico, drogas e outros crimes. O reconhecimento formal do Japão de que a moeda é um meio de pagamento válido no país fez com que o valor de mercado do Bitcoin aumentasse cerca de US$ 1 bi, e parte disso é porque os japoneses, e por consequência o restante do mundo, passam a reconhecer seu valor fora das telas do computador.

A Ásia tem sido protagonista na transição do BTC para uma moeda “real”. Além do Japão, a Coréia do Sul também admite que as criptomoedas vieram para ficar, tanto que o Bank of Korea (BOK) divulgou recentemente um documento em que diz acreditar em um sistema que moedas fiduciárias e digitais possam coexistir, e ainda expandiu o modelo para um regime triplo, em que moedas digitais também possam ser emitidas por bancos centrais e não apenas por particulares.

Acredito, entretanto, que a China tem o papel de destaque neste cenário. O país foi capaz de criar toda uma cadeia produtiva dentro deste mercado, que vai desde o maior pool de mineradores – responsáveis por quase metade de todos os BTC emitidos diariamente no mundo – à produção de equipamentos específicos para a realização dessa tarefa. A movimentação alertou o governo para a quantidade de dinheiro envolvido e agora as três maiores bolsas de bitcoin da China vão cobrar 0,2% de cada operação.

É certo que a preponderância asiática no mercado de BTC pode afetar uma de suas características principais, que é a descentralização. Alemanha, Rússia e Estados Unidos já o reconhecem como moeda digital e estudam medidas para regulamentar sua utilização, porém ainda tem um longo caminho a trilhar.

A grande pergunta é se os ideais revolucionários de autonomia, independência e descentralização sobrevivem após o último bitcoin ter sido minerado.

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Política
Economia reage, inflação cai e PIB cresce. Fim da crise à vista?
16 de maio de 2017 at 17:58 0

Economia reage, inflação cai e PIB cresce. Fim da crise à vista?

O anúncio de que o IBC-Br teve uma alta de 1,12% nos três primeiros meses do ano foi motivo de comemoração para economistas. Esse indicador é construído pelo Banco Central e funciona como uma tentativa do Governo de antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, já adiantando algumas decisões, especialmente em relação às taxas de juros. Confirma o que falei há algum tempo sobre a importância dos indicadores tanto na tomada de decisões quanto para acompanhar a saúde econômica brasileira.

A grande estrela do resultado positivo do IBC-Br é a safra recorde de grãos já que o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), prevê que a safra 2016/2017 deve chegar a 230 milhões de toneladas. É um crescimento de 24,3% em relação ao período anterior e significa uma incrível movimentação econômica com geração de empregos diretos e indiretos e movimentação de várias cadeias produtivas.

Embora o resultado seja positivo, afinal significa que o país está no rumo certo, não é realista esperar um crescimento expressivo diante de tantos meses de crise. Nos últimos anos o Brasil sofreu perdas consideráveis de credibilidade: um longo processo de impeachment, a queda do grau de investimento e consequente fuga de capital.

Michel Temer e sua equipe fizeram um esforço considerável no sentido de aprovar medidas percebidas como impopulares, porém muito necessárias para a recuperação do país. A aprovação da PEC do Teto provou aos investidores que o Brasil tem a intenção em conter seus gastos públicos e, como resultado, a Moody’s alterou o rating brasileiro de negativo para estável. A própria agência afirma que a continuidade e implementação consistente dessas políticas pode afetar positivamente futuras classificações.

Uma das grandes vitórias é o controle da inflação, grande trauma para os brasileiros. Isso significa que um governo que mantém os preços sob controle e garante renda e poder de compra consegue a confiança da população. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril ficou em 4,08%, o menor para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. As categorias que puxaram esse número para baixo, dessa vez, foram os combustíveis, energia elétrica e habitação.

Estamos apenas no começo de um longo caminho na retomada do crescimento. As reformas Previdenciária e Trabalhista estão a poucos meses de serem aprovadas e estamos a pouco mais de um ano de um processo eleitoral que não apenas promete ser um dos mais acirrados das últimas décadas, mas irá garantir a continuidade dos ganhos dos últimos meses ou colocar tudo a perder.

Como diz o ditado, esforço e trabalho duro oferecem suas recompensas. A economia brasileira agradece.

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Política
Macron vs Le Pen: uma eleição sobre o futuro do Euro
25 de abril de 2017 at 15:12 0

No próximo dia 7 de maio acontece o segundo turno da eleição da França e pela primeira vez em quase 60 anos os partidos Republicano e Socialista estão fora da disputa. A ausência destes dois grandes protagonistas da política francesa deixa o país, e por consequência toda a Europa, em estado de incerteza, mas alegra os mercados. Nesta segunda, com a ligeira vitória de Emmanuel Macron, a Bolsa francesa abriu em alta de 4,1% e todas outras Bolsas europeias seguiram a tendência. As Bolsas asiáticas fecharam em alta e a cotação do euro registrou valorização.

Macron venceu o 1º turno com 23,75% dos votos e desde o primeiro momento foi apontado como o candidato a derrotar Le Pen. Centrista e com experiência no mercado econômico, ainda não tinha disputado cargos públicos e se aproveitou do vazio deixado pela esquerda e direita tradicionais, se apresentando como uma figura moderada e conciliadora no meio de tantos discursos radicais. Com a proposta de deixar a economia francesa mais competitiva no cenário mundial, ele propõe reduzir o imposto sobre as empresas, diminuir os gastos públicos, exonerar 80% das famílias francesas do imposto de moradia e alterar a tributação das grandes fortunas. Sobre a crise mundial de refugiados, Macron propõe maior controle das fronteiras, porém defende que o país e a União Europeia reformulem as condições dos pedidos de asilo.

É exatamente o contrário do que propõe Marine Le Pen. Com um discurso nacionalista e populista de direita, muito parecido com o do presidente americano Donald Trump. Ela é abertamente contra a União Europeia e a favor de fechar as fronteiras para refugiados e imigrantes. Le Pen tem no discurso o panorama de uma França mais protecionista, com possibilidade real de colocar em pauta a saída do país da UE, ou FREXIT, como já é apelidado pela imprensa internacional o possível referendo.

O discurso anti-imigração e contra a União Europeia foi a aposta de Marine em tentar angariar o apoio dos descontentes do governo Hollande, porém apresenta um enorme problema para os franceses, bem maior do que no caso do BREXIT. Para começar, a França usa o Euro como moeda corrente e mudar todo o sistema monetário de um país pode ser mais traumático para sua economia do que aceitar algumas concessões humanitárias que o estado de guerra atual exige dos países.

Le Pen obteve 21,53% dos votos e tenta manter a imagem de renovação da direita e não aquela dos ativistas mais radicais, antissemitas e homofóbicos do seu partido. Membro do Parlamento Europeu, e filha de Jean-Marie Le Pen, a vida pública não é estranha à ela.

O que nenhuma dos dois candidatos podia prever, nem mesmo Macron, é que a população francesa fosse às ruas para manifestar contra o sistema político e as propostas dos candidatos. No dia 3 de maio é o primeiro debate ao vivo entre os dois e, se a história francesa nos ensina alguma coisa, podemos esperar uma grande revolução com essa eleição.

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Política
Reforma da Previdência: gatilho para a volta do crescimento?
18 de abril de 2017 at 09:26 0

Reforma da Previdência: gatilho para a volta do crescimento?

A reforma da previdência vai ser a mais controversa do que se esperava, principalmente com um calendário político bastante complicado, já que todos sabem da necessidade de um orçamento fiscal enxuto e que mude a rota de colisão do atual déficit das contas públicas. Como falei em outro artigo, tecnicamente esta reforma não estaria em pauta e muito menos seria aprovada se não fosse a crise econômica, pois é mais fácil deixar tudo como está do que mexer nos chamados “direitos imutáveis”.

É um problema para o atual governo a reestruturação da Previdência, pois esta é a mãe de todas as mudanças necessárias para se ter orçamento que feche com as despesas e passe uma maior confiança aos investidores internos e externos. Ao contrário de algumas previsões, uma possível estagnação ainda não é uma situação provável em que a baixa inflação vem acompanhada do baixo crescimento, como vem acontecendo em outras economias do continente europeu e o Japão.

O governo Temer trabalha com a possibilidade crescimento, mesmo que pequeno, e isto faria a diferença já que o PIB - Produto Interno Bruto dos dois últimos anos teve queda acumulada de aproximadamente de 8%. É preciso remodelar a Previdência com um mínimo de qualidade e não toda desfigurada para isto aconteça. É necessário, porém, algum apoio da sociedade: não se deve permitir que o governo fique somente na defensiva e deixe a decisão nas mãos dos políticos que se movem conforme interesses pessoais.

Acredito que um dos problemas é o fato da reforma ser mais percebida por um setor da sociedade que já se sente prejudicado, enquanto outros podem até mesmo se beneficiar com a reforma. É preciso uma campanha mais bem elaborada, mostrando como as pessoas ficam mais perto de garantir a manutenção da aposentadoria, além de desenvolver uma publicidade continuada, através de palestras, por exemplo, como as que vem fazendo o ministro Henrique Meirelles. É interessante notar como outros ministros ficam na plateia, somente como espectadores mais antenados, pois não precisam ser convencidos da necessidade e seriedade do assunto.

Manter a visão crítica sem cair na rejeição aos fatos apenas por questões políticas é o grande desafio dos jovens de hoje e existe muita incompreensão sobre o funcionamento da Previdência pública. Um dos pontos que não é claro para a maioria é que as contribuições de hoje não formam uma poupança para o futuro trabalhador aposentado, mas sim financia os de hoje. O impasse está em que nossa população envelhece duas vezes mais rápido do que a média mundial, ao mesmo tempo em que as famílias brasileiras vem diminuindo, cenário já visto em países europeus e asiáticos que está acontecendo, duas vezes mais rápido, aqui no Brasil.

Precisamos aprender com as experiências de outros países. O Japão tem uma das populações mais idosas do mundo e todos os maiores de 20 anos, empregados ou não, contribuem para o sistema previdenciário. A partir de 2016 o país reduziu o tempo de contribuição para 10 anos com o objetivo de beneficiar mais segurados que não conseguiram cumprir os 25 anos anteriormente necessários, porém não mexeu na idade mínima de 65 anos. É preciso lembrar, também, que naquele país é forte a cultura da poupança e essa medida beneficia especialmente pessoas muito pobres que receberão o equivalente a R$ 500,00, em média.

Também é importante debater a questão da idade mínima especialmente quando falamos de expectativa de vida da população. Na Grécia, por exemplo, os benefícios previdenciários carregam parte da responsabilidade pela evolução crise, já que lá não existia idade mínima e os trabalhadores se aposentavam em média aos 58 anos ou com 35 anos de contribuição. Os Estados Unidos, França e Alemanha querem aumentar a idade mínima para 67 anos gradativamente e todos esses país possuem altas expectativas de vida.

Disseminar esse conhecimento e permitir que nossos jovens tenham uma melhor percepção do que significa o envelhecimento do país é essencial para que eles se posicionem já que eles deverão pagar a conta dos aposentados. Basta ver que a perspectiva de uma maior longevidade da população inviabiliza a conta dos que produzem contra os que não estão mais na atividade produtiva. Acredito que um programa de conscientização nesta camada da população poderia atrair para o governo um grande aliado para este projeto de passar a Reforma da Previdência.

Bradar um discurso populista para fazer barganha política é algo que temos visto com muita frequência, entretanto a ampliação de estratégias de comunicação inteligentes e focadas no público certo, com informações claras e baseada em evidências, desfaz os mitos e diminui a resistência da sociedade.

A conta é simples: um paga e o outro recebe. Falar a língua de quem vai pagar a conta talvez ajude o governo na tarefa hercúlea que é arrumar essa casa tão grande.

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